Publicação
A comunidade ibero-americana de nações : o protagonismo da Espanha
| Resumo: | Esta dissertação procura problematizar o lugar da criação da Comunidade Iberoamericana de Nações, no contexto das relações que se estabelecem entre a Espanha e a América Latina, de 1976 a 2005. No entanto, é necessário recuar ao século XIX, para encontrar as origens deste projecto e perceber onde radica a querela em torno de qual o melhor termo para definir estas relações e aquele que se deveria utilizar para denominar a própria região, objecto dos interesses hegemónicos espanhóis. A política ibero-americana constitui então a versão solidária e pluralista da política espanhola para a América Latina, que se começa a definir, no período da democracia, sendo o seu arranque da responsabilidade dos governos centristas (1976- 1982). No entanto, ela conhece um grande desenvolvimento quando socialistas (1982- 1996) chegam ao poder. Na verdade, durante os anos de 1980, estes estimulam a realização dos Encontros na Democracia com o objectivo de debater a importância de se levar a cabo esta Comunidade e iniciam um processo de diálogo que permitirá pôr em marcha, na década seguinte, o projecto das Cimeiras ibero-americanas. O sucesso desta iniciativa deveu-se certamente ao facto de o seu primeiro anfitrião não ter sido a Espanha. Contudo, ela desempenha desde o início deste percurso, o papel de protagonista, demonstrando ser o seu motor. Apesar da Comunidade ainda não estar institucionalizada nem consolidada, embora as Cimeiras afirmem e reconheçam a sua existência, ela tem vindo a demarcar o seu posicionamento, na cena política internacional, numa tentativa de fazer frente ao unilateralismo que se afirmou no pós-guerra fria. O grande desafio para a Comunidade passa então por conseguir estabelecer objectivos e interesses comuns, que ultrapassem a partilha de traços identitários e, assim, desenvolver uma voz própria nos fóruns internacionais. |
|---|---|
| Autores principais: | Leandro, Marta Sofia Relvão |
| Assunto: | Comunidade Ibero americana Comunidade Ibero-Americana de Nação Relações ibero-americanas |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Esta dissertação procura problematizar o lugar da criação da Comunidade Iberoamericana de Nações, no contexto das relações que se estabelecem entre a Espanha e a América Latina, de 1976 a 2005. No entanto, é necessário recuar ao século XIX, para encontrar as origens deste projecto e perceber onde radica a querela em torno de qual o melhor termo para definir estas relações e aquele que se deveria utilizar para denominar a própria região, objecto dos interesses hegemónicos espanhóis. A política ibero-americana constitui então a versão solidária e pluralista da política espanhola para a América Latina, que se começa a definir, no período da democracia, sendo o seu arranque da responsabilidade dos governos centristas (1976- 1982). No entanto, ela conhece um grande desenvolvimento quando socialistas (1982- 1996) chegam ao poder. Na verdade, durante os anos de 1980, estes estimulam a realização dos Encontros na Democracia com o objectivo de debater a importância de se levar a cabo esta Comunidade e iniciam um processo de diálogo que permitirá pôr em marcha, na década seguinte, o projecto das Cimeiras ibero-americanas. O sucesso desta iniciativa deveu-se certamente ao facto de o seu primeiro anfitrião não ter sido a Espanha. Contudo, ela desempenha desde o início deste percurso, o papel de protagonista, demonstrando ser o seu motor. Apesar da Comunidade ainda não estar institucionalizada nem consolidada, embora as Cimeiras afirmem e reconheçam a sua existência, ela tem vindo a demarcar o seu posicionamento, na cena política internacional, numa tentativa de fazer frente ao unilateralismo que se afirmou no pós-guerra fria. O grande desafio para a Comunidade passa então por conseguir estabelecer objectivos e interesses comuns, que ultrapassem a partilha de traços identitários e, assim, desenvolver uma voz própria nos fóruns internacionais. |
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