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Paralisia Facial Periférica: Estado da arte

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Resumo:A paralisia facial periférica pode repercutir-se em vários aspetos pessoais e interpessoais da vida do doente, sejam estes funcionais, sociais, psicológicos ou económicos e, deste modo, adquirir dimensões desastrosas na vida do lesado. (1)É conhecido um largo espectro de causas que poderá estar na origem da paralisia facial periférica: infeciosas/inflamatórias, traumáticas, neoplásicas, imunológicas, congénitas, entre outras. Contudo, nenhuma delas provou estar presente na etiologia da maioria dos casos conhecidos, daí que estes sejam frequentemente considerados idiopáticos e designados como paralisia de Bell. (2,3) No que diz respeito à evolução da paralisia de Bell, o quadro clínico é variável, agravando-se nas primeiras 48 horas. A maior parte dos doentes recupera espontaneamente (4), com uma regeneração completa em 3 meses (5,6) e, em apenas 15 a 20% dos casos, surgem sequelas (7). Alguns estudos confirmam que não ocorre persistência de paralisia facial severa ou completa neste tipo de etiologia. (8) A anamnese e o exame físico devem auxiliar a caracterizar a lesão quanto à localização, grau, extensão, etiologia e duração desta. (1) O diagnóstico é normalmente clínico e obtido por exclusão de outras causas, pelo que deverá haver uma avaliação rigorosa de todos os sinais e sintomas relacionados com as regiões e estruturas inervadas pelo nervo facial. (3)O tratamento deve ser individualizado com base na esperança média de vida, preferências do doente, impacto na vida social e défices funcionais. (1) É, geralmente, médico e com recurso a corticosteróides de elevada dosagem (7,9,10), salvo algumas exceções em que o recurso a antivirais e antibioterapia deverão ser ponderados. (9,11,12) O tratamento cirúrgico ficará reservado para casos particulares, sendo os seus objetivos os mesmos de um tratamento médico, com particular prioridade para o encerramento ocular e a simetria no sorriso. (13)A idade e os sinais ou sintomas não são fatores significativos no prognóstico desta patologia (10), sendo este baseado em exames eletrofisiológicos que permitem, através de fórmulas, determinar a funcionalidade restante do nervo facial e dos músculos após a lesão. (14–16)
Autores principais:Abreu, Ana Francisca Lopes Ribeiro de Oliveira
Assunto:nervo facial paralisia de Bell eletrofisiologia anastomose hipoglosso-facial neurorrafia facial nerve bell's palsy electrophysiological tests hipoglossal-facial anastomosis neurorraphy
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:A paralisia facial periférica pode repercutir-se em vários aspetos pessoais e interpessoais da vida do doente, sejam estes funcionais, sociais, psicológicos ou económicos e, deste modo, adquirir dimensões desastrosas na vida do lesado. (1)É conhecido um largo espectro de causas que poderá estar na origem da paralisia facial periférica: infeciosas/inflamatórias, traumáticas, neoplásicas, imunológicas, congénitas, entre outras. Contudo, nenhuma delas provou estar presente na etiologia da maioria dos casos conhecidos, daí que estes sejam frequentemente considerados idiopáticos e designados como paralisia de Bell. (2,3) No que diz respeito à evolução da paralisia de Bell, o quadro clínico é variável, agravando-se nas primeiras 48 horas. A maior parte dos doentes recupera espontaneamente (4), com uma regeneração completa em 3 meses (5,6) e, em apenas 15 a 20% dos casos, surgem sequelas (7). Alguns estudos confirmam que não ocorre persistência de paralisia facial severa ou completa neste tipo de etiologia. (8) A anamnese e o exame físico devem auxiliar a caracterizar a lesão quanto à localização, grau, extensão, etiologia e duração desta. (1) O diagnóstico é normalmente clínico e obtido por exclusão de outras causas, pelo que deverá haver uma avaliação rigorosa de todos os sinais e sintomas relacionados com as regiões e estruturas inervadas pelo nervo facial. (3)O tratamento deve ser individualizado com base na esperança média de vida, preferências do doente, impacto na vida social e défices funcionais. (1) É, geralmente, médico e com recurso a corticosteróides de elevada dosagem (7,9,10), salvo algumas exceções em que o recurso a antivirais e antibioterapia deverão ser ponderados. (9,11,12) O tratamento cirúrgico ficará reservado para casos particulares, sendo os seus objetivos os mesmos de um tratamento médico, com particular prioridade para o encerramento ocular e a simetria no sorriso. (13)A idade e os sinais ou sintomas não são fatores significativos no prognóstico desta patologia (10), sendo este baseado em exames eletrofisiológicos que permitem, através de fórmulas, determinar a funcionalidade restante do nervo facial e dos músculos após a lesão. (14–16)