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Gripe em idade pediátrica – nem sempre uma infeção benigna

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A gripe é causa frequente de infeção respiratória em idade pediátrica, sendo geralmente considerada benigna em crianças saudáveis. Nos climas temperados, os vírus influenza A e B causam epidemias sazonais no inverno. É habitualmente referido que o tipo A tende a circular no início da época sazonal, enquanto o tipo B, surge no final da época sazonal. Vários estudos sugerem que as manifestações clínicas e gravidade da infeção variam com os diferentes tipos/subtipos, enquanto outros não consideram que esse seja um fator determinante. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a epidemiologia, características clínicas e gravidade desta infeção em idade pediátrica, nos períodos pré e pós pandémicos, para os diferentes tipos/subtipos de vírus influenza.Material e Métodos: Estudo observacional, retrospetivo e analítico dos casos com deteção do vírus influenza por PCR em amostras nasofaríngeas de crianças com infeção respiratória, observadas num hospital pediátrico terciário, de janeiro 2015 a junho 2024. Todos os casos com co‐deteção de tipos/subtipos ou não subtipados foram excluídos da análise epidemiológica e de gravidade clínica por tipo/subtipo.Resultados: Foram incluídos 1611 casos, 55% do sexo masculino com mediana de idade de 4 anos. As epidemias anuais apresentaram dimensões e duração diferentes, com diferenças mais acentuadas nos últimos anos, depois de 2 épocas sem casos durante a pandemia COVID‐19, com deteção de casos ao longo de todo o ano. Os subtipos de influenza A circularam separadamente ou na mesma época sazonal e o vírus influenza B tanto apareceu no início como no final da época sazonal.Houve complicações em 23% dos casos, com complicações graves e morte em crianças sem fatores de risco identificados. Foram observadas todas as combinações e sequências de tipos e subtipos do vírus influenza presentes ao longo do período de estudo. Embora tenham ocorrido casos graves com todos os tipos/subtipos, a infeção pelo vírus influenza A e, particularmente A(H1N1), ocorreu em idades mais jovens, estando associada a maiores taxas de internamento, maior uso de antibióticos e de oseltamivir e mais complicações.Discussão e conclusão: No global observou-se uma elevada carga de doença, dominada pelo tipo A. O ressurgimento da gripe após a pandemia COVID-19 fez-se acompanhar de um padrão epidemiológico diferente. A evolução clínica nem sempre foi benigna, mesmo em crianças previamente saudáveis. Relativamente à gravidade clínica associada aos diferentes subtipos, a única variável que se verificou estatisticamente significativa foi a idade. Permanece a necessidade de monitorização contínua dos padrões de atividade deste vírus e estes dados podem reforçar a importância da vacinação universal em idade pediátrica.
Autores principais:Lopes, Ana Margarida Gonçalves
Assunto:Flu Influenza Type Pediatrics Severity Gripe Influenza Tipo Pediatria Gravidade
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução: A gripe é causa frequente de infeção respiratória em idade pediátrica, sendo geralmente considerada benigna em crianças saudáveis. Nos climas temperados, os vírus influenza A e B causam epidemias sazonais no inverno. É habitualmente referido que o tipo A tende a circular no início da época sazonal, enquanto o tipo B, surge no final da época sazonal. Vários estudos sugerem que as manifestações clínicas e gravidade da infeção variam com os diferentes tipos/subtipos, enquanto outros não consideram que esse seja um fator determinante. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a epidemiologia, características clínicas e gravidade desta infeção em idade pediátrica, nos períodos pré e pós pandémicos, para os diferentes tipos/subtipos de vírus influenza.Material e Métodos: Estudo observacional, retrospetivo e analítico dos casos com deteção do vírus influenza por PCR em amostras nasofaríngeas de crianças com infeção respiratória, observadas num hospital pediátrico terciário, de janeiro 2015 a junho 2024. Todos os casos com co‐deteção de tipos/subtipos ou não subtipados foram excluídos da análise epidemiológica e de gravidade clínica por tipo/subtipo.Resultados: Foram incluídos 1611 casos, 55% do sexo masculino com mediana de idade de 4 anos. As epidemias anuais apresentaram dimensões e duração diferentes, com diferenças mais acentuadas nos últimos anos, depois de 2 épocas sem casos durante a pandemia COVID‐19, com deteção de casos ao longo de todo o ano. Os subtipos de influenza A circularam separadamente ou na mesma época sazonal e o vírus influenza B tanto apareceu no início como no final da época sazonal.Houve complicações em 23% dos casos, com complicações graves e morte em crianças sem fatores de risco identificados. Foram observadas todas as combinações e sequências de tipos e subtipos do vírus influenza presentes ao longo do período de estudo. Embora tenham ocorrido casos graves com todos os tipos/subtipos, a infeção pelo vírus influenza A e, particularmente A(H1N1), ocorreu em idades mais jovens, estando associada a maiores taxas de internamento, maior uso de antibióticos e de oseltamivir e mais complicações.Discussão e conclusão: No global observou-se uma elevada carga de doença, dominada pelo tipo A. O ressurgimento da gripe após a pandemia COVID-19 fez-se acompanhar de um padrão epidemiológico diferente. A evolução clínica nem sempre foi benigna, mesmo em crianças previamente saudáveis. Relativamente à gravidade clínica associada aos diferentes subtipos, a única variável que se verificou estatisticamente significativa foi a idade. Permanece a necessidade de monitorização contínua dos padrões de atividade deste vírus e estes dados podem reforçar a importância da vacinação universal em idade pediátrica.