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Maturação biológica em praticantes desportivos nos anos peri-pubertários : estudo multimétodo e concorrente entre indicadores e protocolos

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Resumo:Este trabalho encontra-se estruturado em estudos parcelares interligados entre si com um denominador comum, os indicadores maturacionais em jovens peri-pubertários. O objectivo desta pesquisa é estabelecer a relação entre os indicadores de maturação biológica e encontrar a concordância entre classificações de estatuto maturacional em idades peri-pubertários no sexo masculino. O primeiro estudo compreende uma amostra de 418 peri-pubertários (11-15 anos de idade) do sexo masculino, resultante do conjunto de estudos realizados na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, tendo sido sujeitos a uma avaliação da componente auxológica e maturacional com recurso a metodologias e técnicas amplamente reconhecidas e aceites nas ciências pediátricas. Determinou-se a estatística descritiva, nomeadamente, parâmetros de tendência central (média) e de dispersão (desvio padrão e amplitude) para todas as variáveis, por subgrupo etário para as idades cronológica e óssea (Método de Fels) e para o estatuto maturacional sexual. Estabeleceu-se as frequências absolutas e cruzadas das classificações do estatuto maturacional sexual entre a idade cronológica e idade óssea por grupo etário. Calculou-se as correlações de Pearson para os indicadores com excepção da pilosidade púbica. Procedeu-se à análise de componentes principais para seis indicadores com rotação varimax, extraíndo-se factores com eigenvalues superiores a 1.00. O segundo estudo compreendeu 76 jovens em idades peripubertárias (11-15 anos de idade) do sexo masculino. Replicou-se a totalidade das avaliações do Estudo 1, exceptuando a pilosidade púbica e acrescentando um outro indicador maturacional, a idade dentária. Determinou-se a estatística descritiva, nomeadamente, parâmetros de tendência central (média) e de dispersão (desvio padrão e amplitude). Os sujeitos foram classificados por estatuto maturacional (atrasado, normomaturo, avançado e maturo) nos indicadores: idade óssea (protocolos Fels e TW3), idade dentária, idade no pico de velocidade de crescimento em estatura, percentagem da estatura matura predita (protocolos K&G e K&R). Calculou-se o Score Z para cada indicador. Apresentaram-se as frequências cruzadas das classificações do estatuto maturacional para todos os indicadores maturacionais: idade cronológica, idade óssea (Fels e TW3), idade dentária, idade do PVC, percentagem da estatura matura predita (K&G e K&R) (foram retirados os sujeitos avaliados como maturos nas idades óssea e dentária). Também foram calculados os coeficientes de Kappa de Cohen para avaliar a concordância entre pares de indicadores maturacionais e as correlações de Spearman. Procedeu-se à análise de componentes principais para os Scores Z dos indicadores maturacionais com rotação varimax, extraíram-se factores com eigenvalues superiores a 1.00. O terceiro estudo recorre a parte da amostra do Estudo 1 (n=264), e pretendeu testar a concordância entre as metodologias Fels e TW3. Complementarmente, foi testada a associação discreta entre as categorias decorrentes da classificação atrasado, normomaturo e avançado a partir de cada uma das metodologias. Efectuou-se estatísticas descritivas (frequência, médias e desvios-padrão) para a idade cronológica e idade óssea de ambos os métodos, os sujeitos foram classificados de acordo com a metodologia proposta.Também se efectuou a estatística descritiva por estadio de maturação sexual dada pela pilosidade púbica (PP1‐PP5) nas variáveis: idade cronológica e idade óssea. Estabeleceu-se as frequências absolutas e cruzadas das classificações do estatuto maturacional entre pares específicos de indicadores de maturidade. Calculou-se os coeficientes de correlação Pearson entre variáveis: idade óssea, idade óssea- idade cronológica e rácio idade óssea, por idade cronológica de cada protocolo Fels e TW3. Também foram calculados os coeficientes de Kappa de Cohen para avaliar a concordância entre pares de indicadores maturacionais, exceptuando a pilosidade púbica. Calculou-se as correlações de Spearman entre as classificações e a pilosidade púbica. A análise estatística dos três estudos foi levada a cabo com a versão 17.0 do Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Para os testes de inferência estatística o nível de significância foi estabelecido em 5%. Os estudos permitiram obter um quadro de conclusões: 1) Determinou-se a relação existente entre os indicadores de maturação biológica em idades peri-pubertárias para o sexo masculino. Comprovou-se uma variação considerável dos indicadores de maturação sexual, somática e esquelética para este estrato etário; 2) A metodologia de avaliação da idade dentária é válida enquanto indicador maturacional, contudo, a sua utilização deve ser acompanhada por outros indicadores maturacionais. Pois, os resultados apontam para uma independência de mecanismos biológicos ou desajuste das escalas do método Demirjian. 3) A implementação de sistemas de verificação da idade cronológica a partir da determinação da idade óssea podem incorrer na eliminação errónea de uma porção substancial de elementos maturacionalmente adiantados. Por outro lado, a determinação da idade óssea é extraordinariamente exigente no que se refere ao treino de observadores e os resultados variam de acordo com protocolo adoptado (Fels x TW3); 4) O estudo comprovou a comunalidade do sistema biológico na génese dos indicadores esquelético e somático ao identificar a associação entre estes. A maturação somática dada pela percentagem da estatura matura estimada parece ser um indicador a considerar na avaliação de idades pré, peri e pós pubertários face a outros indicadores mais invasivos.
Autores principais:Ribeiro, Luís Pedro Vieira
Assunto:Maturação biológica Crescimento
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Este trabalho encontra-se estruturado em estudos parcelares interligados entre si com um denominador comum, os indicadores maturacionais em jovens peri-pubertários. O objectivo desta pesquisa é estabelecer a relação entre os indicadores de maturação biológica e encontrar a concordância entre classificações de estatuto maturacional em idades peri-pubertários no sexo masculino. O primeiro estudo compreende uma amostra de 418 peri-pubertários (11-15 anos de idade) do sexo masculino, resultante do conjunto de estudos realizados na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, tendo sido sujeitos a uma avaliação da componente auxológica e maturacional com recurso a metodologias e técnicas amplamente reconhecidas e aceites nas ciências pediátricas. Determinou-se a estatística descritiva, nomeadamente, parâmetros de tendência central (média) e de dispersão (desvio padrão e amplitude) para todas as variáveis, por subgrupo etário para as idades cronológica e óssea (Método de Fels) e para o estatuto maturacional sexual. Estabeleceu-se as frequências absolutas e cruzadas das classificações do estatuto maturacional sexual entre a idade cronológica e idade óssea por grupo etário. Calculou-se as correlações de Pearson para os indicadores com excepção da pilosidade púbica. Procedeu-se à análise de componentes principais para seis indicadores com rotação varimax, extraíndo-se factores com eigenvalues superiores a 1.00. O segundo estudo compreendeu 76 jovens em idades peripubertárias (11-15 anos de idade) do sexo masculino. Replicou-se a totalidade das avaliações do Estudo 1, exceptuando a pilosidade púbica e acrescentando um outro indicador maturacional, a idade dentária. Determinou-se a estatística descritiva, nomeadamente, parâmetros de tendência central (média) e de dispersão (desvio padrão e amplitude). Os sujeitos foram classificados por estatuto maturacional (atrasado, normomaturo, avançado e maturo) nos indicadores: idade óssea (protocolos Fels e TW3), idade dentária, idade no pico de velocidade de crescimento em estatura, percentagem da estatura matura predita (protocolos K&G e K&R). Calculou-se o Score Z para cada indicador. Apresentaram-se as frequências cruzadas das classificações do estatuto maturacional para todos os indicadores maturacionais: idade cronológica, idade óssea (Fels e TW3), idade dentária, idade do PVC, percentagem da estatura matura predita (K&G e K&R) (foram retirados os sujeitos avaliados como maturos nas idades óssea e dentária). Também foram calculados os coeficientes de Kappa de Cohen para avaliar a concordância entre pares de indicadores maturacionais e as correlações de Spearman. Procedeu-se à análise de componentes principais para os Scores Z dos indicadores maturacionais com rotação varimax, extraíram-se factores com eigenvalues superiores a 1.00. O terceiro estudo recorre a parte da amostra do Estudo 1 (n=264), e pretendeu testar a concordância entre as metodologias Fels e TW3. Complementarmente, foi testada a associação discreta entre as categorias decorrentes da classificação atrasado, normomaturo e avançado a partir de cada uma das metodologias. Efectuou-se estatísticas descritivas (frequência, médias e desvios-padrão) para a idade cronológica e idade óssea de ambos os métodos, os sujeitos foram classificados de acordo com a metodologia proposta.Também se efectuou a estatística descritiva por estadio de maturação sexual dada pela pilosidade púbica (PP1‐PP5) nas variáveis: idade cronológica e idade óssea. Estabeleceu-se as frequências absolutas e cruzadas das classificações do estatuto maturacional entre pares específicos de indicadores de maturidade. Calculou-se os coeficientes de correlação Pearson entre variáveis: idade óssea, idade óssea- idade cronológica e rácio idade óssea, por idade cronológica de cada protocolo Fels e TW3. Também foram calculados os coeficientes de Kappa de Cohen para avaliar a concordância entre pares de indicadores maturacionais, exceptuando a pilosidade púbica. Calculou-se as correlações de Spearman entre as classificações e a pilosidade púbica. A análise estatística dos três estudos foi levada a cabo com a versão 17.0 do Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Para os testes de inferência estatística o nível de significância foi estabelecido em 5%. Os estudos permitiram obter um quadro de conclusões: 1) Determinou-se a relação existente entre os indicadores de maturação biológica em idades peri-pubertárias para o sexo masculino. Comprovou-se uma variação considerável dos indicadores de maturação sexual, somática e esquelética para este estrato etário; 2) A metodologia de avaliação da idade dentária é válida enquanto indicador maturacional, contudo, a sua utilização deve ser acompanhada por outros indicadores maturacionais. Pois, os resultados apontam para uma independência de mecanismos biológicos ou desajuste das escalas do método Demirjian. 3) A implementação de sistemas de verificação da idade cronológica a partir da determinação da idade óssea podem incorrer na eliminação errónea de uma porção substancial de elementos maturacionalmente adiantados. Por outro lado, a determinação da idade óssea é extraordinariamente exigente no que se refere ao treino de observadores e os resultados variam de acordo com protocolo adoptado (Fels x TW3); 4) O estudo comprovou a comunalidade do sistema biológico na génese dos indicadores esquelético e somático ao identificar a associação entre estes. A maturação somática dada pela percentagem da estatura matura estimada parece ser um indicador a considerar na avaliação de idades pré, peri e pós pubertários face a outros indicadores mais invasivos.