Publicação
A Bairrada: do “país vinhateiro” à demarcação vinícola. Aspetos da evolução histórica
| Resumo: | O culto da vinha teve, desde cedo, um papel muito importante na agricultura nacional, desempenhando o vinho um papel muito relevante na economia nacional. Foi, no entanto, a partir do século XVIII que o Estado Português começou a desenvolver e a controlar este negócio. O cultivo da vinha está praticamente presente em todo o território português, o qual se encontra dividido em várias regiões vitivinícolas, sendo o vinho produzido em cada uma dessas regiões naturalmente diferente. De entre os vinhos portugueses, aquele que mais sucesso deu a Portugal foi o Vinho do Porto.O estudo efetuado tem como objetivo analisar a viticultura bairradina, sua evolução, “bons” e “maus momentos”, e acompanhar todo esse processo até à criação da Região Demarcada da Bairrada, já no terceiro quartel do século XX, tendo como elemento de referência o desenvolvimento do vinho do Porto na perspetiva da longa duração.Ao longo dos séculos, a vitivinicultura bairradina conheceu fases diversas de evolução. Um momento particularmente difícil ocorreu no terceiro quartel do Século XVIII, quando o Marquês de Pombal promulgou uma série de medidas, como o arranque de uma grande parte das vinhas pertencentes à Bairrada em prol do cultivo de cereais, alegando a sua escassez. Proibiu também a expedição dos vinhos desta região para a capital, fundamentando serem de má qualidade. Estas medidas foram apenas revogadas no reinado de D. Maria I.Novas dificuldades surgiram na segunda metade do século XIX, com o aparecimento de diversas doenças e pragas que devastaram as vinhas europeias. É o caso do oídio, da filoxera e posteriormente do míldio. No seu conjunto, foram extremamente nefastas para os viticultores da Bairrada que eram, em grande parte, dependentes desta atividade agrícola. Vendo-se em apuros, juntaram-se à grande massa de população que enveredou pela emigração. Em finais do século XIX, no auge da destruição provocada pela filoxera, o mercado dos vinhos bairradinos atravessava um grave período. É precisamente nessa altura que se inicia o fabrico dos vinhos espumantes em Portugal, nomeadamente na Anadia, como forma de resolver a crise.Foi com a produção de vinho tinto que a Bairrada passou a ser reconhecida como região vinícola de excelência. No entanto, os vinhos brancos assumem, há mais de 100 anos, um importante papel, principalmente na produção de espumantes naturais. Porém, tivemos de esperar pelo ano de 1979 para que fosse criada a Região Demarcada da Bairrada, pela portaria n.º 709-A/79, de 28 de dezembro. |
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| Autores principais: | Sacramento, Ricardo Filipe Medina |
| Assunto: | Bairrada Demarcação Vinícola Beira Litoral Região Demarcada da Bairrada Vinho Bairrada Demarcated Wine Region Beira Litoral Demarcated Region of Bairrada Wine |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | O culto da vinha teve, desde cedo, um papel muito importante na agricultura nacional, desempenhando o vinho um papel muito relevante na economia nacional. Foi, no entanto, a partir do século XVIII que o Estado Português começou a desenvolver e a controlar este negócio. O cultivo da vinha está praticamente presente em todo o território português, o qual se encontra dividido em várias regiões vitivinícolas, sendo o vinho produzido em cada uma dessas regiões naturalmente diferente. De entre os vinhos portugueses, aquele que mais sucesso deu a Portugal foi o Vinho do Porto.O estudo efetuado tem como objetivo analisar a viticultura bairradina, sua evolução, “bons” e “maus momentos”, e acompanhar todo esse processo até à criação da Região Demarcada da Bairrada, já no terceiro quartel do século XX, tendo como elemento de referência o desenvolvimento do vinho do Porto na perspetiva da longa duração.Ao longo dos séculos, a vitivinicultura bairradina conheceu fases diversas de evolução. Um momento particularmente difícil ocorreu no terceiro quartel do Século XVIII, quando o Marquês de Pombal promulgou uma série de medidas, como o arranque de uma grande parte das vinhas pertencentes à Bairrada em prol do cultivo de cereais, alegando a sua escassez. Proibiu também a expedição dos vinhos desta região para a capital, fundamentando serem de má qualidade. Estas medidas foram apenas revogadas no reinado de D. Maria I.Novas dificuldades surgiram na segunda metade do século XIX, com o aparecimento de diversas doenças e pragas que devastaram as vinhas europeias. É o caso do oídio, da filoxera e posteriormente do míldio. No seu conjunto, foram extremamente nefastas para os viticultores da Bairrada que eram, em grande parte, dependentes desta atividade agrícola. Vendo-se em apuros, juntaram-se à grande massa de população que enveredou pela emigração. Em finais do século XIX, no auge da destruição provocada pela filoxera, o mercado dos vinhos bairradinos atravessava um grave período. É precisamente nessa altura que se inicia o fabrico dos vinhos espumantes em Portugal, nomeadamente na Anadia, como forma de resolver a crise.Foi com a produção de vinho tinto que a Bairrada passou a ser reconhecida como região vinícola de excelência. No entanto, os vinhos brancos assumem, há mais de 100 anos, um importante papel, principalmente na produção de espumantes naturais. Porém, tivemos de esperar pelo ano de 1979 para que fosse criada a Região Demarcada da Bairrada, pela portaria n.º 709-A/79, de 28 de dezembro. |
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