Publicação
Alergia a Peixe
| Resumo: | Este artigo de revisão bibliográfica pretende revisitar os conhecimentos sobre a alergia ao peixe à luz das novas evidências científicas, discutir a problemática do diagnóstico diferencial e o seu impacto na tomada de decisão e inferir o rumo da ciência no que toca a novas formas de diagnóstico e tratamento de modo a oferecer aos doentes uma resposta que se coadune às dificuldades diárias de uma doença com tanto impacto no seu dia-a-dia.O aumento global do consumo de peixe, relacionado com a promoção de estilos de vida saudáveis e da expansão da cozinha internacional, levou ao aumento das reações alérgicas reportadas pelos consumidores. Estima-se que a alergia a peixe afete 0,1 a 0,4% da população colocando-o na lista dos 8 alimentos mais alergénicos.As parvalbuminas são proteínas responsáveis pela grande maioria das reações específicas mediadas por IgE. A polisensibilização a várias espécies habitualmente relacionada com reatividade cruzada ou o conteúdo total de parvalbuminas no tecido muscular do peixe são fatores a considerar no enquadramento desta patologia. Não obstante, outras proteínas poderão estar envolvidas como a vitelogenina, enolases e aldolases.A principal via de sensibilização é a ingestão, no entanto a via respiratória ou o contato por manuseamento direto devem também ser equacionadas, promovendo um leque muito vasto de manifestações clínicas que variam desde rinite, angioedema, dor abdominal, urticária e até mesmo anafilaxia.Dada a multiplicidade dos sinais e sintomas impõe-se o diagnóstico diferencial com um vasto leque de entidades clínicas. O Anisakis é um parasita que infecta os humanos através do consumo de peixe cru ou de cefalópodes que o contenham no seu terceiro estado larvar causando uma reação imune à tropomiosina, paramiosina ou inibidores da protéase e provocando sintomas sobreponíveis aos verificados na alergia a peixe. Por outro lado, mecanismos não imunológicos podem causar reações a bactérias, vírus, toxinas marinhas ou aminas biogénicas como é o caso da intoxicação escombróide contribuindo para a heterogeneidade de patologias potencialmente equacionáveis como causadoras do quadro clínico.O diagnóstico é essencialmente clínico podendo ainda recorrer-se a testes cutâneos (prick e prick-prick com peixe crú e cozinhado), a quantificação de IgE especifica por ImmunoCAP ou técnicas de immunoblotting ou ao gold standard que será o teste de provocação controlado por placebo.A imunoterapia poderá ser promissora no futuro relegando atualmente para primeiro plano terapêutico a evicção das espécies de peixes alergizantes, do risco de contaminação cruzada e o tratamento das reações agudas pós-exposição. |
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| Autores principais: | Costa, Cátia Inês Teixeira da Silva |
| Assunto: | alergia a peixe parvalbumina tropomiosina enolase anisakis fish allergy parvalbumin tropomyosin enolase anisakis |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Este artigo de revisão bibliográfica pretende revisitar os conhecimentos sobre a alergia ao peixe à luz das novas evidências científicas, discutir a problemática do diagnóstico diferencial e o seu impacto na tomada de decisão e inferir o rumo da ciência no que toca a novas formas de diagnóstico e tratamento de modo a oferecer aos doentes uma resposta que se coadune às dificuldades diárias de uma doença com tanto impacto no seu dia-a-dia.O aumento global do consumo de peixe, relacionado com a promoção de estilos de vida saudáveis e da expansão da cozinha internacional, levou ao aumento das reações alérgicas reportadas pelos consumidores. Estima-se que a alergia a peixe afete 0,1 a 0,4% da população colocando-o na lista dos 8 alimentos mais alergénicos.As parvalbuminas são proteínas responsáveis pela grande maioria das reações específicas mediadas por IgE. A polisensibilização a várias espécies habitualmente relacionada com reatividade cruzada ou o conteúdo total de parvalbuminas no tecido muscular do peixe são fatores a considerar no enquadramento desta patologia. Não obstante, outras proteínas poderão estar envolvidas como a vitelogenina, enolases e aldolases.A principal via de sensibilização é a ingestão, no entanto a via respiratória ou o contato por manuseamento direto devem também ser equacionadas, promovendo um leque muito vasto de manifestações clínicas que variam desde rinite, angioedema, dor abdominal, urticária e até mesmo anafilaxia.Dada a multiplicidade dos sinais e sintomas impõe-se o diagnóstico diferencial com um vasto leque de entidades clínicas. O Anisakis é um parasita que infecta os humanos através do consumo de peixe cru ou de cefalópodes que o contenham no seu terceiro estado larvar causando uma reação imune à tropomiosina, paramiosina ou inibidores da protéase e provocando sintomas sobreponíveis aos verificados na alergia a peixe. Por outro lado, mecanismos não imunológicos podem causar reações a bactérias, vírus, toxinas marinhas ou aminas biogénicas como é o caso da intoxicação escombróide contribuindo para a heterogeneidade de patologias potencialmente equacionáveis como causadoras do quadro clínico.O diagnóstico é essencialmente clínico podendo ainda recorrer-se a testes cutâneos (prick e prick-prick com peixe crú e cozinhado), a quantificação de IgE especifica por ImmunoCAP ou técnicas de immunoblotting ou ao gold standard que será o teste de provocação controlado por placebo.A imunoterapia poderá ser promissora no futuro relegando atualmente para primeiro plano terapêutico a evicção das espécies de peixes alergizantes, do risco de contaminação cruzada e o tratamento das reações agudas pós-exposição. |
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