Publicação
Dinâmicas transnacionais da emigração portuguesa em França
| Resumo: | Os movimentos de populações, e mais especificamente as migrações, são um tema ainda pouco estudado na disciplina de Relações Internacionais. Ora um tal fenómeno afeta e modela as relações que se estabelecem entre as vertentes do triângulo que se forma entre o país de origem, o país de acolhimento e o migrante. Guiado por esta convicção, o presente trabalho tem como objetivo analisar a emigração portuguesa para França à luz do conceito de transnacionalismo. A crise económica que se vive atualmente em Portugal tem levado inúmeros portugueses a procurar uma vida melhor fora do país, reproduzindo de certa forma o movimento de emigração em grande escala dos anos 60 e 70. Tradicional destino de eleição, a França tem acolhido nos últimos anos um contingente significativo de portugueses, cujo processo de emigração e integração se enquadra num contexto consideravelmente diferente, permitindo uma mobilidade livre graças à União Europeia. Focando-nos na comunidade portuguesa instalada na região de Aquitaine, procuramos saber em que medida estes migrantes se inscrevem na categoria de "transmigrantes" tal como ela é definida por Nina Glick Schiller, Linda Basch e Cristina Blanc-Szanton, ou seja, "migrantes que desenvolvem e mantêm múltiplas relações – familiares, económicas, sociais, organizacionais, religiosas e políticas – que atravessam fronteiras". Tendo em conta um quadro de indicadores correspondentes a práticas transnacionais de carácter económico, político e sociocultural, baseamo-nos nos dados obtidos junto de emigrantes portugueses e de responsáveis institucionais para medir o grau de transnacionalismo desta comunidade nestas três áreas. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que os emigrantes participantes no nosso estudo desenvolvem e mantêm relações transfronteiriças mesmo se a frequência do recurso a estas práticas transnacionais é variável: se verificamos uma forte componente de cariz sociocultural e em certa medida económica (no que respeita aos hábitos de consumo e circulação de bens), os dados obtidos relativamente aos indicadores políticos levam-nos a declarar que esta componente é praticamente inexistente. Levamos ainda em consideração a deslocação frequente destes emigrantes a Portugal, em conjunto com o contato frequente através dos meios de telecomunicação, o interesse manifestado pela atualidade portuguesa e, sobretudo, a dupla identificação da maioria dos inquiridos com Portugal e com a França. Concluímos assim que a definição de "transmigrante" concebida por Glick Schiller, Basch e Szanton-Blanc se adequa à caracterização dos emigrantes inquiridos no âmbito deste trabalho. |
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| Autores principais: | Ramos, Sara Frias Moura |
| Assunto: | Transnacionalismo Emigração portuguesa França Aquitaine. |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Os movimentos de populações, e mais especificamente as migrações, são um tema ainda pouco estudado na disciplina de Relações Internacionais. Ora um tal fenómeno afeta e modela as relações que se estabelecem entre as vertentes do triângulo que se forma entre o país de origem, o país de acolhimento e o migrante. Guiado por esta convicção, o presente trabalho tem como objetivo analisar a emigração portuguesa para França à luz do conceito de transnacionalismo. A crise económica que se vive atualmente em Portugal tem levado inúmeros portugueses a procurar uma vida melhor fora do país, reproduzindo de certa forma o movimento de emigração em grande escala dos anos 60 e 70. Tradicional destino de eleição, a França tem acolhido nos últimos anos um contingente significativo de portugueses, cujo processo de emigração e integração se enquadra num contexto consideravelmente diferente, permitindo uma mobilidade livre graças à União Europeia. Focando-nos na comunidade portuguesa instalada na região de Aquitaine, procuramos saber em que medida estes migrantes se inscrevem na categoria de "transmigrantes" tal como ela é definida por Nina Glick Schiller, Linda Basch e Cristina Blanc-Szanton, ou seja, "migrantes que desenvolvem e mantêm múltiplas relações – familiares, económicas, sociais, organizacionais, religiosas e políticas – que atravessam fronteiras". Tendo em conta um quadro de indicadores correspondentes a práticas transnacionais de carácter económico, político e sociocultural, baseamo-nos nos dados obtidos junto de emigrantes portugueses e de responsáveis institucionais para medir o grau de transnacionalismo desta comunidade nestas três áreas. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que os emigrantes participantes no nosso estudo desenvolvem e mantêm relações transfronteiriças mesmo se a frequência do recurso a estas práticas transnacionais é variável: se verificamos uma forte componente de cariz sociocultural e em certa medida económica (no que respeita aos hábitos de consumo e circulação de bens), os dados obtidos relativamente aos indicadores políticos levam-nos a declarar que esta componente é praticamente inexistente. Levamos ainda em consideração a deslocação frequente destes emigrantes a Portugal, em conjunto com o contato frequente através dos meios de telecomunicação, o interesse manifestado pela atualidade portuguesa e, sobretudo, a dupla identificação da maioria dos inquiridos com Portugal e com a França. Concluímos assim que a definição de "transmigrante" concebida por Glick Schiller, Basch e Szanton-Blanc se adequa à caracterização dos emigrantes inquiridos no âmbito deste trabalho. |
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