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Anafilaxia induzida pelo exercício

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Resumo:A anafilaxia é uma reação alérgica, crítica e aguda de hipersensibilidade potencialmente letal que envolve diversos órgãos e sistemas, particularmente a pele, trato respiratório e gastrointestinal e sistema cardíaco. Existem inúmeros agentes etiológicos reconhecidos que poderão originar esta condição (fármacos, alimentos, picadas de insetos, entre outros), no entanto só mais recentemente o exercício físico foi identificado como fator potenciador, tendo por isso sido designada como anafilaxia induzida pelo exercício (AIE). A AIE é uma entidade clínica pouco frequente na qual a sintomatologia clínica grave ocorre após realização de atividade física que poderá variar de intensidade ligeira a vigorosa. O estabelecimento desta patologia muitas vezes necessita da exposição a determinados fatores desencadeantes nomeadamente: ingestão de alimentos e/ou fármacos antes da atividade física, inalação maciça de poléns em polínicos, picada de himenópetros, bem como condições extremas de temperatura e humidade, stress ou, até mesmo, variações hormonais. Tendo em conta os fatores mencionados anteriormente, podem ser definidos vários fenótipos de AIEs sendo que o mais reconhecido é a anafilaxia induzida pelo exercício dependente de alimentos (AIEDA). A sintomatologia mais comum está associada a prurido, urticária, flushing, tosse, sibilância ou outros sintomas respiratórios, bem como o envolvimento gastrointestinal (náuseas, cólicas abdominais e diarreia). Os sintomas poderão progredir, caso a atividade física se mantenha, para angioedema, edema laríngeo, hipotensão e colapso cardiovascular. O tratamento consiste na estabilização imediata da reação anafilática com adrenalina, posteriormente, um tratamento preventivo a longo prazo que envolve maioritariamente antihistamínicos e, se possível, imunoterapia específica, a única terapêutica que modifica a história natural da doença. Como tal, os indivíduos diagnosticados com esta patologia, devem fazer-se acompanhar de um autoinjector de adrenalina para administração em casos de emergência assim como adotar medidas que previnam novos eventos. São inúmeras as situações em que os agentes prestadores de cuidados de saúde subdiagnosticam esta patologia. Desta forma, pelo seu carácter agressivo e inesperado, a comunidade científica deverá ter consciência da sua existência e providenciar estratégias eficazes de gestão.
Autores principais:Pinho, Sérgio Miguel Amaral
Outros Autores:Pinho, Sérgio Miguel Amaral
Assunto:Anafilaxia Exercício físico
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:A anafilaxia é uma reação alérgica, crítica e aguda de hipersensibilidade potencialmente letal que envolve diversos órgãos e sistemas, particularmente a pele, trato respiratório e gastrointestinal e sistema cardíaco. Existem inúmeros agentes etiológicos reconhecidos que poderão originar esta condição (fármacos, alimentos, picadas de insetos, entre outros), no entanto só mais recentemente o exercício físico foi identificado como fator potenciador, tendo por isso sido designada como anafilaxia induzida pelo exercício (AIE). A AIE é uma entidade clínica pouco frequente na qual a sintomatologia clínica grave ocorre após realização de atividade física que poderá variar de intensidade ligeira a vigorosa. O estabelecimento desta patologia muitas vezes necessita da exposição a determinados fatores desencadeantes nomeadamente: ingestão de alimentos e/ou fármacos antes da atividade física, inalação maciça de poléns em polínicos, picada de himenópetros, bem como condições extremas de temperatura e humidade, stress ou, até mesmo, variações hormonais. Tendo em conta os fatores mencionados anteriormente, podem ser definidos vários fenótipos de AIEs sendo que o mais reconhecido é a anafilaxia induzida pelo exercício dependente de alimentos (AIEDA). A sintomatologia mais comum está associada a prurido, urticária, flushing, tosse, sibilância ou outros sintomas respiratórios, bem como o envolvimento gastrointestinal (náuseas, cólicas abdominais e diarreia). Os sintomas poderão progredir, caso a atividade física se mantenha, para angioedema, edema laríngeo, hipotensão e colapso cardiovascular. O tratamento consiste na estabilização imediata da reação anafilática com adrenalina, posteriormente, um tratamento preventivo a longo prazo que envolve maioritariamente antihistamínicos e, se possível, imunoterapia específica, a única terapêutica que modifica a história natural da doença. Como tal, os indivíduos diagnosticados com esta patologia, devem fazer-se acompanhar de um autoinjector de adrenalina para administração em casos de emergência assim como adotar medidas que previnam novos eventos. São inúmeras as situações em que os agentes prestadores de cuidados de saúde subdiagnosticam esta patologia. Desta forma, pelo seu carácter agressivo e inesperado, a comunidade científica deverá ter consciência da sua existência e providenciar estratégias eficazes de gestão.