Publicação
Gravidez após Doação de Ovócitos - Da Imunologia às Repercussões Maternofetais
| Resumo: | Objetivos: Este trabalho tem como objetivo analisar quais as diferenças imunológicas que ocorrem numa gravidez após doação de ovócitos em relação à gravidez espontânea e se estas se associam eventualmente a complicações maternofetais específicas.Metodologia: Foi realizada uma pesquisa de artigos científicos nas bases de dados eletrónicas “PubMed” e “Web of Science”, publicados entre os anos de 2010 e 2021, em língua inglesa, utilizando os termos de pesquisa: “Pregnancy” AND “Oocyte donation” AND “Maternal outcomes” OR “Fetal outcomes”. Resultados: Em comparação à gravidez espontânea, a gravidez após doação de ovócitos caracteriza-se por um maior mismatch antigénico maternofetal. Foi demonstrado que existe uma correlação significativa entre o número de human leucocyte antigen mismatches e o número de células T CD4+CD25dim a nível do sangue periférico de grávidas após doação de ovócitos. Ao invés do que ocorre na gravidez espontânea, na gravidez após doação de ovócitos não é o antigénio human leucocyte antigen-C o responsável pela indução de uma resposta linfocítica decidual, mas sim os antigénios human leucocyte antigen-A, -DR e -D. Adicionalmente, foi observado um aumento significativo das citocinas como o interferon-γ, interleucina-4 e tumor necrosis factor-α na gravidez após doação de ovócitos em comparação com a gravidez após fertilização in vitro com ovócito autólogo e gravidez espontânea. Tal traduz uma hiperativação de células T Helper do Tipo 1 e do Tipo 2. No entanto, dado que se verificou também que, no grupo de grávidas após doação de ovócitos, a razão intracelular interferon-γ/interleucina-4 em linfócitos T CD4+ estava significativamente diminuída em comparação com o grupo de grávidas após fertilização in vitro, pode-se afirmar que a balança favorece a atividade de células T Helper do Tipo 2. A maioria dos estudos que documentam complicações maternofetais associadas à gravidez de feto único e à gravidez múltipla reportam que a doação de ovócitos é um fator de risco independente para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Também se verifica uma incidência aumentada de hipertensão gestacional, de parto por cesariana, de parto pré-termo e, ainda, de baixo peso ao nascimento. Em particular para a gravidez múltipla, acresce o risco de rutura prematura de membranas. Relativamente às complicações a longo prazo da gravidez após doação de ovócitos, quer para a mãe quer para a criança, poucas são as informações disponíveis na literatura. Conclusões: A gravidez após doação de ovócitos caracteriza-se, de facto, por uma imunorregulação diferente da gravidez espontânea, apesar de ainda não totalmente conhecida. A relação mais bem estudada estabelece-se entre a doação de ovócitos e o desenvolvimento de pré-eclâmpsia, mas outras complicações maternofetais têm incidência aumentada nestas grávidas. Neste sentido, torna-se imperativo um acompanhamento obstétrico direcionado para as complicações específicas associadas à gravidez após doação de ovócitos. |
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| Autores principais: | Cancela, Joana Raquel dos Santos |
| Assunto: | Gravidez Doação de Ovócitos Complicações Maternas Complicações Fetais Pregnancy Oocyte Donation Maternal Outcomes Fetal Outcomes |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Objetivos: Este trabalho tem como objetivo analisar quais as diferenças imunológicas que ocorrem numa gravidez após doação de ovócitos em relação à gravidez espontânea e se estas se associam eventualmente a complicações maternofetais específicas.Metodologia: Foi realizada uma pesquisa de artigos científicos nas bases de dados eletrónicas “PubMed” e “Web of Science”, publicados entre os anos de 2010 e 2021, em língua inglesa, utilizando os termos de pesquisa: “Pregnancy” AND “Oocyte donation” AND “Maternal outcomes” OR “Fetal outcomes”. Resultados: Em comparação à gravidez espontânea, a gravidez após doação de ovócitos caracteriza-se por um maior mismatch antigénico maternofetal. Foi demonstrado que existe uma correlação significativa entre o número de human leucocyte antigen mismatches e o número de células T CD4+CD25dim a nível do sangue periférico de grávidas após doação de ovócitos. Ao invés do que ocorre na gravidez espontânea, na gravidez após doação de ovócitos não é o antigénio human leucocyte antigen-C o responsável pela indução de uma resposta linfocítica decidual, mas sim os antigénios human leucocyte antigen-A, -DR e -D. Adicionalmente, foi observado um aumento significativo das citocinas como o interferon-γ, interleucina-4 e tumor necrosis factor-α na gravidez após doação de ovócitos em comparação com a gravidez após fertilização in vitro com ovócito autólogo e gravidez espontânea. Tal traduz uma hiperativação de células T Helper do Tipo 1 e do Tipo 2. No entanto, dado que se verificou também que, no grupo de grávidas após doação de ovócitos, a razão intracelular interferon-γ/interleucina-4 em linfócitos T CD4+ estava significativamente diminuída em comparação com o grupo de grávidas após fertilização in vitro, pode-se afirmar que a balança favorece a atividade de células T Helper do Tipo 2. A maioria dos estudos que documentam complicações maternofetais associadas à gravidez de feto único e à gravidez múltipla reportam que a doação de ovócitos é um fator de risco independente para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Também se verifica uma incidência aumentada de hipertensão gestacional, de parto por cesariana, de parto pré-termo e, ainda, de baixo peso ao nascimento. Em particular para a gravidez múltipla, acresce o risco de rutura prematura de membranas. Relativamente às complicações a longo prazo da gravidez após doação de ovócitos, quer para a mãe quer para a criança, poucas são as informações disponíveis na literatura. Conclusões: A gravidez após doação de ovócitos caracteriza-se, de facto, por uma imunorregulação diferente da gravidez espontânea, apesar de ainda não totalmente conhecida. A relação mais bem estudada estabelece-se entre a doação de ovócitos e o desenvolvimento de pré-eclâmpsia, mas outras complicações maternofetais têm incidência aumentada nestas grávidas. Neste sentido, torna-se imperativo um acompanhamento obstétrico direcionado para as complicações específicas associadas à gravidez após doação de ovócitos. |
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