Publicação
Percepção de perigo e coesão social: impacto dos factores sociais e comportamentos sedentários no estado nutricional das crianças do município da Lousã
| Resumo: | Objectivos: Ao longo dos últimos anos, o ambiente social tem vindo a ser identificado como um dos factores que influencia a obesidade infantil. Deste modo, o presente estudo pretende conhecer a associação entre a percepção de perigo e a percepção de coesão social experienciada pelos pais, assim como a relação destes dois factores sociais com a obesidade e o tempo de brincadeiras das crianças do município da Lousã. O último objectivo deste estudo é analisar a relação entre o IMC e o tempo de brincadeiras activas e comportamentos sedentários. Material e Métodos: Para o presente estudo foram considerados os valores de IMC e factores sociodemográficos, obtidos através de um inquérito respondido pelos pais de 536 crianças, com uma faixa etária dos 6 aos 9 anos, do município da Lousã. Para a avaliação do estado nutricional das crianças foram definidos pontos de corte ajustados ao sexo e idade. Para o tratamento das questões relacionadas com a percepção de coesão social procedeu-se a uma Análise de Componentes Principais Categóricos, resultando num índex, onde posteriormente foi dicotomizado (percepção negativa vs. percepção positiva). Na análise estatística foram utilizadas duas variáveis dependentes – IMC e percepção de coesão social – e cinco independentes – habilitações académicas do pai, habilitações académicas da mãe, comportamentos sedentários, comportamentos activos: brincadeiras, e percepção de perigo. Resultados: A associação entre a percepção de perigo e a percepção de coesão social, assim como o facto de as crianças brincarem na rua ou não, não foi estatisticamente significativa. O mesmo se verificou em relação a estes dois factores sociais e o IMC das crianças. Todavia, observou-se que as pessoas que não se sentem seguras na sua área residencial têm menos 36% de probabilidade de ter uma percepção de coesão social positiva do que as que se sentem seguras (OR=0,36; 95% IC [0,15-0,88] p=0,03). No entanto, no modelo de regressão ajustado esta associação deixou de ser significativa (OR=0,36; 95% IC [0,12-1,08]; p=0,07). Verificase ainda uma percepção quase 3 vezes maior de coesão social positiva na ausência de discussão violenta entre vizinhos (OR=2,85; 95% IC [1,13-7,18]; p=0.03) e na ausência de ataques ou assaltos (OR=2,05; 95% IC [1,32-3,18]; p< 0,01). Observa-se que as crianças que vêm ≥2 horas de televisão por dia têm mais probabilidade de terem excesso de peso/obesidade (OR=2,27; 95% IC [1,35-3,82]; p<0,01), e que existe uma probabilidade aumentada das crianças verem mais televisão se as mães apenas tiverem o 1º ou 2º ciclo (OR=3,66; 95% IC [1,71-7,82]; p <0,01). vii Conclusão: O presente estudo revela que a percepção de coesão social é influenciada pela percepção de perigo, sendo a confiança uma forma de controlo social. Verificou-se também que a visualização de televisão é um factor de extrema importância e que contribui para o desenvolvimento do excesso de peso e obesidade das crianças do município da Lousã. Assim, no futuro, deverão ser realizados estudos a nível nacional que permitam avaliar com maior detalhe a percepção de perigo e coesão social em diferentes contextos ambientais e sociais. |
|---|---|
| Autores principais: | Araújo, Luísa Maria Pereira |
| Assunto: | Obesidade infantil Percepção de perigo Coesão social Comportamentos sedentários Comportamentos activos |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Objectivos: Ao longo dos últimos anos, o ambiente social tem vindo a ser identificado como um dos factores que influencia a obesidade infantil. Deste modo, o presente estudo pretende conhecer a associação entre a percepção de perigo e a percepção de coesão social experienciada pelos pais, assim como a relação destes dois factores sociais com a obesidade e o tempo de brincadeiras das crianças do município da Lousã. O último objectivo deste estudo é analisar a relação entre o IMC e o tempo de brincadeiras activas e comportamentos sedentários. Material e Métodos: Para o presente estudo foram considerados os valores de IMC e factores sociodemográficos, obtidos através de um inquérito respondido pelos pais de 536 crianças, com uma faixa etária dos 6 aos 9 anos, do município da Lousã. Para a avaliação do estado nutricional das crianças foram definidos pontos de corte ajustados ao sexo e idade. Para o tratamento das questões relacionadas com a percepção de coesão social procedeu-se a uma Análise de Componentes Principais Categóricos, resultando num índex, onde posteriormente foi dicotomizado (percepção negativa vs. percepção positiva). Na análise estatística foram utilizadas duas variáveis dependentes – IMC e percepção de coesão social – e cinco independentes – habilitações académicas do pai, habilitações académicas da mãe, comportamentos sedentários, comportamentos activos: brincadeiras, e percepção de perigo. Resultados: A associação entre a percepção de perigo e a percepção de coesão social, assim como o facto de as crianças brincarem na rua ou não, não foi estatisticamente significativa. O mesmo se verificou em relação a estes dois factores sociais e o IMC das crianças. Todavia, observou-se que as pessoas que não se sentem seguras na sua área residencial têm menos 36% de probabilidade de ter uma percepção de coesão social positiva do que as que se sentem seguras (OR=0,36; 95% IC [0,15-0,88] p=0,03). No entanto, no modelo de regressão ajustado esta associação deixou de ser significativa (OR=0,36; 95% IC [0,12-1,08]; p=0,07). Verificase ainda uma percepção quase 3 vezes maior de coesão social positiva na ausência de discussão violenta entre vizinhos (OR=2,85; 95% IC [1,13-7,18]; p=0.03) e na ausência de ataques ou assaltos (OR=2,05; 95% IC [1,32-3,18]; p< 0,01). Observa-se que as crianças que vêm ≥2 horas de televisão por dia têm mais probabilidade de terem excesso de peso/obesidade (OR=2,27; 95% IC [1,35-3,82]; p<0,01), e que existe uma probabilidade aumentada das crianças verem mais televisão se as mães apenas tiverem o 1º ou 2º ciclo (OR=3,66; 95% IC [1,71-7,82]; p <0,01). vii Conclusão: O presente estudo revela que a percepção de coesão social é influenciada pela percepção de perigo, sendo a confiança uma forma de controlo social. Verificou-se também que a visualização de televisão é um factor de extrema importância e que contribui para o desenvolvimento do excesso de peso e obesidade das crianças do município da Lousã. Assim, no futuro, deverão ser realizados estudos a nível nacional que permitam avaliar com maior detalhe a percepção de perigo e coesão social em diferentes contextos ambientais e sociais. |
|---|