Publicação
Disforia de Género: Revisão do Tratamento Hormonal
| Resumo: | A disforia de género é uma entidade que tem merecido atenção crescente da sociedade civil, e consequentemente da Medicina, em particular da Psiquiatria, Sexologia e Endocrinologia. Nos últimos anos tem havido um aumento significativo das pessoas que procuram cuidados de saúde nesta área. Ainda assim não tem um foco global no ensino médico. Com base neste facto, efetuou-se uma revisão que abrange as alterações que tem sofrido nos últimos anos, os cuidados que os clínicos devem ter ao lidar com indivíduos transgénero, os seus critérios de diagnóstico, as terapêuticas disponíveis, assim como os seus efeitos secundários e a sua monitorização clínica, imagiológica e laboratorial, necessária para o seu seguimento adequado. De forma a obter a informação integrada nesta revisão foi feita uma pesquisa na base de dados da PubMed, incluindo publicações de todas as categorias em línguas portuguesa e/ou inglesa, datadas desde 2013 até 2020. Cada referência foi avaliada a partir do resumo de forma a selecionar, para leitura integral e posterior inclusão nesta revisão, os que mais concretamente abordassem a temática. A disforia de género, com as recentes mudanças no paradigma social, tem sofrido alterações no seu diagnóstico e nomenclatura, demonstrados pelas alterações propostas para a nova ICD-11, com implementação prevista em 2022. Também os princípios de base para gestão destes indivíduos têm sido alterados, adaptando as novas terminologias e cuidados específicos de forma a promover a sua saúde e bem-estar geral. As terapêuticas disponíveis podem ser implementadas em diferentes fases. O bloqueio hormonal da puberdade, tem a dupla função de minimizar a disforia de género na infância, assim como de estender a sua fase diagnóstica ao facilitar a transição social destes jovens. Para tal, são utilizados análogos da GnRH. Mais tarde, é feita a implementação da terapêutica hormonal de reatribuição sexual, utilizando testosterona para virilização ou estrogénios aliados a anti androgénios para feminização. Estas terapêuticas permitem a estes indivíduos finalmente expressar a sua identidade de género, beneficiando assim o seu prognóstico psicológico, social e o seu bem-estar geral. As presentes terapêuticas têm um bom perfil de segurança a curto e médio prazo, no entanto, não estão isentas de efeitos secundários. Destes destacam-se os efeitos cardiovasculares, nomeadamente, o risco de eritrocitose na terapêutica com testosterona, e o risco de eventos tromboembólicos na terapêutica com estrogénios. Ainda assim, com a melhoria nas formulações existentes aliada à monitorização recomendada, têm se tornado menos significantes. A consciencialização para a angústia sofrida por esta população e para as formas de a diminuir é essencial para a melhoria dos cuidados que necessitam. |
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| Autores principais: | Matos, Tiago Costa |
| Assunto: | Disforia de Género Transgénero Tratamento hormonal Impacto metabólico Gender dysphoria Transgender Hormonal treatment Metabolic impact |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A disforia de género é uma entidade que tem merecido atenção crescente da sociedade civil, e consequentemente da Medicina, em particular da Psiquiatria, Sexologia e Endocrinologia. Nos últimos anos tem havido um aumento significativo das pessoas que procuram cuidados de saúde nesta área. Ainda assim não tem um foco global no ensino médico. Com base neste facto, efetuou-se uma revisão que abrange as alterações que tem sofrido nos últimos anos, os cuidados que os clínicos devem ter ao lidar com indivíduos transgénero, os seus critérios de diagnóstico, as terapêuticas disponíveis, assim como os seus efeitos secundários e a sua monitorização clínica, imagiológica e laboratorial, necessária para o seu seguimento adequado. De forma a obter a informação integrada nesta revisão foi feita uma pesquisa na base de dados da PubMed, incluindo publicações de todas as categorias em línguas portuguesa e/ou inglesa, datadas desde 2013 até 2020. Cada referência foi avaliada a partir do resumo de forma a selecionar, para leitura integral e posterior inclusão nesta revisão, os que mais concretamente abordassem a temática. A disforia de género, com as recentes mudanças no paradigma social, tem sofrido alterações no seu diagnóstico e nomenclatura, demonstrados pelas alterações propostas para a nova ICD-11, com implementação prevista em 2022. Também os princípios de base para gestão destes indivíduos têm sido alterados, adaptando as novas terminologias e cuidados específicos de forma a promover a sua saúde e bem-estar geral. As terapêuticas disponíveis podem ser implementadas em diferentes fases. O bloqueio hormonal da puberdade, tem a dupla função de minimizar a disforia de género na infância, assim como de estender a sua fase diagnóstica ao facilitar a transição social destes jovens. Para tal, são utilizados análogos da GnRH. Mais tarde, é feita a implementação da terapêutica hormonal de reatribuição sexual, utilizando testosterona para virilização ou estrogénios aliados a anti androgénios para feminização. Estas terapêuticas permitem a estes indivíduos finalmente expressar a sua identidade de género, beneficiando assim o seu prognóstico psicológico, social e o seu bem-estar geral. As presentes terapêuticas têm um bom perfil de segurança a curto e médio prazo, no entanto, não estão isentas de efeitos secundários. Destes destacam-se os efeitos cardiovasculares, nomeadamente, o risco de eritrocitose na terapêutica com testosterona, e o risco de eventos tromboembólicos na terapêutica com estrogénios. Ainda assim, com a melhoria nas formulações existentes aliada à monitorização recomendada, têm se tornado menos significantes. A consciencialização para a angústia sofrida por esta população e para as formas de a diminuir é essencial para a melhoria dos cuidados que necessitam. |
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