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Gramatica da Forma da Sistematização da Coluna de Alberti

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Summary:Os resultados da investigação que relaciona a teoria de Alberti com a geração de alguns edifícios são apresentados e desenvolvidos nesta tese. A interpretação do tratado Da Arte Edificatória de Leon Battista Alberti, nomeadamente os Livros VI, VII, VIII e IX, teve como resultado a construção de uma gramática da forma: gramática da forma do sistema da coluna. Entende-se a coluna como elemento central do ornamento da arquitectura do Renascimento, utilizando-se as suas partes constituintes (pedestal, base, fuste, capitel e entablamento) como elementos básicos de um vocabulário genérico com o fim de proceder à composição de partes dos edifícios em análise. A gramática da forma produzida é uma gramática de pormenorização, que propõe a geração de determinadas partes dos edifícios, como a suas fachadas, paredes, tectos e demais elementos construtivos assentes na evocação e manipulação de regras subjacentes aos seus elementos ornamentais, em detrimento da utilização sistemática dos elementos estruturais de edifícios. O corpus ao qual a gramática se fundamenta para a extracção das suas regras é aquele definido pelos Livros acima mencionados, ou seja o texto de Alberti, bem como alguns elementos de edifícios escolhidos que são amplamente aceites como tendo sido de concepção de arquitectura de Alberti. A reunião desta informação permitiu encontrar um conjunto de regras que definem a gramática da forma da sistematização da coluna. A arquitectura, assim como a maior parte das outras manifestações culturais, artísticas, socias e políticas de origem portuguesa, está presente em vários continentes tendo início esse périplo de divulgação e consolidação de saberes por volta do séc. XIV como consequência da expansão das influências lusitanas levadas pelos navegadores portugueses. Um dos traços mais marcantes desse período é relativo à difusão da língua portuguesa e também à construção promovida nos locais conquistados. Para compreender a génese das construções nesses sítios, é também necessário compreender as transformações verificadas no modo de conceber a arquitectura pelos seus operadores além-mar e que, provavelmente, o influenciaram. A definição desses aspectos relativos à arquitectura portuguesa pressupõe uma atenta observação da controvérsia levantada por alguns autores, nomeadamente Reynaldo dos Santos (1968/70, p. 175, 2º vol.) para quem a Renascença é um estilo estrangeiro e que não teve implicações no desenvolvimento da arquitectura portuguesa. Opinião semelhante relativamente à implementação daquele estilo em Portugal tem Pais da Silva (1966) que sugere uma transição directa entre o estilo Manuelino para o Maneirismo sem conhecimento do período renascentista. No entanto, mais recentemente, Rafael Moreira (1991; 1995) ao estudar um conjunto de edifícios entre o estilo Manuelino e o modo de conceber a romana identificou cerca de 150 edifícios que, pelas suas características formais, classificou como pertencentes à orbita renascentista. A nossa abordagem não sendo histórica poderá, no entanto, contribuir para a clarificação de alguns aspectos referentes ao tipo de estilo adoptado por determinados arquitectos e quais as relações inerentes às soluções arquitectónicas com outros elementos, quer sejam teóricos (no caso do tratado), quer sejam construídos (que, no caso especifico desta investigação, advém das especificações do tratado). Deste modo, pretende-se enriquecer o debate fornecendo um modelo que, alicerçado na experiência, permita alcançar um conjunto de dados a utilizar noutras área de conhecimento. A estratégia escolhida utiliza uma ferramenta generativa que, aplicando de modo recursivo um conjunto de regras procedentes directamente do texto Da Arte Edificatória de Alberti, tem a capacidade de gerar os edifícios em análise, permitindo compreender quais as regras que, de modo directo, são consistentes com o edifício produzido e quais são necessárias adicionar, subtrair e transformar de modo a conseguir o seu resultado compositivo. Neste sentido, propomos olhar para o tratado (em particular para aqueles capítulos dos Livros que descrevem o sistema da coluna) como um algoritmo ou conjunto de algoritmos com a sua estrutura própria. Tomamos a definição de Stiny e Gyps (1980) segundo a qual um algoritmo é uma afirmação explícita da sequência de operações necessárias para efectuar uma determinada tarefa. A estrutura algorítmica permitiu aplicar de modo sólido as instruções descritas por Alberti, gerando diferentes edifícios. Sugere-se que as prescrições contidas no texto poderão ser passadas entre os arquitectos e reutilizadas por outros tratadistas do mesmo modo que essas mesmas “regras” foram interpretadas e reintegradas na arquitectura renascentista, enquanto novidade relativamente à gótica. Assim, para elaborar esta investigação de doutoramento, foram elaboradas as seguintes hipóteses: 1) É possível transpor as instruções contidas no tratado permitindo proceder ao desenho do sistema da coluna numa gramática da forma que, por sua vez, tem a capacidade de descrever, de forma rigorosa, a geração desses elementos evidenciando a natureza algorítmica de parte do tratado Da Arte Edificatória. 2) É exequível verificar em que medida alguns exemplares da obra construída de Alberti e de edifícios construídos no período próximo da contra-reforma em Portugal (em rigor, de partes destes), nomeadamente a fachada do palácio Rucellai em Florença, o alçado lateral da nave central da Igreja de Sant`Andrea em Mântua, a fachada do palácio Ducal em Vila Viçosa e o alçado lateral da nave central da Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa, seguem as regras do tratado. 3) É possível apurar qual o grau de coincidência entre as regras do sistema da coluna descrito no tratado de Alberti e as regras do sistema da coluna utilizadas na geração de partes de edifícios acima referidos. Tais hipóteses têm o objectivo de dar pista para a resolução da problemática encontrada, isto é: Os historiadores têm-se debatido acerca da existência de uma fase renascentista de características semelhantes à Italiana em Portugal, bem como se houve influência de Alberti na arquitectura construída nesse período. A presente tese propõem então que sistematizando as transformações ocorridas nas gramáticas, é possível verificar o grau de coincidência entre a aplicação das descrições do tratado Da Arte Edificatória e dos edifícios em análise, constatando-se a coincidência e concordância na aplicação das prescrições de Alberti, o que sugere que os construtores desses edifícios tinham conhecimento das descrições do tratado. A metodologia empregue é aquela subjacente ao formalismo teórico inerente à construção de uma gramática da forma, gramática descritiva e da implementação de um processo de verificação e avaliação das transformações ocorridas na aplicação da gramática da forma da sistematização da coluna. Quantificou-se (anotando os valores das diferenças entre os elementos existentes na gramática e aqueles necessários para gerar cada elemento arquitectónico pretendido) e qualificaram-se (verificando-se em que estágio de derivação algumas das regras foram transformadas) as diversas aplicações das regras das gramáticas. No entanto, em alguns casos, a geração de elementos dos edifícios em análise não foi passível de serem gerados alterando somente aspectos de natureza paramétrica, como as relações entre as variáveis associadas à altura, largura ou profundidade dos diferentes elementos, ou da natureza topológica no que respeita aos elementos constituintes da morfologia das diferentes partes. No entanto essas formas, sujeitas a sucessivas transformações, permitiram encontrar novas formas. A presente tese é composta por 6 capítulos: No primeiro capítulo, efectua-se a introdução à problemática e à hipótese de solução e, finalmente, é apresentada a demonstração da solução obtida. No segundo capítulo, é feita uma contextualização do tratado Da Arte Edificatória entre aqueles que são amplamente considerados como relevantes e estruturantes para a teoria e prática da Arquitectura do Renascimento. O estado da arte é sistematizado de modo a compreender a validade e actualidade da metodologia e ferramentas utilizadas de modo a dar resposta à problemática. Finalmente, é fornecido um conjunto de conceitos técnicos relativos para a construção da ferramenta adoptada para a elaboração da tese, a gramática da forma. O terceiro capítulo é centrado na construção da gramática da forma do sistema da coluna que advêm directamente das descrições do tratado. Por esse facto expõem-se as especificidades do tratado de Alberti, mostrando o processo de codificação do texto do tratado, além do tratamento das descrições nele contidas e que permitem constituir um conjunto de regras com o fim de gerar os diferentes elementos do sistema da coluna e suas combinações, com o objectivo de as sistematizar nos capítulos consequentes. O quarto capítulo é dedicado à geração de fachada do palácio Rucellai em Florença e do alçado lateral da nave central da igreja de Sant`Andrea em Mântua, edifícios considerados como sendo de concepção de Alberti. A maioria das regras advêm da gramática do intercolúnio directamente extraídas do tratado. No entanto, elaborou-se um conjunto de regras de reconhecimento de elementos dados a priori e que permitiram iniciar a aplicação das restantes regras. Estas regras de caracter genérico foram utilizadas no capítulo seguinte. No fim da geração das partes dos dois edifícios em análise, compilaram-se as regras transformadas de modo a compreenderem-se as suas aplicações e como ocorrem no correspondente processo de derivação das regras. O quinto capítulo centra-se na geração da fachada do palácio Ducal de Vila Viçosa e do alçado lateral da nave central da igreja de São Vicente de Fora em Lisboa. Mostrou-se a derivação das gramáticas e, posteriormente, mostraram-se as transformações efectuadas às regras do tratado, necessárias para obter o resultado final. No sexto capítulo mostra-se o grau de coincidência na aplicação das regras e que sugerem a possibilidade dos autores das obras arquitectónicas analisadas terem utilizado as regras do tratado, evidenciando-se a influência da teoria de Alberti nas decisões projectuais levadas a cabo com impacto na aplicação da ornamentação nessas edificações. No sétimo capítulo, elencam-se os contributos e as futuras aplicações dos sistemas e metodologias aplicados. Resultados Os resultados demonstram que é possível gerar o sistema da coluna utilizando as regras contidas nas descrições do tratado de Alberti. É possível gerar parte dos edifícios eleitos para análise, nomeadamente a fachada do palácio Rucellai, o alçado lateral da nave central da Igreja de Sant`Andrea, a fachada do palácio Ducal e o alçado lateral da nave central da Igreja de São Vicente de Fora, utilizando as regras extraídas do tratado e essas regras transformadas, sugerindo deste modo que esses edifícios seguem as regras do tratado. A análise do grau de coincidência, através de um Modelo de Regressão Linear Simples, entre as regras do sistema da coluna descrito no tratado de Alberti e as regras transformadas do sistema da coluna aplicados na geração de partes dos edifícios acima referidos, deu-nos um resultado moderado relativamente à capacidade que o tratado tem para explicar a aplicação, ou não, das regras do sistema da coluna nos edifícios em análise, insinuando que os arquitectos daquelas construções teriam, em parte, utilizado prescrições semelhantes às do tratado Da Arte Edificatória.
Main Authors:Quaresma, Pedro Filipe Coutinho Cabral d'Oliveira
Subject:Alberti Gramática da forma Projecto com base em regras Fabrico digital Modelação inversa
Year:2014
Country:Portugal
Document type:doctoral thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Coimbra
Language:Portuguese
Origin:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Description
Summary:Os resultados da investigação que relaciona a teoria de Alberti com a geração de alguns edifícios são apresentados e desenvolvidos nesta tese. A interpretação do tratado Da Arte Edificatória de Leon Battista Alberti, nomeadamente os Livros VI, VII, VIII e IX, teve como resultado a construção de uma gramática da forma: gramática da forma do sistema da coluna. Entende-se a coluna como elemento central do ornamento da arquitectura do Renascimento, utilizando-se as suas partes constituintes (pedestal, base, fuste, capitel e entablamento) como elementos básicos de um vocabulário genérico com o fim de proceder à composição de partes dos edifícios em análise. A gramática da forma produzida é uma gramática de pormenorização, que propõe a geração de determinadas partes dos edifícios, como a suas fachadas, paredes, tectos e demais elementos construtivos assentes na evocação e manipulação de regras subjacentes aos seus elementos ornamentais, em detrimento da utilização sistemática dos elementos estruturais de edifícios. O corpus ao qual a gramática se fundamenta para a extracção das suas regras é aquele definido pelos Livros acima mencionados, ou seja o texto de Alberti, bem como alguns elementos de edifícios escolhidos que são amplamente aceites como tendo sido de concepção de arquitectura de Alberti. A reunião desta informação permitiu encontrar um conjunto de regras que definem a gramática da forma da sistematização da coluna. A arquitectura, assim como a maior parte das outras manifestações culturais, artísticas, socias e políticas de origem portuguesa, está presente em vários continentes tendo início esse périplo de divulgação e consolidação de saberes por volta do séc. XIV como consequência da expansão das influências lusitanas levadas pelos navegadores portugueses. Um dos traços mais marcantes desse período é relativo à difusão da língua portuguesa e também à construção promovida nos locais conquistados. Para compreender a génese das construções nesses sítios, é também necessário compreender as transformações verificadas no modo de conceber a arquitectura pelos seus operadores além-mar e que, provavelmente, o influenciaram. A definição desses aspectos relativos à arquitectura portuguesa pressupõe uma atenta observação da controvérsia levantada por alguns autores, nomeadamente Reynaldo dos Santos (1968/70, p. 175, 2º vol.) para quem a Renascença é um estilo estrangeiro e que não teve implicações no desenvolvimento da arquitectura portuguesa. Opinião semelhante relativamente à implementação daquele estilo em Portugal tem Pais da Silva (1966) que sugere uma transição directa entre o estilo Manuelino para o Maneirismo sem conhecimento do período renascentista. No entanto, mais recentemente, Rafael Moreira (1991; 1995) ao estudar um conjunto de edifícios entre o estilo Manuelino e o modo de conceber a romana identificou cerca de 150 edifícios que, pelas suas características formais, classificou como pertencentes à orbita renascentista. A nossa abordagem não sendo histórica poderá, no entanto, contribuir para a clarificação de alguns aspectos referentes ao tipo de estilo adoptado por determinados arquitectos e quais as relações inerentes às soluções arquitectónicas com outros elementos, quer sejam teóricos (no caso do tratado), quer sejam construídos (que, no caso especifico desta investigação, advém das especificações do tratado). Deste modo, pretende-se enriquecer o debate fornecendo um modelo que, alicerçado na experiência, permita alcançar um conjunto de dados a utilizar noutras área de conhecimento. A estratégia escolhida utiliza uma ferramenta generativa que, aplicando de modo recursivo um conjunto de regras procedentes directamente do texto Da Arte Edificatória de Alberti, tem a capacidade de gerar os edifícios em análise, permitindo compreender quais as regras que, de modo directo, são consistentes com o edifício produzido e quais são necessárias adicionar, subtrair e transformar de modo a conseguir o seu resultado compositivo. Neste sentido, propomos olhar para o tratado (em particular para aqueles capítulos dos Livros que descrevem o sistema da coluna) como um algoritmo ou conjunto de algoritmos com a sua estrutura própria. Tomamos a definição de Stiny e Gyps (1980) segundo a qual um algoritmo é uma afirmação explícita da sequência de operações necessárias para efectuar uma determinada tarefa. A estrutura algorítmica permitiu aplicar de modo sólido as instruções descritas por Alberti, gerando diferentes edifícios. Sugere-se que as prescrições contidas no texto poderão ser passadas entre os arquitectos e reutilizadas por outros tratadistas do mesmo modo que essas mesmas “regras” foram interpretadas e reintegradas na arquitectura renascentista, enquanto novidade relativamente à gótica. Assim, para elaborar esta investigação de doutoramento, foram elaboradas as seguintes hipóteses: 1) É possível transpor as instruções contidas no tratado permitindo proceder ao desenho do sistema da coluna numa gramática da forma que, por sua vez, tem a capacidade de descrever, de forma rigorosa, a geração desses elementos evidenciando a natureza algorítmica de parte do tratado Da Arte Edificatória. 2) É exequível verificar em que medida alguns exemplares da obra construída de Alberti e de edifícios construídos no período próximo da contra-reforma em Portugal (em rigor, de partes destes), nomeadamente a fachada do palácio Rucellai em Florença, o alçado lateral da nave central da Igreja de Sant`Andrea em Mântua, a fachada do palácio Ducal em Vila Viçosa e o alçado lateral da nave central da Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa, seguem as regras do tratado. 3) É possível apurar qual o grau de coincidência entre as regras do sistema da coluna descrito no tratado de Alberti e as regras do sistema da coluna utilizadas na geração de partes de edifícios acima referidos. Tais hipóteses têm o objectivo de dar pista para a resolução da problemática encontrada, isto é: Os historiadores têm-se debatido acerca da existência de uma fase renascentista de características semelhantes à Italiana em Portugal, bem como se houve influência de Alberti na arquitectura construída nesse período. A presente tese propõem então que sistematizando as transformações ocorridas nas gramáticas, é possível verificar o grau de coincidência entre a aplicação das descrições do tratado Da Arte Edificatória e dos edifícios em análise, constatando-se a coincidência e concordância na aplicação das prescrições de Alberti, o que sugere que os construtores desses edifícios tinham conhecimento das descrições do tratado. A metodologia empregue é aquela subjacente ao formalismo teórico inerente à construção de uma gramática da forma, gramática descritiva e da implementação de um processo de verificação e avaliação das transformações ocorridas na aplicação da gramática da forma da sistematização da coluna. Quantificou-se (anotando os valores das diferenças entre os elementos existentes na gramática e aqueles necessários para gerar cada elemento arquitectónico pretendido) e qualificaram-se (verificando-se em que estágio de derivação algumas das regras foram transformadas) as diversas aplicações das regras das gramáticas. No entanto, em alguns casos, a geração de elementos dos edifícios em análise não foi passível de serem gerados alterando somente aspectos de natureza paramétrica, como as relações entre as variáveis associadas à altura, largura ou profundidade dos diferentes elementos, ou da natureza topológica no que respeita aos elementos constituintes da morfologia das diferentes partes. No entanto essas formas, sujeitas a sucessivas transformações, permitiram encontrar novas formas. A presente tese é composta por 6 capítulos: No primeiro capítulo, efectua-se a introdução à problemática e à hipótese de solução e, finalmente, é apresentada a demonstração da solução obtida. No segundo capítulo, é feita uma contextualização do tratado Da Arte Edificatória entre aqueles que são amplamente considerados como relevantes e estruturantes para a teoria e prática da Arquitectura do Renascimento. O estado da arte é sistematizado de modo a compreender a validade e actualidade da metodologia e ferramentas utilizadas de modo a dar resposta à problemática. Finalmente, é fornecido um conjunto de conceitos técnicos relativos para a construção da ferramenta adoptada para a elaboração da tese, a gramática da forma. O terceiro capítulo é centrado na construção da gramática da forma do sistema da coluna que advêm directamente das descrições do tratado. Por esse facto expõem-se as especificidades do tratado de Alberti, mostrando o processo de codificação do texto do tratado, além do tratamento das descrições nele contidas e que permitem constituir um conjunto de regras com o fim de gerar os diferentes elementos do sistema da coluna e suas combinações, com o objectivo de as sistematizar nos capítulos consequentes. O quarto capítulo é dedicado à geração de fachada do palácio Rucellai em Florença e do alçado lateral da nave central da igreja de Sant`Andrea em Mântua, edifícios considerados como sendo de concepção de Alberti. A maioria das regras advêm da gramática do intercolúnio directamente extraídas do tratado. No entanto, elaborou-se um conjunto de regras de reconhecimento de elementos dados a priori e que permitiram iniciar a aplicação das restantes regras. Estas regras de caracter genérico foram utilizadas no capítulo seguinte. No fim da geração das partes dos dois edifícios em análise, compilaram-se as regras transformadas de modo a compreenderem-se as suas aplicações e como ocorrem no correspondente processo de derivação das regras. O quinto capítulo centra-se na geração da fachada do palácio Ducal de Vila Viçosa e do alçado lateral da nave central da igreja de São Vicente de Fora em Lisboa. Mostrou-se a derivação das gramáticas e, posteriormente, mostraram-se as transformações efectuadas às regras do tratado, necessárias para obter o resultado final. No sexto capítulo mostra-se o grau de coincidência na aplicação das regras e que sugerem a possibilidade dos autores das obras arquitectónicas analisadas terem utilizado as regras do tratado, evidenciando-se a influência da teoria de Alberti nas decisões projectuais levadas a cabo com impacto na aplicação da ornamentação nessas edificações. No sétimo capítulo, elencam-se os contributos e as futuras aplicações dos sistemas e metodologias aplicados. Resultados Os resultados demonstram que é possível gerar o sistema da coluna utilizando as regras contidas nas descrições do tratado de Alberti. É possível gerar parte dos edifícios eleitos para análise, nomeadamente a fachada do palácio Rucellai, o alçado lateral da nave central da Igreja de Sant`Andrea, a fachada do palácio Ducal e o alçado lateral da nave central da Igreja de São Vicente de Fora, utilizando as regras extraídas do tratado e essas regras transformadas, sugerindo deste modo que esses edifícios seguem as regras do tratado. A análise do grau de coincidência, através de um Modelo de Regressão Linear Simples, entre as regras do sistema da coluna descrito no tratado de Alberti e as regras transformadas do sistema da coluna aplicados na geração de partes dos edifícios acima referidos, deu-nos um resultado moderado relativamente à capacidade que o tratado tem para explicar a aplicação, ou não, das regras do sistema da coluna nos edifícios em análise, insinuando que os arquitectos daquelas construções teriam, em parte, utilizado prescrições semelhantes às do tratado Da Arte Edificatória.