Publicação
A abordagem da dor em idade pediátrica. l
| Resumo: | A dor como sintoma ou doença é uma importante preocupação de crianças e pais pelo que o seu controlo deve ser uma prioridade, que vai para além ética, ao ser uma exigência clínica e até económica. O direito a não sofrer com dor é uma obrigação absoluta que não depende de NADA, muito menos da idade ou habilidade para a comunicar. Apesar dos grandes avanços, muitas crianças continuam a sofrer desnecessariamente com dor e o hiato entre as evidências científicas e a prática dos cuidados no controlo da dor das crianças continua a ser reconhecido. Todavia, temos o conhecimento e os meios técnicos que nos permitem, com segurança, controlar a dor na esmagadora maioria das situações clínicas. Em Portugal o controlo da dor tem sido uma preocupação e são vários os marcos importantes que o comprovam. Muitas publicações técnicas de referencia nos cuidados à criança com dor foram publicadas. A caracterização da situação em Portugal revela que o ensino da dor em Portugal é realizado em todos os cursos superiores de Medicina, Medicina Dentária, Enfermagem e Fisioterapia e na maioria dos cursos de Psicologia e Farmácia, mas fragmentado em disciplinas no âmbito da fisiologia e da farmacologia. Apenas uma instituição (Escola de Enfermagem) tinha UC autónomas (opcionais): Na prática dos cuidados constatou-se que a quase totalidade dos hospitais tem local para registo da dor, mas apenas é feito em 20% dos hospitais e só em 20% destes, em mais de 50% dos serviços. Todavia, 70% têm orientações escritas sobre avaliação da intensidade da dor e mais de 85% dos hospitais públicos e 50% dos hospitais privados tinham sido promovidas ações de formação sobre avaliação da dor. O controlo da dor em idade pediátrica é espelhado num estudo que revela que a história de dor foi registada em 47,8% dos processos clínicos analisados, sendo bem elaborada e realizada nas primeiras 24 horas de internamento. Em oito horas o registo da avaliação da intensidade da dor foi de 36,6%. A escolha da escala de dor foi adequada em 59,3% das situações. Cerca de 79,9% das crianças não manifestou ou tinha uma dor ligeira 12,5%. Houve um bom controlo da dor em 92,5% dos casos analisados. Em cerca de 42,2% dos casos houve registo de intervenções farmacológicas e em 15,8% de intervenções não-farmacológicas. Na prática dos cuidados devemos seguir alguns princípios como: o acreditar no outro; escolher as escalas de forma criteriosa (tipo de dor, contexto clinico e idade) e utilizá-las com rigor metodológico; gerir o cuidado de forma dinâmica e em coerência com a situação clínica e contexto; entre outros. O investimento feito na área da dor pediátrica parece ser uma opção estratégica acertada face aos progressos verificados no controlo da dor. Todavia, há ainda um longo caminho a percorrer.A dor é um fenómeno universal que requer de nós, profissionais de saúde, uma resposta igualmente universal, integradora e em equipa onde o sofrimento seja um resultado inaceitável. |
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| Autores principais: | Batalha, Luís Manuel da Cunha |
| Assunto: | dor criança enfermagem controlo |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | outro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Escola Superior de Enfermagem de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra |
| Resumo: | A dor como sintoma ou doença é uma importante preocupação de crianças e pais pelo que o seu controlo deve ser uma prioridade, que vai para além ética, ao ser uma exigência clínica e até económica. O direito a não sofrer com dor é uma obrigação absoluta que não depende de NADA, muito menos da idade ou habilidade para a comunicar. Apesar dos grandes avanços, muitas crianças continuam a sofrer desnecessariamente com dor e o hiato entre as evidências científicas e a prática dos cuidados no controlo da dor das crianças continua a ser reconhecido. Todavia, temos o conhecimento e os meios técnicos que nos permitem, com segurança, controlar a dor na esmagadora maioria das situações clínicas. Em Portugal o controlo da dor tem sido uma preocupação e são vários os marcos importantes que o comprovam. Muitas publicações técnicas de referencia nos cuidados à criança com dor foram publicadas. A caracterização da situação em Portugal revela que o ensino da dor em Portugal é realizado em todos os cursos superiores de Medicina, Medicina Dentária, Enfermagem e Fisioterapia e na maioria dos cursos de Psicologia e Farmácia, mas fragmentado em disciplinas no âmbito da fisiologia e da farmacologia. Apenas uma instituição (Escola de Enfermagem) tinha UC autónomas (opcionais): Na prática dos cuidados constatou-se que a quase totalidade dos hospitais tem local para registo da dor, mas apenas é feito em 20% dos hospitais e só em 20% destes, em mais de 50% dos serviços. Todavia, 70% têm orientações escritas sobre avaliação da intensidade da dor e mais de 85% dos hospitais públicos e 50% dos hospitais privados tinham sido promovidas ações de formação sobre avaliação da dor. O controlo da dor em idade pediátrica é espelhado num estudo que revela que a história de dor foi registada em 47,8% dos processos clínicos analisados, sendo bem elaborada e realizada nas primeiras 24 horas de internamento. Em oito horas o registo da avaliação da intensidade da dor foi de 36,6%. A escolha da escala de dor foi adequada em 59,3% das situações. Cerca de 79,9% das crianças não manifestou ou tinha uma dor ligeira 12,5%. Houve um bom controlo da dor em 92,5% dos casos analisados. Em cerca de 42,2% dos casos houve registo de intervenções farmacológicas e em 15,8% de intervenções não-farmacológicas. Na prática dos cuidados devemos seguir alguns princípios como: o acreditar no outro; escolher as escalas de forma criteriosa (tipo de dor, contexto clinico e idade) e utilizá-las com rigor metodológico; gerir o cuidado de forma dinâmica e em coerência com a situação clínica e contexto; entre outros. O investimento feito na área da dor pediátrica parece ser uma opção estratégica acertada face aos progressos verificados no controlo da dor. Todavia, há ainda um longo caminho a percorrer.A dor é um fenómeno universal que requer de nós, profissionais de saúde, uma resposta igualmente universal, integradora e em equipa onde o sofrimento seja um resultado inaceitável. |
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