Publicação
A estrutura turística na náutica de recreio em Portugal: análise, reflexão e contributos
| Resumo: | No território português existem inúmeros recursos mobilizáveis para a prática de atividades náuticas de recreio. Uma necessária estrutura competitiva de mercado impõe-se para a transformação desses recursos em dinâmicas de consumo turístico. Para cumprir a meta da aferição das causas do fraco desempenho da náutica recreativa em Portugal, entrevistaram-se agentes, direta e indiretamente envolvidos a montante e a jusante da oferta turística náutica de recreio. A abordagem é predominantemente geoestratégica económica e politica. Os objetivos da dissertação passam pela compreensão do que falha, se a modelação do mercado a montante ou as restrições de consumo identificadas a jusante. Apesar da existência de muitos planos e regulamentos que gerem os territórios náuticos, verificam-se muitos constrangimentos estranguladores do consumo turístico interno. A educação e a formação para a náutica de recreio, enquanto formas de preparação e estímulos ao consumo interno são insipientes, o que condiciona a alavancagem do consumo externo. É ainda de assinalar a existência de uma grande mistificação e preconceito sob noções elitistas das práticas náuticas. Este facto é ainda mais potenciado por um diminuto poder de compra dos portugueses face aos custos associados. São fatores negativos que imperam sobre as decisões de consumo. Por outro lado, existe um complexo sistema legal e burocrático, difícil de interpretar na teoria e na prática, que condiciona a motivação dos agentes privados e dos particulares. Frequentemente, esse sistema manifesta-se nas relações internas do setor público – entre instituições estatais e conexas – sendo depois em conformidade refletidas no privado. A ambos os setores falta cooperação e sinergia, sob pena de continuarem a trabalhar o mesmo mercado com velocidades e abordagens diferentes. A mensagem passada pelas esferas governativas de que o recurso Mar é a via para a recuperação e a competitividade da economia portuguesas não é suficiente. Portugal deve adotar um novo posicionamento estratégico. Existe também pouca massa crítica associada à náutica de recreio. Existem falhas na cadeia de valor desde a transformação de matéria-prima, passando pelo fabrico dos equipamentos, até às formas de venda e assistência posterior. A distribuição passa sempre pelas figuras tradicionais de negócio associadas à dualidade das marinas e do contexto balnear. Descredibilizou-se nos últimos 40 anos a história e a cultura marítima portuguesas, o que se reflete também nos parcos hábitos de consumo. Finalmente, falta desenvolver o Marketing e estruturar territórios sob a forma de Estâncias Náuticas assentes em clusters, regionalismos culturais e socioeconómicos. Portugal, de acordo com a investigação realizada, arrisca-se, a divergir dos modelos competitivos de desenvolvimento internacional. |
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| Autores principais: | Cabeleira, Nuno Miguel Rodrigues Conceição |
| Assunto: | turismo náutico de recreio território estratégia mercado recreational nautical tourism territory market Portugal |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril |
| Idioma: | português |
| Origem: | Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril |
| Resumo: | No território português existem inúmeros recursos mobilizáveis para a prática de atividades náuticas de recreio. Uma necessária estrutura competitiva de mercado impõe-se para a transformação desses recursos em dinâmicas de consumo turístico. Para cumprir a meta da aferição das causas do fraco desempenho da náutica recreativa em Portugal, entrevistaram-se agentes, direta e indiretamente envolvidos a montante e a jusante da oferta turística náutica de recreio. A abordagem é predominantemente geoestratégica económica e politica. Os objetivos da dissertação passam pela compreensão do que falha, se a modelação do mercado a montante ou as restrições de consumo identificadas a jusante. Apesar da existência de muitos planos e regulamentos que gerem os territórios náuticos, verificam-se muitos constrangimentos estranguladores do consumo turístico interno. A educação e a formação para a náutica de recreio, enquanto formas de preparação e estímulos ao consumo interno são insipientes, o que condiciona a alavancagem do consumo externo. É ainda de assinalar a existência de uma grande mistificação e preconceito sob noções elitistas das práticas náuticas. Este facto é ainda mais potenciado por um diminuto poder de compra dos portugueses face aos custos associados. São fatores negativos que imperam sobre as decisões de consumo. Por outro lado, existe um complexo sistema legal e burocrático, difícil de interpretar na teoria e na prática, que condiciona a motivação dos agentes privados e dos particulares. Frequentemente, esse sistema manifesta-se nas relações internas do setor público – entre instituições estatais e conexas – sendo depois em conformidade refletidas no privado. A ambos os setores falta cooperação e sinergia, sob pena de continuarem a trabalhar o mesmo mercado com velocidades e abordagens diferentes. A mensagem passada pelas esferas governativas de que o recurso Mar é a via para a recuperação e a competitividade da economia portuguesas não é suficiente. Portugal deve adotar um novo posicionamento estratégico. Existe também pouca massa crítica associada à náutica de recreio. Existem falhas na cadeia de valor desde a transformação de matéria-prima, passando pelo fabrico dos equipamentos, até às formas de venda e assistência posterior. A distribuição passa sempre pelas figuras tradicionais de negócio associadas à dualidade das marinas e do contexto balnear. Descredibilizou-se nos últimos 40 anos a história e a cultura marítima portuguesas, o que se reflete também nos parcos hábitos de consumo. Finalmente, falta desenvolver o Marketing e estruturar territórios sob a forma de Estâncias Náuticas assentes em clusters, regionalismos culturais e socioeconómicos. Portugal, de acordo com a investigação realizada, arrisca-se, a divergir dos modelos competitivos de desenvolvimento internacional. |
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