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A fibrilhação auricular não valvular e o acidente vascular cerebral

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Resumo:Introdução A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais comum na população ocidental. Estima-se que 6 milhões de pessoas na Europa têm fibrilhação auricular. O acidente vascular cerebral tromboembólico constitui a complicação mais grave deste tipo de arritmia. Objectivos e Métodos Este trabalho de revisão teve por objectivo analisar a associação entre a fibrilhação auricular não-valvular e o acidente vascular cerebral isquémico. Abordou-se a epidemiologia, etiologia e fisiopatologia e deu-se particular ênfase ao diagnóstico e às actuais recomendações terapêuticas no âmbito da prevenção de eventos cardioembólicos. Foram consultados, através dos motores de busca Pubmed, Medline, Emedicine, um conjunto de artigos científicos que versavam os tópicos: «fibrilhação auricular» e «acidente vascular cerebral». Desenvolvimento Os doentes com fibrilhação auricular, cuja prevalência tem vindo a aumentar, apresentam um risco cinco vezes maior de desenvolver um acidente vascular cerebral isquémico em relação à população geral. Admite-se ainda que esta arritmia responda por cerca de 20% de todos os acidentes vasculares cerebrais isquémicos. Estes eventos cardioembólicos, no contexto de fibrilhação auricular, são habitualmente mais graves e causam maior compromisso funcional do que os atribuídos a outra etiologia. A primeira manifestação de fibrilhação auricular é frequentemente um acidente vascular cerebral isquémico. Assim, todo o enfoque deve ser colocado na detecção precoce deste tipo de arritmia, designadamente através de estratégias coordenadas de rastreio. Uma vez efectuado o diagnóstico de fibrilhação auricular, as medidas a instituir baseiam-se em dois pressupostos: o controlo/ abolição da arritmia (terapêutica «upstream») e a prevenção dos eventos tromboembólicos («downstream»). O score CHADS2 permite a estratificação deste risco e, desta forma, apresenta-se como o método adequado para a definição da melhor estratégia terapêutica. Em doentes com um score igual ou superior a 2 está indicada a terapêutica anticoagulante com antagonistas da vitamina K, que se traduz numa redução de risco relativo de 62%. Apesar da sua eficácia, estes fármacos exigem uma monitorização especial e apresentam um elevado número de interacções (alimentos, outros fármacos). Os resultados do estudo RE-LY recentemente publicados, demonstraram que o inibidor directo da trombina dabigatran, quando comparado com o varfarina, apresenta uma eficácia não inferior na dose de 110 mg duas vezes/dia e resulta numa redução significativa no número de hemorragias major. Na dose de 150 mg, administrada em duas tomas diárias, revelou uma eficácia superior. Apesar do seu elevado preço, tem a vantagem de não exigir uma monitorização laboratorial apertada. Apresenta-se, desta forma, como uma terapêutica altamente promissora, estando por definir, no entanto, os sub-grupos nos quais se constitui como terapêutica de primeira linha. Apesar dos recentes desenvolvimentos, não existe, no momento, evidência clínica robusta de benefício a longo prazo das diversas abordagens cirúrgicas ou percutâneas, no sentido de promover a ablação da FA ou prevenção dos eventos tromboembólicos. Conclusão A fibrilhação auricular constitui-se como um dos principais problemas de saúde pública no âmbito das doenças cardiovasculares. Apresentam-se, neste trabalho, as medidas que conduzam à sua detecção precoce e, na sua presença, à estratificação do risco de modo a definir a melhor abordagem terapêutica que previna os eventos tromboembólicos.
Autores principais:Viveiros, Octávio Domingos Maciel
Outros Autores:Viveiros, Octávio Domingos Maciel
Assunto:Fibrilhação auricular Diagnóstico Terapêutica Acidente vascular cerebral
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais comum na população ocidental. Estima-se que 6 milhões de pessoas na Europa têm fibrilhação auricular. O acidente vascular cerebral tromboembólico constitui a complicação mais grave deste tipo de arritmia. Objectivos e Métodos Este trabalho de revisão teve por objectivo analisar a associação entre a fibrilhação auricular não-valvular e o acidente vascular cerebral isquémico. Abordou-se a epidemiologia, etiologia e fisiopatologia e deu-se particular ênfase ao diagnóstico e às actuais recomendações terapêuticas no âmbito da prevenção de eventos cardioembólicos. Foram consultados, através dos motores de busca Pubmed, Medline, Emedicine, um conjunto de artigos científicos que versavam os tópicos: «fibrilhação auricular» e «acidente vascular cerebral». Desenvolvimento Os doentes com fibrilhação auricular, cuja prevalência tem vindo a aumentar, apresentam um risco cinco vezes maior de desenvolver um acidente vascular cerebral isquémico em relação à população geral. Admite-se ainda que esta arritmia responda por cerca de 20% de todos os acidentes vasculares cerebrais isquémicos. Estes eventos cardioembólicos, no contexto de fibrilhação auricular, são habitualmente mais graves e causam maior compromisso funcional do que os atribuídos a outra etiologia. A primeira manifestação de fibrilhação auricular é frequentemente um acidente vascular cerebral isquémico. Assim, todo o enfoque deve ser colocado na detecção precoce deste tipo de arritmia, designadamente através de estratégias coordenadas de rastreio. Uma vez efectuado o diagnóstico de fibrilhação auricular, as medidas a instituir baseiam-se em dois pressupostos: o controlo/ abolição da arritmia (terapêutica «upstream») e a prevenção dos eventos tromboembólicos («downstream»). O score CHADS2 permite a estratificação deste risco e, desta forma, apresenta-se como o método adequado para a definição da melhor estratégia terapêutica. Em doentes com um score igual ou superior a 2 está indicada a terapêutica anticoagulante com antagonistas da vitamina K, que se traduz numa redução de risco relativo de 62%. Apesar da sua eficácia, estes fármacos exigem uma monitorização especial e apresentam um elevado número de interacções (alimentos, outros fármacos). Os resultados do estudo RE-LY recentemente publicados, demonstraram que o inibidor directo da trombina dabigatran, quando comparado com o varfarina, apresenta uma eficácia não inferior na dose de 110 mg duas vezes/dia e resulta numa redução significativa no número de hemorragias major. Na dose de 150 mg, administrada em duas tomas diárias, revelou uma eficácia superior. Apesar do seu elevado preço, tem a vantagem de não exigir uma monitorização laboratorial apertada. Apresenta-se, desta forma, como uma terapêutica altamente promissora, estando por definir, no entanto, os sub-grupos nos quais se constitui como terapêutica de primeira linha. Apesar dos recentes desenvolvimentos, não existe, no momento, evidência clínica robusta de benefício a longo prazo das diversas abordagens cirúrgicas ou percutâneas, no sentido de promover a ablação da FA ou prevenção dos eventos tromboembólicos. Conclusão A fibrilhação auricular constitui-se como um dos principais problemas de saúde pública no âmbito das doenças cardiovasculares. Apresentam-se, neste trabalho, as medidas que conduzam à sua detecção precoce e, na sua presença, à estratificação do risco de modo a definir a melhor abordagem terapêutica que previna os eventos tromboembólicos.