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Os media e a política externa dos EUA : o caso da intervenção na Líbia em 2011

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos anos 1990 a Teoria Construtivista introduziu o poder das normas e da identidade no debate das Relações Internacionais. Afastando-se das teorias tradicionais das RI, o seu contributo pós-positivista trouxe para o estudo da Política Externa o poder da identidade e do discurso normativo do Estado na prossecução dos seus objetivos. No estudo dos media, a teoria Agenda-setting de Maxwell McCombs e Donald Shaw reconhecia a capacidade dos meios de comunicação de influenciar o que pensa e como pensa a opinião pública. O conceito de framing associado à teoria Agenda-setting defendia ainda que todas as notícias estão inseridas numa determinada realidade social que influencia a construção do discurso. As duas teorias colocaram a tónica no discurso como produtor de significados sociais, e assumem uma relação co constitutiva entre os media e a Política Externa, princípios que constituem os alicerces teóricos deste estudo. De forma a compreender o papel do discurso dos media no âmbito de um debate em Política Externa foi revisitado o caso da intervenção na Líbia em 2011, no contexto da Revolução Árabe, que representou um grande desafio para a Política Externa dos EUA e pôs a Administração norte-americana sob um enorme escrutínio público. O debate público sobre o tema permitiu que os meios de comunicação ocupassem um papel mais ativo desse debate e a observação do seu discurso tornou-se relevante. Com a aplicação dos princípios e ferramentas da Análise de Discurso, a análise dos editoriais publicados nas semanas anteriores e seguinte à intervenção militar na Líbia permitiu identificar o domínio de uma narrativa moral que apelava à identidade norte-americana enquanto líderes do mundo. Esta imagem histórica construída pelos EUA enquanto guardiões da democracia e da liberdade no mundo refletiu-se no discurso da imprensa que, por sua vez, contribuiu para a manutenção desse status quo.
Autores principais:Santos, Mariana Mesquita e.
Assunto:Política externa Media Discurso Agenda-setting Intervenção EUA Líbia
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Nos anos 1990 a Teoria Construtivista introduziu o poder das normas e da identidade no debate das Relações Internacionais. Afastando-se das teorias tradicionais das RI, o seu contributo pós-positivista trouxe para o estudo da Política Externa o poder da identidade e do discurso normativo do Estado na prossecução dos seus objetivos. No estudo dos media, a teoria Agenda-setting de Maxwell McCombs e Donald Shaw reconhecia a capacidade dos meios de comunicação de influenciar o que pensa e como pensa a opinião pública. O conceito de framing associado à teoria Agenda-setting defendia ainda que todas as notícias estão inseridas numa determinada realidade social que influencia a construção do discurso. As duas teorias colocaram a tónica no discurso como produtor de significados sociais, e assumem uma relação co constitutiva entre os media e a Política Externa, princípios que constituem os alicerces teóricos deste estudo. De forma a compreender o papel do discurso dos media no âmbito de um debate em Política Externa foi revisitado o caso da intervenção na Líbia em 2011, no contexto da Revolução Árabe, que representou um grande desafio para a Política Externa dos EUA e pôs a Administração norte-americana sob um enorme escrutínio público. O debate público sobre o tema permitiu que os meios de comunicação ocupassem um papel mais ativo desse debate e a observação do seu discurso tornou-se relevante. Com a aplicação dos princípios e ferramentas da Análise de Discurso, a análise dos editoriais publicados nas semanas anteriores e seguinte à intervenção militar na Líbia permitiu identificar o domínio de uma narrativa moral que apelava à identidade norte-americana enquanto líderes do mundo. Esta imagem histórica construída pelos EUA enquanto guardiões da democracia e da liberdade no mundo refletiu-se no discurso da imprensa que, por sua vez, contribuiu para a manutenção desse status quo.