Publicação
Flora Microbiana, Sistema Imunitário e Atopia
| Resumo: | A microflora, particularmente a intestinal, pode representar (como se entende dos vários estudos realizados), um dos estímulos principais para uma maturação “normal” das funções imunológicas. A atopia é considerada uma patologia do foro imunitário com um predomínio Th2. O aumento da produção de IgE associada a antigénios do meio ambiente pode conduzir ao aparecimento de manifestações clínicas. Estudos recentes confirmam um aumento das doenças alérgicas (em que a resposta imunitária apresenta um domínio Th2) e das doenças auto imunes (em que a resposta imunitária apresenta um domínio Th1), sendo que, a ocorrência destas patologias é maior nos países industrializados. A hipótese da higiene propõe que este rápido aumento da atopia esteja relacionado com uma redução da exposição a infecções cedo na vida. Esta hipótese assenta em trabalhos que demonstram que a resposta imunitária a antigénios de microrganismos se acompanha da expressão preferencial de citocinas tipo Th1, contrabalançando a produção de citocinas Th2 característica dos recém-nascidos. A polarização Th2 aumenta a produção de IgE, atopia e doenças alérgicas. Por se saber que a estimulação microbiana primária, major, ocorre no ser humano com o estabelecimento da flora intestinal, tem-se sugerido que a exposição à microflora comensal possa representar uma chave moduladora do sistema imunitário contra a patrologia atópica. É esta interface, bactérias intestinais sistema imunitário das mucosas, que permite uma defesa dos microrganismos patogénicos e um estímulo para o sistema imunitário. Necessariamente, o sistema imunitário das mucosas precisa de estar em equilíbrio, sem o qual a maturação do sistema imunitário e a defesa do organismo poderão ser postas em causa. A relação entre a redução da incidência de doenças infecciosas e o aumento da incidência de patologia alérgica, por um lado, e o aparente efeito protector das infecções em relação a estas patologias mediadas pela resposta imunitária, por outro lado, conduzem à necessidade de comprovar esta evidência epidemiológica e de aumentar os estudos em relação a possíveis meios terapêuticos nesta área. |
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| Autores principais: | Mota-Pinto, Anabela |
| Outros Autores: | Todo-Bom, Ana |
| Assunto: | Flora Microbiana Sistema Imunitário Atopia |
| Ano: | 2004 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A microflora, particularmente a intestinal, pode representar (como se entende dos vários estudos realizados), um dos estímulos principais para uma maturação “normal” das funções imunológicas. A atopia é considerada uma patologia do foro imunitário com um predomínio Th2. O aumento da produção de IgE associada a antigénios do meio ambiente pode conduzir ao aparecimento de manifestações clínicas. Estudos recentes confirmam um aumento das doenças alérgicas (em que a resposta imunitária apresenta um domínio Th2) e das doenças auto imunes (em que a resposta imunitária apresenta um domínio Th1), sendo que, a ocorrência destas patologias é maior nos países industrializados. A hipótese da higiene propõe que este rápido aumento da atopia esteja relacionado com uma redução da exposição a infecções cedo na vida. Esta hipótese assenta em trabalhos que demonstram que a resposta imunitária a antigénios de microrganismos se acompanha da expressão preferencial de citocinas tipo Th1, contrabalançando a produção de citocinas Th2 característica dos recém-nascidos. A polarização Th2 aumenta a produção de IgE, atopia e doenças alérgicas. Por se saber que a estimulação microbiana primária, major, ocorre no ser humano com o estabelecimento da flora intestinal, tem-se sugerido que a exposição à microflora comensal possa representar uma chave moduladora do sistema imunitário contra a patrologia atópica. É esta interface, bactérias intestinais sistema imunitário das mucosas, que permite uma defesa dos microrganismos patogénicos e um estímulo para o sistema imunitário. Necessariamente, o sistema imunitário das mucosas precisa de estar em equilíbrio, sem o qual a maturação do sistema imunitário e a defesa do organismo poderão ser postas em causa. A relação entre a redução da incidência de doenças infecciosas e o aumento da incidência de patologia alérgica, por um lado, e o aparente efeito protector das infecções em relação a estas patologias mediadas pela resposta imunitária, por outro lado, conduzem à necessidade de comprovar esta evidência epidemiológica e de aumentar os estudos em relação a possíveis meios terapêuticos nesta área. |
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