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Uma nova escala de sugestionabilidade interrogativa análoga à GSS-1: estudo exploratório com uma amostra de jovens portugueses

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Resumo:Este estudo teve como objectivo principal perceber se existiriam diferenças de Sugestionabilidade Interrogativa (SI) quando a informação sobre um acontecimento é apresentada aos sujeitos verbalmente ou visualmente. Para tal foi criado um instrumento de medição da SI, baseado na Escala de Sugestionabilidade Interrogativa de Gudjonsson, com duas versões: uma versão visual, que consistia na apresentação de um vídeo sem som e uma versão verbal com a descrição oral do acontecimento apresentado no vídeo. Foram, então, comparadas duas amostras, uma respeitante à apresentação visual e a outra relativa à apresentação verbal da informação, constituídas por 40 adolescentes cada, dos 15 aos 18 anos de idade, com uma distribuição igualitária no que diz respeito ao género. Foi também explorada neste estudo a memória do acontecimento apresentado e a relação entre as medidas de SI e a inteligência não-verbal, a atenção seletiva, a desejabilidade social e variáveis de personalidade como o neuroticismo, a extroversão e a amabilidade. Os resultados obtidos revelaram que as duas amostras diferiam significativamente no que diz respeito às medidas de SI e também de memória. O grupo ao qual foi aplicada a versão verbal apresentou resultados médios mais elevados na memória e mais baixos na SI. Relativamente às correlações com as outras variáveis em estudo, estas foram diferentes para cada um dos grupos. No grupo que respondeu à versão verbal a Desejabilidade Social surgiu correlacionada com todas as medidas de SI, exceto a Cedência 1, o Neuroticismo estava correlacionado com todas as medidas de SI, exceto a Mudança e a Amabilidade apresentou uma correlação com a Cedência 1 e a Sugestionabilidade Total. Por seu lado, no grupo ao qual foi administrada a versão visual apenas a variável Extroversão surgiu correlacionada com todas as medidas de SI com exceção da Cedência 2. Contudo, todas estas correlações foram baixas, excetuando a relação entre Extroversão e Sugestionabilidade Total que foi moderada. Concluímos, assim, que quando os sujeitos estão perante um estímulo visual a sua tendência para ceder à SI é maior e a sua evocação exata do acontecimento é menor. Os resultados obtidos neste estudo parecem indicar a necessidade de desenvolvimento de um instrumento de avaliação da SI que recorra à apresentação visual da informação, tal como sucede na maioria dos testemunhos em contexto forense. Concluí-se também que, possivelmente, as variáveis que influenciam a SI perante modalidades diferentes de apresentação da informação são, também elas, distintas.
Autores principais:Correia, Ana Raquel Póvoa
Assunto:Inteligência não-verbal Desejabilidade social
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Este estudo teve como objectivo principal perceber se existiriam diferenças de Sugestionabilidade Interrogativa (SI) quando a informação sobre um acontecimento é apresentada aos sujeitos verbalmente ou visualmente. Para tal foi criado um instrumento de medição da SI, baseado na Escala de Sugestionabilidade Interrogativa de Gudjonsson, com duas versões: uma versão visual, que consistia na apresentação de um vídeo sem som e uma versão verbal com a descrição oral do acontecimento apresentado no vídeo. Foram, então, comparadas duas amostras, uma respeitante à apresentação visual e a outra relativa à apresentação verbal da informação, constituídas por 40 adolescentes cada, dos 15 aos 18 anos de idade, com uma distribuição igualitária no que diz respeito ao género. Foi também explorada neste estudo a memória do acontecimento apresentado e a relação entre as medidas de SI e a inteligência não-verbal, a atenção seletiva, a desejabilidade social e variáveis de personalidade como o neuroticismo, a extroversão e a amabilidade. Os resultados obtidos revelaram que as duas amostras diferiam significativamente no que diz respeito às medidas de SI e também de memória. O grupo ao qual foi aplicada a versão verbal apresentou resultados médios mais elevados na memória e mais baixos na SI. Relativamente às correlações com as outras variáveis em estudo, estas foram diferentes para cada um dos grupos. No grupo que respondeu à versão verbal a Desejabilidade Social surgiu correlacionada com todas as medidas de SI, exceto a Cedência 1, o Neuroticismo estava correlacionado com todas as medidas de SI, exceto a Mudança e a Amabilidade apresentou uma correlação com a Cedência 1 e a Sugestionabilidade Total. Por seu lado, no grupo ao qual foi administrada a versão visual apenas a variável Extroversão surgiu correlacionada com todas as medidas de SI com exceção da Cedência 2. Contudo, todas estas correlações foram baixas, excetuando a relação entre Extroversão e Sugestionabilidade Total que foi moderada. Concluímos, assim, que quando os sujeitos estão perante um estímulo visual a sua tendência para ceder à SI é maior e a sua evocação exata do acontecimento é menor. Os resultados obtidos neste estudo parecem indicar a necessidade de desenvolvimento de um instrumento de avaliação da SI que recorra à apresentação visual da informação, tal como sucede na maioria dos testemunhos em contexto forense. Concluí-se também que, possivelmente, as variáveis que influenciam a SI perante modalidades diferentes de apresentação da informação são, também elas, distintas.