Publicação
Evaluation of the effect of different cavity disinfectants on adhesion to dentin of primary teeth
| Resumo: | Introdução: A cárie dentária é uma das patologias orais mais prevalentes. O tratamento com recurso a resinas compostas é a abordagem terapêutica mais comum, permitindo controlar a patologia e restaurar a forma e a função, de uma forma simples e efetiva. Contudo, após a remoção da lesão de cárie e a preparação da cavidade, alguns microrganismos podem persistir no substrato, tendo sido sugerida a utilização de desinfetantes cavitários, antes do procedimento restaurador, de forma a reduzir a atividade microbiológica. Apesar da efetividade dos desinfetantes cavitários que têm sido propostos, o seu efeito na adesão às resinas compostas não é ainda totalmente compreendido, especialmente em dentes temporários. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de cinco desinfetantes cavitários na adesão de restaurações em resina composta à dentina de dentes temporários. Materiais e métodos: O terço coronário de 60 molares temporários íntegros foi seccionado, os dentes foram incubados em resina acrílica e divididos, aleatoriamente, em seis grupos (n=10/grupo): 1 - Controlo (sem aplicação de desinfetante cavitário); 2 - Desinfeção com Glutaraldeído 5% (Gluma®, Heraeus, Alemanha); 3 - Desinfeção com Clorohexidina 0,20% (Parodontax Extra 0,2%, GSK, Reino Unido); 4 - Desinfeção com EDTA 17% (CanalPro™ EDTA 17%, Coltène, Alemanha); 5 - Desinfeção com Etanol 100% (Sigma-Aldrich, EUA); 6 - Desinfeção com Aloe vera (Just Jaivikâ®, Herbs and Crops Overseas, Índia). Todos os desinfetantes foram aplicados ativamente, seguido de lavagem e secagem. Foi aplicado o sistema adesivo Scotchbond™ Universal (3M, EUA), de acordo com as indicações do fabricante. A resina composta (Admira Fusion, VOCO, Alemanha) foi posicionada sobre a estrutura dentária em incrementos, com o auxílio de um molde de polietileno (3x2mm) e fotopolimerizada (SmartLite Focus, Dentsply Sirona, EUA). A força de adesão (Mpa) foi avaliada para as diferentes amostras com recurso a uma máquina de ensaio universal (Shimadzu, Japão). Os dados foram analisados pelos testes de Shapiro-Wilk, One-way ANOVA e post-hoc de Tukey. O nível de significância assumido foi de 5%. Resultados: A aplicação de Glutaraldeído (14,59±3,89 MPa), Clorohexidina (11,24±2,25 MPa), EDTA (11,04±2,95 MPa), Etanol (10,37±2,09 MPa) e Aloe vera (10,09±2,60 MPa) não resultou em valores de força de adesão superiores aos do grupo Controlo (14,95±2,75 MPa), de entre os quais os dos grupos do Etanol e do Aloe vera foram significativamente inferiores. Discussão: Os dentes temporários apresentam características químicas e micromorfológicas que diferem das dos dentes permanentes, o que pode resultar em diferentes valores de força de adesão quando os desinfetantes cavitários são aplicados. A adesão não foi comprometida quando o Glutaraldeído, a Clorohexidina e o EDTA foram aplicados no substrato, sugerindo que podem ser utilizados como desinfetantes cavitários na dentina de dentes temporários, sem compromisso da qualidade e da longevidade da restauração. Conclusão: Os resultados sugerem que o Glutaraldeído, a Clorohexidina e o EDTA não afetam a força de adesão, pelo que podem ser aplicados na dentina de dentes temporários com segurança. A aplicação de Etanol ou de Aloe vera na superfície dentária provocou uma diminuição significativa da força de adesão, sendo aconselhável evitar a sua utilização. No entanto, existe uma lacuna na literatura relativa à utilização de desinfetantes cavitários em dentes temporários, existindo, assim, uma necessidade de realizar estudos in vitro e clínicos para confirmar os dados obtidos. |
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| Autores principais: | Cordeiro, Mariana Sofia Ruivo de Sousa |
| Assunto: | Adesão Desinfetantes cavitários Dentes temporários Força de adesão Adhesion Cavity disinfectants Primary teeth Shear bond strength |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: A cárie dentária é uma das patologias orais mais prevalentes. O tratamento com recurso a resinas compostas é a abordagem terapêutica mais comum, permitindo controlar a patologia e restaurar a forma e a função, de uma forma simples e efetiva. Contudo, após a remoção da lesão de cárie e a preparação da cavidade, alguns microrganismos podem persistir no substrato, tendo sido sugerida a utilização de desinfetantes cavitários, antes do procedimento restaurador, de forma a reduzir a atividade microbiológica. Apesar da efetividade dos desinfetantes cavitários que têm sido propostos, o seu efeito na adesão às resinas compostas não é ainda totalmente compreendido, especialmente em dentes temporários. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de cinco desinfetantes cavitários na adesão de restaurações em resina composta à dentina de dentes temporários. Materiais e métodos: O terço coronário de 60 molares temporários íntegros foi seccionado, os dentes foram incubados em resina acrílica e divididos, aleatoriamente, em seis grupos (n=10/grupo): 1 - Controlo (sem aplicação de desinfetante cavitário); 2 - Desinfeção com Glutaraldeído 5% (Gluma®, Heraeus, Alemanha); 3 - Desinfeção com Clorohexidina 0,20% (Parodontax Extra 0,2%, GSK, Reino Unido); 4 - Desinfeção com EDTA 17% (CanalPro™ EDTA 17%, Coltène, Alemanha); 5 - Desinfeção com Etanol 100% (Sigma-Aldrich, EUA); 6 - Desinfeção com Aloe vera (Just Jaivikâ®, Herbs and Crops Overseas, Índia). Todos os desinfetantes foram aplicados ativamente, seguido de lavagem e secagem. Foi aplicado o sistema adesivo Scotchbond™ Universal (3M, EUA), de acordo com as indicações do fabricante. A resina composta (Admira Fusion, VOCO, Alemanha) foi posicionada sobre a estrutura dentária em incrementos, com o auxílio de um molde de polietileno (3x2mm) e fotopolimerizada (SmartLite Focus, Dentsply Sirona, EUA). A força de adesão (Mpa) foi avaliada para as diferentes amostras com recurso a uma máquina de ensaio universal (Shimadzu, Japão). Os dados foram analisados pelos testes de Shapiro-Wilk, One-way ANOVA e post-hoc de Tukey. O nível de significância assumido foi de 5%. Resultados: A aplicação de Glutaraldeído (14,59±3,89 MPa), Clorohexidina (11,24±2,25 MPa), EDTA (11,04±2,95 MPa), Etanol (10,37±2,09 MPa) e Aloe vera (10,09±2,60 MPa) não resultou em valores de força de adesão superiores aos do grupo Controlo (14,95±2,75 MPa), de entre os quais os dos grupos do Etanol e do Aloe vera foram significativamente inferiores. Discussão: Os dentes temporários apresentam características químicas e micromorfológicas que diferem das dos dentes permanentes, o que pode resultar em diferentes valores de força de adesão quando os desinfetantes cavitários são aplicados. A adesão não foi comprometida quando o Glutaraldeído, a Clorohexidina e o EDTA foram aplicados no substrato, sugerindo que podem ser utilizados como desinfetantes cavitários na dentina de dentes temporários, sem compromisso da qualidade e da longevidade da restauração. Conclusão: Os resultados sugerem que o Glutaraldeído, a Clorohexidina e o EDTA não afetam a força de adesão, pelo que podem ser aplicados na dentina de dentes temporários com segurança. A aplicação de Etanol ou de Aloe vera na superfície dentária provocou uma diminuição significativa da força de adesão, sendo aconselhável evitar a sua utilização. No entanto, existe uma lacuna na literatura relativa à utilização de desinfetantes cavitários em dentes temporários, existindo, assim, uma necessidade de realizar estudos in vitro e clínicos para confirmar os dados obtidos. |
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