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Estudo da enxaqueca em idade pediátrica nos cuidados de saúde primários da região Centro de Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução e objetivo: A enxaqueca é uma cefaleia primária que pode surgir em idade pediátrica. Ainda assim, a prevalência desta entidade é efetivamente desconhecida no nosso país. O objetivo deste estudo é caracterizar uma população de crianças e adolescentes com diagnóstico de enxaqueca, no que diz respeito à estimativa da sua prevalência, ao intervalo de tempo até ao diagnóstico e ao tratamento, considerando dados provenientes dos cuidados de saúde primários da região Centro de Portugal.Materiais e Métodos: Estudo observacional e multicêntrico de uma amostra de 117 indivíduos com idade compreendida entre os 0 e os 17 anos e 364 dias, de onze unidades de cuidados de saúde primários da região Centro de Portugal. Todos os indivíduos com o diagnóstico de enxaqueca codificado no sistema informático dessas unidades foram recrutados sequencialmente, à medida que compareciam às consultas. Foram todos entrevistados de acordo com um guião pré-definido, com vista à recolha das variáveis demográficas, clínicas e epidemiológicas que foram estabelecidas no protocolo do estudo. Resultados: Considerando a população de doentes pediátricos inscritos nas Unidades de Saúde que participaram no estudo, a prevalência estimada de enxaqueca pediátrica foi de 0.35%. O intervalo de tempo decorrido entre o início dos sintomas e a concretização do diagnóstico correspondeu a uma mediana de 1.3 anos (intervalo interquartil de 0 a 3 anos). Apenas 22.2% faziam terapêutica farmacológica profilática de crises, maioritariamente prescrita pelo Neurologista Pediátrico, sendo que 69.2% se encontravam adequadamente tratados quanto à classe farmacológica em uso e 53.8% quanto à posologia dos referidos medicamentos. A utilização de terapêutica abortiva de crise verificou-se em 97.2% dos casos, sobretudo prescrita pelo Médico de Família. As classes farmacológicas mais utilizadas foram os analgésicos simples (65.7%) e anti-inflamatórios não esteróides (AINE) (50.0%). Apenas uma minoria reportava o uso de triptanos (2.9%). A automedicação foi reportada em 12.5% dos casos. Apenas 1 indivíduo reportava a utilização de um fármaco não indicado para tratamento de crise da enxaqueca, particularmente em idade pediátrica. Recorriam à terapêutica não farmacológica 66.7% dos doentes.Conclusão: A enxaqueca pediátrica ainda permanece subdiagnosticada e há um atraso importante no diagnóstico destes doentes. Apesar da adequada abordagem terapêutica na crise, a instituição de terapêutica profilática ainda é reduzida. A terapêutica não farmacológica, apesar de simples e inócua, não é feita pela totalidade das crianças e adolescentes. A implementação de programas educacionais que envolvam não só os médicos, como também a população em geral, pode ser uma estratégia importante, para otimização da intervenção clínica sobre a enxaqueca pediátrica. Mais estudos serão necessários para clarificar estas matérias.
Autores principais:Freitas, Elsa Rafaela Lopes
Assunto:Enxaqueca Crianças e Adolescentes Cuidados de saúde primários Diagnóstico Tratamento Migraine Children Primary health care Diagnosis Treatment
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução e objetivo: A enxaqueca é uma cefaleia primária que pode surgir em idade pediátrica. Ainda assim, a prevalência desta entidade é efetivamente desconhecida no nosso país. O objetivo deste estudo é caracterizar uma população de crianças e adolescentes com diagnóstico de enxaqueca, no que diz respeito à estimativa da sua prevalência, ao intervalo de tempo até ao diagnóstico e ao tratamento, considerando dados provenientes dos cuidados de saúde primários da região Centro de Portugal.Materiais e Métodos: Estudo observacional e multicêntrico de uma amostra de 117 indivíduos com idade compreendida entre os 0 e os 17 anos e 364 dias, de onze unidades de cuidados de saúde primários da região Centro de Portugal. Todos os indivíduos com o diagnóstico de enxaqueca codificado no sistema informático dessas unidades foram recrutados sequencialmente, à medida que compareciam às consultas. Foram todos entrevistados de acordo com um guião pré-definido, com vista à recolha das variáveis demográficas, clínicas e epidemiológicas que foram estabelecidas no protocolo do estudo. Resultados: Considerando a população de doentes pediátricos inscritos nas Unidades de Saúde que participaram no estudo, a prevalência estimada de enxaqueca pediátrica foi de 0.35%. O intervalo de tempo decorrido entre o início dos sintomas e a concretização do diagnóstico correspondeu a uma mediana de 1.3 anos (intervalo interquartil de 0 a 3 anos). Apenas 22.2% faziam terapêutica farmacológica profilática de crises, maioritariamente prescrita pelo Neurologista Pediátrico, sendo que 69.2% se encontravam adequadamente tratados quanto à classe farmacológica em uso e 53.8% quanto à posologia dos referidos medicamentos. A utilização de terapêutica abortiva de crise verificou-se em 97.2% dos casos, sobretudo prescrita pelo Médico de Família. As classes farmacológicas mais utilizadas foram os analgésicos simples (65.7%) e anti-inflamatórios não esteróides (AINE) (50.0%). Apenas uma minoria reportava o uso de triptanos (2.9%). A automedicação foi reportada em 12.5% dos casos. Apenas 1 indivíduo reportava a utilização de um fármaco não indicado para tratamento de crise da enxaqueca, particularmente em idade pediátrica. Recorriam à terapêutica não farmacológica 66.7% dos doentes.Conclusão: A enxaqueca pediátrica ainda permanece subdiagnosticada e há um atraso importante no diagnóstico destes doentes. Apesar da adequada abordagem terapêutica na crise, a instituição de terapêutica profilática ainda é reduzida. A terapêutica não farmacológica, apesar de simples e inócua, não é feita pela totalidade das crianças e adolescentes. A implementação de programas educacionais que envolvam não só os médicos, como também a população em geral, pode ser uma estratégia importante, para otimização da intervenção clínica sobre a enxaqueca pediátrica. Mais estudos serão necessários para clarificar estas matérias.