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Autodano na adolescência:o papel dos traços borderline de personalidade, dos medos da compaixão e do autocriticismo

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Resumo:O autodano é um problema complexo e clinicamente significativo entre os adolescentes. Neste sentido, a clarificação de variáveis psicológicas e emocionais que possam predizer ou manter o comportamento de autodano, nesta população, assume especial relevância. O presente estudo procurou explorar o contributo do autocriticismo, do medo da compaixão e dos traços de personalidade borderline para o autodano, em 279 adolescentes, do ensino básico e secundário, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos. Os resultados obtidos mostraram associações significativas entre o autodano e as variáveis em estudo. De referir que o comportamento de autodano, como esperado, mostrou-se correlacionado com o impulso, a ideação suicida e o afeto negativo, em ambos os géneros. Adicionalmente, os dados parecem sugerir que o autocriticismo no seu formato mais tóxico e patogénico, o eu detestado, prediz a ocorrência de comportamentos de autodano nos adolescentes. Mais ainda, o medo da autocompaixão, bem como a existência de traços de personalidade borderline, revelaram-se preditores significativos do autodano nas raparigas. Por sua vez, nos rapazes, os resultados mostraram que a presença de afeto negativo, bem como o medo de dar compaixão aos outros, contribuem significativamente para o autodano. Apesar das limitações inerentes ao desenho empírico, o presente estudo parece contribuir para o estado da arte, com implicações clínicas. O principal contributo centra-se na clarificação do papel dos traços de personalidade borderline, dos medos da compaixão e do autocritismo na fenomenologia do autodano, em adolescentes. A intervenção terapêutica no autodano deve focar-se no autocriticismo e no desenvolvimento de emoções afiliativas, ligadas ao sistema de vinculação e tranquilização, com um especial destaque para a autocompaixão.
Autores principais:Loureiro, Juliana Martins
Assunto:Comportamento auto-lesivo Personalidade borderline Adolescente Autodano Traços borderline de personalidade Medos da compaixão Autocriticismo Adolescência
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:O autodano é um problema complexo e clinicamente significativo entre os adolescentes. Neste sentido, a clarificação de variáveis psicológicas e emocionais que possam predizer ou manter o comportamento de autodano, nesta população, assume especial relevância. O presente estudo procurou explorar o contributo do autocriticismo, do medo da compaixão e dos traços de personalidade borderline para o autodano, em 279 adolescentes, do ensino básico e secundário, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos. Os resultados obtidos mostraram associações significativas entre o autodano e as variáveis em estudo. De referir que o comportamento de autodano, como esperado, mostrou-se correlacionado com o impulso, a ideação suicida e o afeto negativo, em ambos os géneros. Adicionalmente, os dados parecem sugerir que o autocriticismo no seu formato mais tóxico e patogénico, o eu detestado, prediz a ocorrência de comportamentos de autodano nos adolescentes. Mais ainda, o medo da autocompaixão, bem como a existência de traços de personalidade borderline, revelaram-se preditores significativos do autodano nas raparigas. Por sua vez, nos rapazes, os resultados mostraram que a presença de afeto negativo, bem como o medo de dar compaixão aos outros, contribuem significativamente para o autodano. Apesar das limitações inerentes ao desenho empírico, o presente estudo parece contribuir para o estado da arte, com implicações clínicas. O principal contributo centra-se na clarificação do papel dos traços de personalidade borderline, dos medos da compaixão e do autocritismo na fenomenologia do autodano, em adolescentes. A intervenção terapêutica no autodano deve focar-se no autocriticismo e no desenvolvimento de emoções afiliativas, ligadas ao sistema de vinculação e tranquilização, com um especial destaque para a autocompaixão.