Publicação
Avaliação de iões metálicos procedentes do tratamento ortodôntico: estudos in vivo e in vitro
| Resumo: | Os aços inoxidáveis e as ligas Nitinol são os materiais metálicos de eleição no fabrico de aparelhos ortodônticos fixos, devendo a sua preferência à boa resposta do binómio propriedades mecânicas - resistência à corrosão. Embora comumente aceites como ligas biocompatíveis, esta propriedade pode ficar comprometida, devido ao impacto do constituinte fluído da cavidade oral, a saliva, nestes biomateriais. A rutura da camada passiva de óxidos formada à superfície das bioligas metálicas, expande no tempo a libertação dos produtos de corrosão, podendo conduzir a reações locais e sistémicas. Torna-se, assim, essencial estudar os fenómenos de corrosão que ocorrem em peças que compõe o aparelho fixo e a consequente libertação de iões metálicos no decorrer do tratamento ortodôntico.Para tal, dividiu-se o trabalho em dois grandes grupos: o estudo in vivo e o in vitro.No primeiro caso, avaliou-se a concentração de iões Ni, Cr e Fe na saliva de uma amostra constituída por 17 pacientes, durante diferentes períodos de tratamento ortodôntico, nomeadamente antes da colocação, 2 dias após o início do tratamento e 1, 4 e 12 semanas após a colocação do aparelho. Na segunda parte do estudo, as várias peças que compõe o aparelho fixo, como brackets, bandas, tubos, ligaduras e fios, foram colocadas em saliva artificial com dois valores de pH (2,3 e 6,7) durante 30 dias. As concentrações in vivo obtidas, por recurso a Espectrometria de Emissão Ótica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES), mostram que não existem diferenças significativas ao longo das fases de tratamento, registando-se um ligeiro aumento dos níveis em Ni e em Cr após quatro semanas da colocação do aparelho. Os maiores níveis de libertação foram obtidos para o Fe que atinge o seu máximo uma semana após o início do tratamento. No estudo in vitro verificou-se uma evidente promoção da corrosão dos metais em pH mais ácido, observando-se ainda que, de todas as peças, os brackets foram aqueles que libertaram maior teor em iões metálicos como consequência da menor resistência à corrosão.A caracterização efetuada por Microscopia Eletrónica de Varrimento acoplada a Espectrometria de raios X de Energia Dispersiva (SEM/EDS) permitiu avaliar as alterações morfológicas e químicas da superfície das ligas metálicas, tendo sido identificados sinais de corrosão. A formação de biofilme à superfície das ligas metálicas, identificada por SEM/EDS, ao alterar as características funcionais destes materiais, poderá, também, contribuir para a intensificação do processo de biocorrosão. Todavia, os teores de iões metálicos determinados neste trabalho encontraram-se abaixo dos limites de ingestão diária (100-800 μg/dia para o Ni, 50-280 μg/dia para o Cr e 10-50 mg/dia para o Fe) não representando perigo para a saúde humana. É necessário, no entanto, continuar a vigiar de perto os efeitos da corrosão nos aparelhos fixos, especialmente em indivíduos com hipersensibilidade aos iões metálicos. |
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| Autores principais: | Mendes, Alexandra Ricardo |
| Assunto: | libertação de iões metálicos in vivo in vitro corrosão aparelho fixo metal ion release in vivo in vitro corrosion fixed orthodontic appliance |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Os aços inoxidáveis e as ligas Nitinol são os materiais metálicos de eleição no fabrico de aparelhos ortodônticos fixos, devendo a sua preferência à boa resposta do binómio propriedades mecânicas - resistência à corrosão. Embora comumente aceites como ligas biocompatíveis, esta propriedade pode ficar comprometida, devido ao impacto do constituinte fluído da cavidade oral, a saliva, nestes biomateriais. A rutura da camada passiva de óxidos formada à superfície das bioligas metálicas, expande no tempo a libertação dos produtos de corrosão, podendo conduzir a reações locais e sistémicas. Torna-se, assim, essencial estudar os fenómenos de corrosão que ocorrem em peças que compõe o aparelho fixo e a consequente libertação de iões metálicos no decorrer do tratamento ortodôntico.Para tal, dividiu-se o trabalho em dois grandes grupos: o estudo in vivo e o in vitro.No primeiro caso, avaliou-se a concentração de iões Ni, Cr e Fe na saliva de uma amostra constituída por 17 pacientes, durante diferentes períodos de tratamento ortodôntico, nomeadamente antes da colocação, 2 dias após o início do tratamento e 1, 4 e 12 semanas após a colocação do aparelho. Na segunda parte do estudo, as várias peças que compõe o aparelho fixo, como brackets, bandas, tubos, ligaduras e fios, foram colocadas em saliva artificial com dois valores de pH (2,3 e 6,7) durante 30 dias. As concentrações in vivo obtidas, por recurso a Espectrometria de Emissão Ótica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES), mostram que não existem diferenças significativas ao longo das fases de tratamento, registando-se um ligeiro aumento dos níveis em Ni e em Cr após quatro semanas da colocação do aparelho. Os maiores níveis de libertação foram obtidos para o Fe que atinge o seu máximo uma semana após o início do tratamento. No estudo in vitro verificou-se uma evidente promoção da corrosão dos metais em pH mais ácido, observando-se ainda que, de todas as peças, os brackets foram aqueles que libertaram maior teor em iões metálicos como consequência da menor resistência à corrosão.A caracterização efetuada por Microscopia Eletrónica de Varrimento acoplada a Espectrometria de raios X de Energia Dispersiva (SEM/EDS) permitiu avaliar as alterações morfológicas e químicas da superfície das ligas metálicas, tendo sido identificados sinais de corrosão. A formação de biofilme à superfície das ligas metálicas, identificada por SEM/EDS, ao alterar as características funcionais destes materiais, poderá, também, contribuir para a intensificação do processo de biocorrosão. Todavia, os teores de iões metálicos determinados neste trabalho encontraram-se abaixo dos limites de ingestão diária (100-800 μg/dia para o Ni, 50-280 μg/dia para o Cr e 10-50 mg/dia para o Fe) não representando perigo para a saúde humana. É necessário, no entanto, continuar a vigiar de perto os efeitos da corrosão nos aparelhos fixos, especialmente em indivíduos com hipersensibilidade aos iões metálicos. |
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