Publicação
A influência da Atividade Física na Depressão Perinatal
| Resumo: | Introdução: A Depressão Perinatal (DPN) é uma condição complexa que apresenta um fenótipo multidimensional e envolve aspetos psicológicos, sociais e biológicos. Tem-se tornado cada vez mais frequente, estimando-se que 1 em cada 7 a 10 mulheres grávidas e 1 em cada 5 a 8 mulheres no período pós-parto desenvolvem um distúrbio depressivo. A atividade física (AF) traz inúmeros benefícios para a saúde em todas as idades, sendo de extrema importância manter um estilo de vida saudável no período perinatal. O objetivo deste trabalho é avaliar o possível efeito dos níveis de AF na prevenção da DPN, de forma a desenvolver estratégias que minimizem a prevalência desta patologia. Métodos: Estudo observacional longitudinal, tipo coorte prospetivo com recolha de dados em 2 fases: julho-setembro de 2020 e setembro-outubro de 2021. A amostra em estudo corresponde às mulheres com gravidez de baixo risco, que presencialmente ou por teleconsulta recorreram a consulta de vigilância nas unidades de cuidados de saúde primários incluídas no estudo. Responderam na primeira fase a questões sociodemográficas e aos questionários IPAQ (Questionário Internacional da Atividade Física) e DASS-21 (Depression, Anxiety Stress Scales). Na segunda fase responderam aos questionários PDSS-21 (Postpartum Depression Screening Scale) e IPAQ. Foi realizada estatística descritiva e inferencial, com análise bivariada (U de Mann-Whitney e Qui quadrado/teste exato de Fisher) e multivariada (regressão logística) para perceber a relação entre a AF e a DPN.Resultados: Amostra final do estudo n=99, com média de idades de 32,90±5,03 anos. Diagnóstico de DPN em 7,1% (n=7), risco de depressão na escala DASS-21 de 22,2% (n=22) e na escala PDSS-21 de 51,5% (n=51). Foi encontrada diferença significativa entre grupos no número de filhos (p=0,014), facto de ser nulípara (p=0,044) e nos níveis de atividade física durante a gravidez (p=0,041). Após regressão logística, a prática de AF durante o período de gravidez manteve relação protetora e independente significativa com DPN (RR=0,229, IC 0,063-0,840). O facto de ser nulípara previamente à gravidez mostrou também aumentar cerca de 18 vezes o risco de DPN (RR=17,779, IC 1,732-182,458).Discussão: Neste estudo, foi encontrada uma relação significativa entre a prática de AF durante o período de gravidez e o diagnóstico de DPN feito pelo médico de família, existindo resultados semelhantes noutros estudos. As principais limitações foram a taxa de redução da amostra entre as duas fases, a subjetividade nas respostas aos questionários e a falta de contextualização da AF. Conclusão: Neste estudo, a prática da AF durante o período de gravidez reduziu o diagnóstico de DPN de forma independente e significativa. |
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| Autores principais: | Pais, Tiago Luis de Frias |
| Assunto: | Depressão perinatal Pós-parto Atividade Física Gravidez Exercício Físico Perinatal depression Postpartum Physical Activity Pregnancy Exercise |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: A Depressão Perinatal (DPN) é uma condição complexa que apresenta um fenótipo multidimensional e envolve aspetos psicológicos, sociais e biológicos. Tem-se tornado cada vez mais frequente, estimando-se que 1 em cada 7 a 10 mulheres grávidas e 1 em cada 5 a 8 mulheres no período pós-parto desenvolvem um distúrbio depressivo. A atividade física (AF) traz inúmeros benefícios para a saúde em todas as idades, sendo de extrema importância manter um estilo de vida saudável no período perinatal. O objetivo deste trabalho é avaliar o possível efeito dos níveis de AF na prevenção da DPN, de forma a desenvolver estratégias que minimizem a prevalência desta patologia. Métodos: Estudo observacional longitudinal, tipo coorte prospetivo com recolha de dados em 2 fases: julho-setembro de 2020 e setembro-outubro de 2021. A amostra em estudo corresponde às mulheres com gravidez de baixo risco, que presencialmente ou por teleconsulta recorreram a consulta de vigilância nas unidades de cuidados de saúde primários incluídas no estudo. Responderam na primeira fase a questões sociodemográficas e aos questionários IPAQ (Questionário Internacional da Atividade Física) e DASS-21 (Depression, Anxiety Stress Scales). Na segunda fase responderam aos questionários PDSS-21 (Postpartum Depression Screening Scale) e IPAQ. Foi realizada estatística descritiva e inferencial, com análise bivariada (U de Mann-Whitney e Qui quadrado/teste exato de Fisher) e multivariada (regressão logística) para perceber a relação entre a AF e a DPN.Resultados: Amostra final do estudo n=99, com média de idades de 32,90±5,03 anos. Diagnóstico de DPN em 7,1% (n=7), risco de depressão na escala DASS-21 de 22,2% (n=22) e na escala PDSS-21 de 51,5% (n=51). Foi encontrada diferença significativa entre grupos no número de filhos (p=0,014), facto de ser nulípara (p=0,044) e nos níveis de atividade física durante a gravidez (p=0,041). Após regressão logística, a prática de AF durante o período de gravidez manteve relação protetora e independente significativa com DPN (RR=0,229, IC 0,063-0,840). O facto de ser nulípara previamente à gravidez mostrou também aumentar cerca de 18 vezes o risco de DPN (RR=17,779, IC 1,732-182,458).Discussão: Neste estudo, foi encontrada uma relação significativa entre a prática de AF durante o período de gravidez e o diagnóstico de DPN feito pelo médico de família, existindo resultados semelhantes noutros estudos. As principais limitações foram a taxa de redução da amostra entre as duas fases, a subjetividade nas respostas aos questionários e a falta de contextualização da AF. Conclusão: Neste estudo, a prática da AF durante o período de gravidez reduziu o diagnóstico de DPN de forma independente e significativa. |
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