Publicação
The role of selfing in the establishment of neotetraploid lineages of Jasione maritima
| Resumo: | A poliploidização é considerada uma força importante na história evolutiva das Angiospérmicas. Este processo pode modificar vários aspectos de uma planta, incluindo a sua morfologia e fisiologia. De igual forma, a biologia da reprodução pode também ser alterada gerando consequências significativas para o poliplóide nas fases iniciais após a sua emergência. Todas estas possíveis alterações podem ser cruciais para o estabelecimento, permitindo ao neopoliplóide ultrapassar a exclusão do citótipo minoritário. Até à data, os estudos sobre poliplóides focam-se sobretudo na genética e epigenética, sendo os estudos na área da ecologia e biologia da reprodução muito escassos. Estas áreas são, no entanto, igualmente importantes para a compreensão dos mecanismos que levam à emergência, estabelecimento e manutenção dos poliplóides na natureza.Jasione maritima é uma Campanulacea de sistemas dunares e um complexo poliplóide constituído por plantas diplóides e tetraplóides, numa distribuição actualmente alopátrica. Os mecanismos envolvidos no estabelecimento do tetraplóide são, contudo, desconhecidos. Neste trabalho, estudou-se o papel da autofertilização no estabelecimento de neotetraplóides de J. maritima, recorrendo ao uso de neotetraplóides sintetizados de forma a avaliar as consequências reais da poliploidização. O sucesso reproductivo foi medido após polinizações controladas para compreender os efeitos da poliploidização e a capacidade de autofertilização. Adicionalmente, mediram-se um conjunto de parâmetros de fitness, incluindo parâmetros fisiológicos, para avaliar a performance da descendência obtida através da auto-polinização e da polinização cruzada.Os resultados deste trabalho revelam que os diplóides e neotetraplóides de J. maritima são auto-incompatíveis. Estas observações sugerem que a poliploidização não parece ter tido impacto na capacidade de autofertilização nos neotetraplóides. O sucesso reproductivo foi negativamente afectado pela poliploidização e pela auto-fertilização. A performance das plantas descendentes foi menor para os neotetraplóides em relação aos diplóides. Contudo, dentro dos neotetraplóides, observou-se que o fitness geral da descendência não foi afectado pelo uso de auto-polinização. Assim, nas primeiras gerações, a auto-fertilização pode actuar como uma garantia reproductiva para os neotetraplóides nos primeiros momentos após a sua emergência, permitindo a produção de descendência de fitness semelhante aos neotetraplóides de polinização cruzada. No entanto, a autofertilização por si só será insuficiente para explicar o estabelecimento dos neotetraplóides, sendo provavelmente parte de uma combinação de mecanismos que providenciam uma vantagem competitiva aos neotetraplóides nas primeiras fases de emergência e que lhe permitem superar a exclusão como citótipo minoritário. |
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| Autores principais: | Siopa, Catarina Constantino |
| Assunto: | Autofertilização Jasione maritima neotetraplóides performance da planta poliploidização Jasione maritima neotetraploids plant performance polyploidization selfing |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A poliploidização é considerada uma força importante na história evolutiva das Angiospérmicas. Este processo pode modificar vários aspectos de uma planta, incluindo a sua morfologia e fisiologia. De igual forma, a biologia da reprodução pode também ser alterada gerando consequências significativas para o poliplóide nas fases iniciais após a sua emergência. Todas estas possíveis alterações podem ser cruciais para o estabelecimento, permitindo ao neopoliplóide ultrapassar a exclusão do citótipo minoritário. Até à data, os estudos sobre poliplóides focam-se sobretudo na genética e epigenética, sendo os estudos na área da ecologia e biologia da reprodução muito escassos. Estas áreas são, no entanto, igualmente importantes para a compreensão dos mecanismos que levam à emergência, estabelecimento e manutenção dos poliplóides na natureza.Jasione maritima é uma Campanulacea de sistemas dunares e um complexo poliplóide constituído por plantas diplóides e tetraplóides, numa distribuição actualmente alopátrica. Os mecanismos envolvidos no estabelecimento do tetraplóide são, contudo, desconhecidos. Neste trabalho, estudou-se o papel da autofertilização no estabelecimento de neotetraplóides de J. maritima, recorrendo ao uso de neotetraplóides sintetizados de forma a avaliar as consequências reais da poliploidização. O sucesso reproductivo foi medido após polinizações controladas para compreender os efeitos da poliploidização e a capacidade de autofertilização. Adicionalmente, mediram-se um conjunto de parâmetros de fitness, incluindo parâmetros fisiológicos, para avaliar a performance da descendência obtida através da auto-polinização e da polinização cruzada.Os resultados deste trabalho revelam que os diplóides e neotetraplóides de J. maritima são auto-incompatíveis. Estas observações sugerem que a poliploidização não parece ter tido impacto na capacidade de autofertilização nos neotetraplóides. O sucesso reproductivo foi negativamente afectado pela poliploidização e pela auto-fertilização. A performance das plantas descendentes foi menor para os neotetraplóides em relação aos diplóides. Contudo, dentro dos neotetraplóides, observou-se que o fitness geral da descendência não foi afectado pelo uso de auto-polinização. Assim, nas primeiras gerações, a auto-fertilização pode actuar como uma garantia reproductiva para os neotetraplóides nos primeiros momentos após a sua emergência, permitindo a produção de descendência de fitness semelhante aos neotetraplóides de polinização cruzada. No entanto, a autofertilização por si só será insuficiente para explicar o estabelecimento dos neotetraplóides, sendo provavelmente parte de uma combinação de mecanismos que providenciam uma vantagem competitiva aos neotetraplóides nas primeiras fases de emergência e que lhe permitem superar a exclusão como citótipo minoritário. |
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