Publicação
Prevenção da Restrição do Crescimento Fetal
| Resumo: | Introdução: A restrição do crescimento fetal é uma complicação da gravidez responsável por desfechos obstétricos adversos, como morte fetal in útero, morte neonatal e outras comorbilidades pré e pós-natais. A prevenção farmacológica da restrição do crescimento fetal constitui, atualmente, um desafio, uma vez que nenhum fármaco se encontra aprovado para esse efeito. Materiais e métodos: Realizou-se uma pesquisa da literatura publicada nas bases de dados PubMed e ScienceDirect, através da aplicação das palavras-chave. Foram selecionados artigos publicados entre 2016 e 2022, que relacionassem a utilização de terapêutica farmacológica com a diminuição da incidência da restrição do crescimento fetal ou de eventos adversos associados a esta patologia. Resultados: Vários estudos demonstraram que a administração de 100 a 150 mg de ácido acetilsalicílico antes das 16 semanas de idade gestacional diminui significativamente a restrição do crescimento fetal. A administração de heparina de baixo peso molecular antes das 16 semanas de idade gestacional tem mostrado resultados bastante díspares na prevenção da restrição do crescimento fetal, mas uma ação promissora na melhoria da circulação maternofetal. Os estudos com pravastatina têm demonstrado uma ação benéfica deste fármaco ao nível dos biomarcadores pró-angiogénicos e de outros outcomes secundários, como a idade gestacional e o peso fetal ao nascimento. A utilização do sildenafil apresenta alguma controvérsia pelo facto de, em ensaios clínicos realizados, ter ocorrido aumento dos casos de hipertensão pulmonar neonatal associada a este fármaco. Alguns estudos demonstram melhoria na circulação materno-placentária e em outcomes obstétricos, como a idade gestacional e peso fetal ao nascimento, com a administração de sildenafil após o diagnóstico de restrição do crescimento fetal. Conclusão: A restrição do crescimento fetal é uma complicação obstétrica que apresenta uma prevalência entre 3 a 7% e uma recorrência de cerca de 25% e, por isso, é fundamental fazer uma abordagem individual do seu risco. O ácido acetilsalicílico e a heparina de baixo peso molecular são fármacos já utilizados de forma segura na prática clínica em algumas patologias obstétricas. A sua ação promissora na prevenção da restrição do crescimento fetal e na melhoria da fluxometria doppler da circulação maternofetal evidencia que, poderão vir a ser fármacos eficazes na profilaxia da restrição do crescimento fetal. A pravastatina e o sildenafil, apesar de usados apenas em estudos, têm demonstrado resultados benéficos em outcomes obstétricos para gravidezes de alto risco. |
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| Autores principais: | Martins, Ana Margarida Mata Leal |
| Assunto: | Restrição do Crescimento Fetal Aspirina Heparina de Baixo Peso Molecular Pravastatina Sildenafil Fetal Growth Restriction Aspirin Low-Molecular-Weight Heparin Pravastatin Sildenafil |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: A restrição do crescimento fetal é uma complicação da gravidez responsável por desfechos obstétricos adversos, como morte fetal in útero, morte neonatal e outras comorbilidades pré e pós-natais. A prevenção farmacológica da restrição do crescimento fetal constitui, atualmente, um desafio, uma vez que nenhum fármaco se encontra aprovado para esse efeito. Materiais e métodos: Realizou-se uma pesquisa da literatura publicada nas bases de dados PubMed e ScienceDirect, através da aplicação das palavras-chave. Foram selecionados artigos publicados entre 2016 e 2022, que relacionassem a utilização de terapêutica farmacológica com a diminuição da incidência da restrição do crescimento fetal ou de eventos adversos associados a esta patologia. Resultados: Vários estudos demonstraram que a administração de 100 a 150 mg de ácido acetilsalicílico antes das 16 semanas de idade gestacional diminui significativamente a restrição do crescimento fetal. A administração de heparina de baixo peso molecular antes das 16 semanas de idade gestacional tem mostrado resultados bastante díspares na prevenção da restrição do crescimento fetal, mas uma ação promissora na melhoria da circulação maternofetal. Os estudos com pravastatina têm demonstrado uma ação benéfica deste fármaco ao nível dos biomarcadores pró-angiogénicos e de outros outcomes secundários, como a idade gestacional e o peso fetal ao nascimento. A utilização do sildenafil apresenta alguma controvérsia pelo facto de, em ensaios clínicos realizados, ter ocorrido aumento dos casos de hipertensão pulmonar neonatal associada a este fármaco. Alguns estudos demonstram melhoria na circulação materno-placentária e em outcomes obstétricos, como a idade gestacional e peso fetal ao nascimento, com a administração de sildenafil após o diagnóstico de restrição do crescimento fetal. Conclusão: A restrição do crescimento fetal é uma complicação obstétrica que apresenta uma prevalência entre 3 a 7% e uma recorrência de cerca de 25% e, por isso, é fundamental fazer uma abordagem individual do seu risco. O ácido acetilsalicílico e a heparina de baixo peso molecular são fármacos já utilizados de forma segura na prática clínica em algumas patologias obstétricas. A sua ação promissora na prevenção da restrição do crescimento fetal e na melhoria da fluxometria doppler da circulação maternofetal evidencia que, poderão vir a ser fármacos eficazes na profilaxia da restrição do crescimento fetal. A pravastatina e o sildenafil, apesar de usados apenas em estudos, têm demonstrado resultados benéficos em outcomes obstétricos para gravidezes de alto risco. |
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