Publicação
Selection criteria for liver transplantation and “bridge” therapeutic modalities in acute liver failure – a review
| Resumo: | Introdução: A falência hepática aguda é uma síndrome rara, com uma incidência inferior a 10 casos por milhão de pessoas na Europa, mas que mantém uma mortalidade considerável. A introdução da transplantação hepática alterou a história natural desta doença. Contudo, devido à escassez de órgãos disponíveis para transplantação, é necessário selecionar criteriosamente os doentes a transplantar. Por isso, nas últimas décadas têm vindo a ser desenvolvidos vários modelos de prognóstico, de modo a avaliar os doentes que mais podem beneficiar com a transplantação hepática. A falência hepática aguda pode evoluir muito rapidamente para falência multiorgânica. Assim, nos últimos anos têm vindo a ser aperfeiçoados vários sistemas de suporte hepático extracorporal, sendo um dos seus objetivos fazer a “ponte” para a transplantação ou assegurar a recuperação do doente, como o Molecular Adsorbent Recirculating System (MARS), o Prometheus ou a troca plasmática.Objetivos: Com a realização deste estudo, temos como objetivo fazer uma revisão dos principais critérios de seleção usados para transplantação hepática nos doentes com falência hepática aguda, incidindo sobretudo sobre os novos marcadores que têm sido propostos. Pretendemos também identificar os critérios de mau prognóstico associados a futilidade na transplantação hepática. Temos também como objetivo fazer uma revisão dos principais sistemas de suporte hepático extracorporal, visando analisar o seu impacto na sobrevida dos doentes com falência hepática aguda.Métodos: A pesquisa foi realizada na MEDLINE e Pubmed entre 16 de outubro de 2021 e 5 de dezembro de 2021. Os critérios de inclusão foram: doentes adultos; doentes que apresentassem lesão hepática aguda ou falência hepática aguda; estudos observacionais; estudos clínicos; séries de casos clínicos; estudos caso-controlo; revisões sistemáticas; meta-análises. Os critérios de exclusão foram: doentes pediátricos; doentes com falência hepática crónica agudizada ou com patologia hepática prévia; artigos de opinião; casos clínicos; artigos em outras línguas que não português, inglês ou espanhol.Discussão: Os critérios de King’s College têm sido amplamente utilizados. No entanto, apesar de terem uma boa especificidade, apresentam uma sensibilidade reduzida. Vários marcadores foram utilizados para melhorar a sua acuidade prognóstica, mas sem resultados claros alcançados até ao momento. Vários estudos têm apontado a idade do doente, a incompatibilidade ABO e má qualidade do enxerto como potenciais fatores que indiquem potencial futilidade na transplantação hepática. Para além disso, estudos feitos sobre os sistemas de suporte hepático extracorporal têm revelado que estes têm uma influência positiva nos parâmetros clínicos e laboratoriais. No entanto, não têm demonstrado um aumento claro da sobrevida destes doentes.Conclusão: Com este estudo concluímos que a falência hepática aguda é uma síndrome muito heterogénea, o que prejudica a qualidade dos estudos efetuados para avaliar o impacto dos critérios de prognóstico na sobrevida dos doentes com falência hepática aguda, mas também tem limitado os estudos efetuados para avaliar o impacto na sobrevida dos sistemas de suporte hepático extracorporal. |
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| Autores principais: | Dias, Daniel Francisco Medina |
| Assunto: | falência hepática aguda transplantação hepática prognóstico futilidade terapêutica suporte hepático extracorporal acute liver failure liver transplantation prognosis therapeutic futility extracorporeal liver support |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: A falência hepática aguda é uma síndrome rara, com uma incidência inferior a 10 casos por milhão de pessoas na Europa, mas que mantém uma mortalidade considerável. A introdução da transplantação hepática alterou a história natural desta doença. Contudo, devido à escassez de órgãos disponíveis para transplantação, é necessário selecionar criteriosamente os doentes a transplantar. Por isso, nas últimas décadas têm vindo a ser desenvolvidos vários modelos de prognóstico, de modo a avaliar os doentes que mais podem beneficiar com a transplantação hepática. A falência hepática aguda pode evoluir muito rapidamente para falência multiorgânica. Assim, nos últimos anos têm vindo a ser aperfeiçoados vários sistemas de suporte hepático extracorporal, sendo um dos seus objetivos fazer a “ponte” para a transplantação ou assegurar a recuperação do doente, como o Molecular Adsorbent Recirculating System (MARS), o Prometheus ou a troca plasmática.Objetivos: Com a realização deste estudo, temos como objetivo fazer uma revisão dos principais critérios de seleção usados para transplantação hepática nos doentes com falência hepática aguda, incidindo sobretudo sobre os novos marcadores que têm sido propostos. Pretendemos também identificar os critérios de mau prognóstico associados a futilidade na transplantação hepática. Temos também como objetivo fazer uma revisão dos principais sistemas de suporte hepático extracorporal, visando analisar o seu impacto na sobrevida dos doentes com falência hepática aguda.Métodos: A pesquisa foi realizada na MEDLINE e Pubmed entre 16 de outubro de 2021 e 5 de dezembro de 2021. Os critérios de inclusão foram: doentes adultos; doentes que apresentassem lesão hepática aguda ou falência hepática aguda; estudos observacionais; estudos clínicos; séries de casos clínicos; estudos caso-controlo; revisões sistemáticas; meta-análises. Os critérios de exclusão foram: doentes pediátricos; doentes com falência hepática crónica agudizada ou com patologia hepática prévia; artigos de opinião; casos clínicos; artigos em outras línguas que não português, inglês ou espanhol.Discussão: Os critérios de King’s College têm sido amplamente utilizados. No entanto, apesar de terem uma boa especificidade, apresentam uma sensibilidade reduzida. Vários marcadores foram utilizados para melhorar a sua acuidade prognóstica, mas sem resultados claros alcançados até ao momento. Vários estudos têm apontado a idade do doente, a incompatibilidade ABO e má qualidade do enxerto como potenciais fatores que indiquem potencial futilidade na transplantação hepática. Para além disso, estudos feitos sobre os sistemas de suporte hepático extracorporal têm revelado que estes têm uma influência positiva nos parâmetros clínicos e laboratoriais. No entanto, não têm demonstrado um aumento claro da sobrevida destes doentes.Conclusão: Com este estudo concluímos que a falência hepática aguda é uma síndrome muito heterogénea, o que prejudica a qualidade dos estudos efetuados para avaliar o impacto dos critérios de prognóstico na sobrevida dos doentes com falência hepática aguda, mas também tem limitado os estudos efetuados para avaliar o impacto na sobrevida dos sistemas de suporte hepático extracorporal. |
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