Publicação
Alterações fenotípicas e funcionais das diferentes populações de monócitos e células dendriticas no sangue periférico em esquizofrenia.
| Resumo: | Estudos nos últimos vinte anos verificam uma interacção complexa entre o sistema imune, inflamação sistémica e o cérebro, que conduzem a mudanças de humor, cognição e comportamento. A evidência de alterações nas células e na produção de citocinas inflamatórias ao nível do sistema imunitário periférico na esquizofrenia parece clara, no entanto, os mecanismos envolvidos na interacção entre o sistema nervoso central e a periferia mantém-se por elucidar. A maioria dos estudos efectuados nesta doença incidem sobre os mecanismos patológicos ao nível do SNC, com activação das céulas imunitárias do cérebro. No entanto, o estado de neuroinflamação descrito poderá também activar sistemas inflamatórios periféricos, activando o sistema imunitário. Os monócitos e as células dendríticas são importantes constituintes da imunidade inata, desempenhando funções cruciais na activação do sistema imunitário. Estas células apresentadoras de antigénio são versáteis, regulando o processo inflamatório e induzindo imunidade. O principal objectivo desta tese foi quantificar e analisar fenotípica e funcionalmente as diferentes subpopulações de monócitos (clássicos, intermédios, não clássicos e que expressam o FcεRI) e as populações de células dendríticas (mielóides e plasmacitóides), num grupo controlo, num grupo de doentes após um episódio de surto psicótico, e em doentes numa fase inicial da doença (Psicose aguda e transitória) fora de um episódio de surto, de modo a verificar se essas populações se encontram alteradas, podendo desta forma constituírem um bom alvo de estudo para a monitorização da evolução da doença.Foram recrutados 10 controlos, 17 doentes em fase de surto e 6 doentes em psicose inicial com média de idades semelhantes (±3 anos) sob influência de tratamento com antipsicóticos, diagnosticados utilizando o critério ICD-10 da Organização Mundial de Saúde. Para análise das diferentes sobpopulações de monócitos e de células dendríticas foram efectuadas através de citometria de fluxo, e após activação in vitro com LPS e IFN-γ quantificou-se a frequência de células produtoras de citocinas (IL-6 e TNF-), bem como, a produção destas citocinas por célula. Para a análise da expressão génica de BDNF e CCL11 após cell sorting de todas as células que expressavam fortemente CD33, o que engloba todas as subpopulações de monócitos e as células dendríticas mieloides e após extracção de RNA e de uma transcrição reversa, foi efectuada uma PCR em tempo real. Observou-se, no grupo de surto psicótico, um aumento da frequência de monócitos não clássicos produtores de IL-6, bem como, um aumento da quantidade desta citocina intracelular, em todas as subpopulações de monócitos e células dendríticas mielóides, indicando que estas células poderão ser responsáveis pelo estado de inflamação aguda que parece verificar-se nesta fase da doença. Em oposição à IL-6, a frequência de monócitos não clássicos produtores de TNF-α, e a quantidade de citocina por célula, está aumentada em doentes que se encontram fora de surto, que em associação ao aumento de expressão de HLA-DR, sugere um perfil de activação destas células diferente dos doentes em surto. A descoberta de um aumento da expressão da IgE ligado ao seu receptor de alta afinidade traduz um aumento da IgE sérica nestes doentes, associado ao fenótipo de activação observado nas células dendríticas mielóides nos doentes em surto. Estes resultados demonstram que ocorrem alterações fenotípicas e funcionais nos monócitos e células dendríticas na doença, salientando-se claramente os monócitos não clássicos, sugerindo que deve ser aprofundado o seu estudo na doença de forma a poderem constituir-se bons marcadores biológicos na esquizofrenia. |
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| Autores principais: | Diniz, Andreia Sofia Pereira |
| Assunto: | Esquizofrenia Monócitos Células Dendríticas Inflamação Biomarcadores Schizophrenia Monocytes Myeloid Dendritic Cells Inflammation Biomarkers |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Estudos nos últimos vinte anos verificam uma interacção complexa entre o sistema imune, inflamação sistémica e o cérebro, que conduzem a mudanças de humor, cognição e comportamento. A evidência de alterações nas células e na produção de citocinas inflamatórias ao nível do sistema imunitário periférico na esquizofrenia parece clara, no entanto, os mecanismos envolvidos na interacção entre o sistema nervoso central e a periferia mantém-se por elucidar. A maioria dos estudos efectuados nesta doença incidem sobre os mecanismos patológicos ao nível do SNC, com activação das céulas imunitárias do cérebro. No entanto, o estado de neuroinflamação descrito poderá também activar sistemas inflamatórios periféricos, activando o sistema imunitário. Os monócitos e as células dendríticas são importantes constituintes da imunidade inata, desempenhando funções cruciais na activação do sistema imunitário. Estas células apresentadoras de antigénio são versáteis, regulando o processo inflamatório e induzindo imunidade. O principal objectivo desta tese foi quantificar e analisar fenotípica e funcionalmente as diferentes subpopulações de monócitos (clássicos, intermédios, não clássicos e que expressam o FcεRI) e as populações de células dendríticas (mielóides e plasmacitóides), num grupo controlo, num grupo de doentes após um episódio de surto psicótico, e em doentes numa fase inicial da doença (Psicose aguda e transitória) fora de um episódio de surto, de modo a verificar se essas populações se encontram alteradas, podendo desta forma constituírem um bom alvo de estudo para a monitorização da evolução da doença.Foram recrutados 10 controlos, 17 doentes em fase de surto e 6 doentes em psicose inicial com média de idades semelhantes (±3 anos) sob influência de tratamento com antipsicóticos, diagnosticados utilizando o critério ICD-10 da Organização Mundial de Saúde. Para análise das diferentes sobpopulações de monócitos e de células dendríticas foram efectuadas através de citometria de fluxo, e após activação in vitro com LPS e IFN-γ quantificou-se a frequência de células produtoras de citocinas (IL-6 e TNF-), bem como, a produção destas citocinas por célula. Para a análise da expressão génica de BDNF e CCL11 após cell sorting de todas as células que expressavam fortemente CD33, o que engloba todas as subpopulações de monócitos e as células dendríticas mieloides e após extracção de RNA e de uma transcrição reversa, foi efectuada uma PCR em tempo real. Observou-se, no grupo de surto psicótico, um aumento da frequência de monócitos não clássicos produtores de IL-6, bem como, um aumento da quantidade desta citocina intracelular, em todas as subpopulações de monócitos e células dendríticas mielóides, indicando que estas células poderão ser responsáveis pelo estado de inflamação aguda que parece verificar-se nesta fase da doença. Em oposição à IL-6, a frequência de monócitos não clássicos produtores de TNF-α, e a quantidade de citocina por célula, está aumentada em doentes que se encontram fora de surto, que em associação ao aumento de expressão de HLA-DR, sugere um perfil de activação destas células diferente dos doentes em surto. A descoberta de um aumento da expressão da IgE ligado ao seu receptor de alta afinidade traduz um aumento da IgE sérica nestes doentes, associado ao fenótipo de activação observado nas células dendríticas mielóides nos doentes em surto. Estes resultados demonstram que ocorrem alterações fenotípicas e funcionais nos monócitos e células dendríticas na doença, salientando-se claramente os monócitos não clássicos, sugerindo que deve ser aprofundado o seu estudo na doença de forma a poderem constituir-se bons marcadores biológicos na esquizofrenia. |
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