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A pessoa com demência e o familiar cuidador: problemáticas de natureza éticas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:demência é caracterizada por um declínio significativo nas funções cognitivas e, consequentemente, por uma perda da funcionalidade e da capacidade de autodeterminação da pessoa afetada. O cuidador familiar, ao atender às necessidades da pessoa com demência, pode enfrentar decisões complexas durante o processo de cuidado. O objetivo principal deste trabalho foi identificar os principais dilemas éticos que surgem ao familiar cuidador no cuidado à pessoa com demência, a partir da perspetiva dos profissionais de saúde e dos próprios cuidadores. A investigação seguiu um paradigma qualitativo, utilizando grupos focais para recolher dados aos cuidadores e profissionais de saúde. A análise dos dilemas éticos foi realizada por meio da análise de conteúdo e focou-se em questões como a autodeterminação e a autonomia, a beneficência e a não-maleficência, o consentimento informado e a justiça, e identificaram-se, também, desafios relacionados com a preservação da dignidade. Os resultados revelaram discrepâncias significativas nas perspetivas dos cuidadores e dos profissionais, principalmente nas áreas de preservação da autonomia e segurança, obrigações familiares de cuidar, institucionalização, investimento terapêutico e acesso a cuidados. No entanto, observou-se maior consenso nas questões relacionadas com as diretivas antecipadas de vontade, intimidade, privacidade e gestão do dinheiro. Percebe-se que o cuidador familiar toma decisões mais baseadas nas emoções, com uma inclinação para o paternalismo, devido à falta de conhecimento e de literacia em saúde mental, enfrentando situações de grande incerteza. Os profissionais de saúde abordam os dilemas éticos de forma mais objetiva e baseada no conhecimento, dando mais ênfase à autonomia da pessoa com demência. Enfatizam a capacitação dos familiares cuidadores, de forma a apoiar tomadas de decisões informadas e éticas. Concluindo, é essencial melhorar a literacia em saúde e desenvolver intervenções que ajudem a melhorar a autoeficácia ética, de forma a ajudar as pessoas com demência e os seus cuidadores a lidar com dilemas éticos, destacando a necessidade de uma prática centrada na pessoa.
Autores principais:Antão, Sabine João
Assunto:Demência Dilemas éticos Familiares cuidadores Cuidar
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto
Idioma:português
Origem:Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto
Descrição
Resumo:demência é caracterizada por um declínio significativo nas funções cognitivas e, consequentemente, por uma perda da funcionalidade e da capacidade de autodeterminação da pessoa afetada. O cuidador familiar, ao atender às necessidades da pessoa com demência, pode enfrentar decisões complexas durante o processo de cuidado. O objetivo principal deste trabalho foi identificar os principais dilemas éticos que surgem ao familiar cuidador no cuidado à pessoa com demência, a partir da perspetiva dos profissionais de saúde e dos próprios cuidadores. A investigação seguiu um paradigma qualitativo, utilizando grupos focais para recolher dados aos cuidadores e profissionais de saúde. A análise dos dilemas éticos foi realizada por meio da análise de conteúdo e focou-se em questões como a autodeterminação e a autonomia, a beneficência e a não-maleficência, o consentimento informado e a justiça, e identificaram-se, também, desafios relacionados com a preservação da dignidade. Os resultados revelaram discrepâncias significativas nas perspetivas dos cuidadores e dos profissionais, principalmente nas áreas de preservação da autonomia e segurança, obrigações familiares de cuidar, institucionalização, investimento terapêutico e acesso a cuidados. No entanto, observou-se maior consenso nas questões relacionadas com as diretivas antecipadas de vontade, intimidade, privacidade e gestão do dinheiro. Percebe-se que o cuidador familiar toma decisões mais baseadas nas emoções, com uma inclinação para o paternalismo, devido à falta de conhecimento e de literacia em saúde mental, enfrentando situações de grande incerteza. Os profissionais de saúde abordam os dilemas éticos de forma mais objetiva e baseada no conhecimento, dando mais ênfase à autonomia da pessoa com demência. Enfatizam a capacitação dos familiares cuidadores, de forma a apoiar tomadas de decisões informadas e éticas. Concluindo, é essencial melhorar a literacia em saúde e desenvolver intervenções que ajudem a melhorar a autoeficácia ética, de forma a ajudar as pessoas com demência e os seus cuidadores a lidar com dilemas éticos, destacando a necessidade de uma prática centrada na pessoa.