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O turismo como catalisador para a revitalização da Mouraria

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Resumo:O centro histórico de Lisboa, tal como em muitas das cidades históricas europeias, sofreu um forte abandono populacional e da sua atividade comercial no último quartel do século XX, motivado em boa parte por dinâmicas sociais e económicas e por políticas de ordenamento do território que fomentaram a expansão urbana. Este processo contribuiu para a degradação do seu património edificado. Por outro lado, o congelamento das rendas também não permitiu aos proprietários obterem meios suficientes para levarem a cabo obras de reabilitação, gerando, deste modo, um clima de insegurança e de abandono do centro histórico. Na última década, contudo, o crescimento da atividade turística na cidade de Lisboa veio revitalizar o seu centro histórico, não só por trazer atividades diretamente relacionadas com o setor, mas também outro tipo de comércio e serviços de apoio. Em simultâneo, cresceram também as obras de reabilitação urbana, em muitos casos com vista à conversão em estabelecimentos de aluguer de curta duração (alojamento local), de forma a fazer face à crescente procura turística e também numa ótica de obtenção de maiores rendimentos em plena crise económico-financeira. No entanto, se em alguns casos tal se deu em edifícios devolutos, em outros esta situação teve como consequência o despejo de famílias que há anos residiam no casco histórico da capital portuguesa, contribuindo para o que alguns autores designam por “gentrificação turística”. Nesta dissertação procura-se fazer uma avaliação do papel do turismo na revitalização de um dos bairros históricos mais icónicos de Lisboa – a Mouraria – e compreender os seus efeitos. Verificou-se que o bairro foi protegido de uma “turistificação” acentuada, sobretudo devido ao forte poder do associativismo local e do seu trabalho em rede, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, mas também graças à forte presença de diferentes comunidades imigrantes, ao seu dinamismo comercial, bem como à perpetuação de um certo preconceito em relação ao bairro.
Autores principais:Barata, João Francisco Monte
Assunto:Alojamento local Gentrificação Habitação Mouraria Revitalização Turismo Short-term rental Gentrification Housing Revitalization Tourism
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril
Idioma:português
Origem:Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril
Descrição
Resumo:O centro histórico de Lisboa, tal como em muitas das cidades históricas europeias, sofreu um forte abandono populacional e da sua atividade comercial no último quartel do século XX, motivado em boa parte por dinâmicas sociais e económicas e por políticas de ordenamento do território que fomentaram a expansão urbana. Este processo contribuiu para a degradação do seu património edificado. Por outro lado, o congelamento das rendas também não permitiu aos proprietários obterem meios suficientes para levarem a cabo obras de reabilitação, gerando, deste modo, um clima de insegurança e de abandono do centro histórico. Na última década, contudo, o crescimento da atividade turística na cidade de Lisboa veio revitalizar o seu centro histórico, não só por trazer atividades diretamente relacionadas com o setor, mas também outro tipo de comércio e serviços de apoio. Em simultâneo, cresceram também as obras de reabilitação urbana, em muitos casos com vista à conversão em estabelecimentos de aluguer de curta duração (alojamento local), de forma a fazer face à crescente procura turística e também numa ótica de obtenção de maiores rendimentos em plena crise económico-financeira. No entanto, se em alguns casos tal se deu em edifícios devolutos, em outros esta situação teve como consequência o despejo de famílias que há anos residiam no casco histórico da capital portuguesa, contribuindo para o que alguns autores designam por “gentrificação turística”. Nesta dissertação procura-se fazer uma avaliação do papel do turismo na revitalização de um dos bairros históricos mais icónicos de Lisboa – a Mouraria – e compreender os seus efeitos. Verificou-se que o bairro foi protegido de uma “turistificação” acentuada, sobretudo devido ao forte poder do associativismo local e do seu trabalho em rede, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, mas também graças à forte presença de diferentes comunidades imigrantes, ao seu dinamismo comercial, bem como à perpetuação de um certo preconceito em relação ao bairro.