Publicação
Forma não-clássica da hiperplasia congénita supra-renal
| Resumo: | Introdução: A hiperplasia congénita da supra-renal na sua forma não clássica (HCSRNC) é uma doença autossómica recessiva comum, devida à deficiência da enzima 21-hidroxilase. É causada por mutações no gene CYP21A2 e cursa com um aumento da 17-hidroxiprogesterona. Esta hormona em excesso, vai ser então convertida em androgénios que por sua vez são responsáveis pela expressão clínica da doença. Objetivos: Revisão da literatura científica atualmente disponível sobre a forma não-clássica da hiperplasia congénita da supra-renal abordando a epidemiologia, fisiopatologia, clínica, diagnóstico laboratorial e genético, diagnósticos diferenciais, tratamento, aconselhamento genético e psicobiologia. Métodos: Para este artigo de revisão, o método utilizado foi a revisão sistemática da literatura médica internacional sobre o tema, pesquisada na base de dados PubMed. Desenvolvimento: A forma não-clássica da hiperplasia congénita da supra-renal carateriza-se por uma alteração na síntese do colesterol por um defeito relativo na enzima 21-hidroxilase. Isto vai levar a uma acumulação dos precursores do mesmo, que vão provocar as alterações presentes. Esta doença tem uma maior prevalência em determinadas etnias, nomeadamente nos judeus Ashkenazi. A sua manifestação em crianças é essencialmente através da presença de pubarca e/ou adrenarca precoces, crescimento acelerado e idade óssea avançada ou até acne quístico. Nas mulheres em idade fértil, o acne também pode estar presente, bem como o hirsutismo, irregularidades menstruais, ciclos anovulatórios ou mesmo Artigo de Revisão Forma Não-Clássica da Hiperplasia Congénita da Supra-Renal infertilidade. Nos homens, a doença é de mais difícil deteção pois os sinais de hiperandrogenismo passam facilmente despercebidos, em especial se o defeito enzimático não for muito grave. Estes podem ter oligospermia com infertilidade ou tumores testiculares adrenais. O diagnóstico é feito laboratorialmente, através do teste de estimulação com ACTH sintética quando o valor da 17-hidroxiprogesterona é superior a 10 ng/dl. Este teste deve ser realizado preferencialmente de manhã e na fase folicular inicial do ciclo menstrual. O gene envolvido nesta patologia é o CYP21A2. Os indivíduos doentes são geralmente heterozigotos compostos, apresentando uma mutação grave num alelo e uma mutação leve no outro. A manifestação relaciona-se com a mutação menos grave que se associa a cerca de 20-50% de atividade enzimática residual. O diagnóstico diferencial deve ser feito com a síndrome do ovário poliquístico, o hirsutismo idiopático, o hiperandrogenismo idiopático e, nas crianças, também com a pubarca e/ou adrenarca precoces sem defeito da 21-OH. O tratamento mais adequado que se recomenda atualmente é a hidrocortisona para as crianças, em doses de 10-15 mg/m2/dia, e a dexametasona ou prednisona para os adultos e adolescentes mais velhos em quem já tenha ocorrido o encerramento da epífises ósseas, nas doses de 0,25-0,75 mg e de 5-7,5 mg, respetivamente, ao deitar. É importante que se faça uma boa monitorização com exame físico anual e doseamento das hormonas alteradas pois o sobre-tratamento pode ter como consequência uma síndrome de Cushing iatrogénica e o sub-tratamento pode levar a um mau controlo dos sintomas de hiperandrogenismo. No caso de uma mulher com a doença engravidar, as recomendações são controversas, devendo ser estudado caso a caso para a decisão da necessidade da terapêutica. Como há uma grande prevalência de heterozigotos para a mutação CYP21A2, é importante que os parceiros de grávidas com hiperplasia congénita da supra-renal não-clássica sejam submetidos a genotipagem, uma vez que assim há possibilidade de prever e prevenir o nascimento de uma criança com a forma clássica da doença. Esta patologia não implica geralmente risco de vida mas pode ter um forte impato Artigo de Revisão Forma Não-Clássica da Hiperplasia Congénita da Supra-Renal negativo psicossocial nas doentes. É tão importante a avaliação da qualidade de vida pós-tratamento como os efeitos da terapêutica da clínica em si. Conclusão: Vários estudos têm sido realizados no sentido de aprofundar o conhecimento sobre esta doença da qual ainda se sabe pouco. O seu difícil diagnóstico diferencial, bem como a terapêutica mais adequada a utilizar nestes casos, são os aspetos mais controversos. No entanto, têm sido feitos alguns avanços importantes que permitem que atualmente se diagnostiquem e tratem os doentes afetados com grande eficácia. |
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| Autores principais: | Marques, Mafalda de Castro |
| Assunto: | Hiperplasia congénita das glândulas supra-renais Endocrinologia |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: A hiperplasia congénita da supra-renal na sua forma não clássica (HCSRNC) é uma doença autossómica recessiva comum, devida à deficiência da enzima 21-hidroxilase. É causada por mutações no gene CYP21A2 e cursa com um aumento da 17-hidroxiprogesterona. Esta hormona em excesso, vai ser então convertida em androgénios que por sua vez são responsáveis pela expressão clínica da doença. Objetivos: Revisão da literatura científica atualmente disponível sobre a forma não-clássica da hiperplasia congénita da supra-renal abordando a epidemiologia, fisiopatologia, clínica, diagnóstico laboratorial e genético, diagnósticos diferenciais, tratamento, aconselhamento genético e psicobiologia. Métodos: Para este artigo de revisão, o método utilizado foi a revisão sistemática da literatura médica internacional sobre o tema, pesquisada na base de dados PubMed. Desenvolvimento: A forma não-clássica da hiperplasia congénita da supra-renal carateriza-se por uma alteração na síntese do colesterol por um defeito relativo na enzima 21-hidroxilase. Isto vai levar a uma acumulação dos precursores do mesmo, que vão provocar as alterações presentes. Esta doença tem uma maior prevalência em determinadas etnias, nomeadamente nos judeus Ashkenazi. A sua manifestação em crianças é essencialmente através da presença de pubarca e/ou adrenarca precoces, crescimento acelerado e idade óssea avançada ou até acne quístico. Nas mulheres em idade fértil, o acne também pode estar presente, bem como o hirsutismo, irregularidades menstruais, ciclos anovulatórios ou mesmo Artigo de Revisão Forma Não-Clássica da Hiperplasia Congénita da Supra-Renal infertilidade. Nos homens, a doença é de mais difícil deteção pois os sinais de hiperandrogenismo passam facilmente despercebidos, em especial se o defeito enzimático não for muito grave. Estes podem ter oligospermia com infertilidade ou tumores testiculares adrenais. O diagnóstico é feito laboratorialmente, através do teste de estimulação com ACTH sintética quando o valor da 17-hidroxiprogesterona é superior a 10 ng/dl. Este teste deve ser realizado preferencialmente de manhã e na fase folicular inicial do ciclo menstrual. O gene envolvido nesta patologia é o CYP21A2. Os indivíduos doentes são geralmente heterozigotos compostos, apresentando uma mutação grave num alelo e uma mutação leve no outro. A manifestação relaciona-se com a mutação menos grave que se associa a cerca de 20-50% de atividade enzimática residual. O diagnóstico diferencial deve ser feito com a síndrome do ovário poliquístico, o hirsutismo idiopático, o hiperandrogenismo idiopático e, nas crianças, também com a pubarca e/ou adrenarca precoces sem defeito da 21-OH. O tratamento mais adequado que se recomenda atualmente é a hidrocortisona para as crianças, em doses de 10-15 mg/m2/dia, e a dexametasona ou prednisona para os adultos e adolescentes mais velhos em quem já tenha ocorrido o encerramento da epífises ósseas, nas doses de 0,25-0,75 mg e de 5-7,5 mg, respetivamente, ao deitar. É importante que se faça uma boa monitorização com exame físico anual e doseamento das hormonas alteradas pois o sobre-tratamento pode ter como consequência uma síndrome de Cushing iatrogénica e o sub-tratamento pode levar a um mau controlo dos sintomas de hiperandrogenismo. No caso de uma mulher com a doença engravidar, as recomendações são controversas, devendo ser estudado caso a caso para a decisão da necessidade da terapêutica. Como há uma grande prevalência de heterozigotos para a mutação CYP21A2, é importante que os parceiros de grávidas com hiperplasia congénita da supra-renal não-clássica sejam submetidos a genotipagem, uma vez que assim há possibilidade de prever e prevenir o nascimento de uma criança com a forma clássica da doença. Esta patologia não implica geralmente risco de vida mas pode ter um forte impato Artigo de Revisão Forma Não-Clássica da Hiperplasia Congénita da Supra-Renal negativo psicossocial nas doentes. É tão importante a avaliação da qualidade de vida pós-tratamento como os efeitos da terapêutica da clínica em si. Conclusão: Vários estudos têm sido realizados no sentido de aprofundar o conhecimento sobre esta doença da qual ainda se sabe pouco. O seu difícil diagnóstico diferencial, bem como a terapêutica mais adequada a utilizar nestes casos, são os aspetos mais controversos. No entanto, têm sido feitos alguns avanços importantes que permitem que atualmente se diagnostiquem e tratem os doentes afetados com grande eficácia. |
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