Publicação
Atitudes e Comportamentos Alimentares numa população adolescente: o papel do Perfecionismo
| Resumo: | Introdução: São poucos os estudos que, no nosso país, tenham investigado, em simultâneo, o papel de fatores de risco no desenvolvimento de Distúrbios do Comportamento Alimentar (DCA) em adolescentes. O nosso objetivo foi analisar a associação de vários fatores de risco associados ao desenvolvimento dos Distúrbios do Comportamento Alimentar, nomeadamente o Índice de Massa Corporal, a Imagem Corporal, o Perfecionismo a Autoestima e a Sintomatologia Depressiva. Analisar os efeitos de uma sessão psicoeducacional sobre o Perfecionismo nas Atitudes e Comportamentos Alimentares, transcorridos 2 meses e 6 meses após a intervenção. Metodologia: 997 adolescentes de quatro escolas secundárias de Coimbra, preencheram um questionário constituído por quatro escalas: o Teste de Atitudes Alimentares para Crianças (Children Eating Attitudes Test); a Escala de Perfecionismo para Crianças e Adolescentes (Child and Adolescent Perfectionism Scale); a Escala de Depressão Infantil (Children Depression Inventory); a Escala de silhuetas corporais (Contour Drawing Figure Rating Scale); a Escala de Auto- estima de Rosemberg (Rosemberg Self Esteem Scale), questões sociodemográficas e outras como o peso e altura. As quatro escolas formaram 3 grupos: I – Grupo Intervenção onde foi focado principalmente o Perfecionismo (DM), II- Grupo Controlo 1 – onde foram focados principalmente os hábitos de vida saudavel, (QF); III - Grupo Sem intervenção - (AB e JF). Em dois momentos distintos, 2 e 6 meses depois, todos os participantes voltaram a preencher os questionários. Nas análises estatísticas recorremos à versão 20.0 do SPSS para Windows. Resultados: A amostra foi constituída por 576 raparigas e 402 rapazes com idade média=15.77 anos (DP=1.560; variação=11-18 anos). O índice de massa corporal foi de 20.43 kg/m2 nas raparigas e 21.18 Kg/m2 nos rapazes. 18,1% das adolescentes do sexo feminino e 5% dos adolescentes do sexo masculino apresentaram valores elevados no Teste de Atitudes Alimentares para crianças (TAAc). O grau de insatisfação corporal foi significativamente mais elevado no sexo feminino. No sexo feminino verificamos que, a Autoestima foi mais baixa e a sintomatologia depressiva mais elevada, quando comparadas com o sexo masculino. As pontuações médias no Teste de Atitudes Alimentares para crianças se correlacionaram positiva e significativamente com o Índice de Massa Corporal (IMC), com o Perfecionismo Auto-orientado e Socialmente Prescrito e a Sintomatologia Depressiva; e negativamente com a Insatisfação corporal e a Autoestima. Foram observadas diferenças significativas entre os grupos de adolescentes do sexo feminino com pontuações elevadas no TAAc quando comparadas com as adolescentes com pontuações baixas, em relação ao Índice de Massa Corporal, ao Perfecionismo Auto-orientado e Socialmente Prescrito, a Insatisfação corporal, a Autoestima e a Sintomatologia Depressiva. O Perfecionismo Auto-orientado, a Insatisfação Corporal, a Autoestima e a sintomatologia depressiva foram preditores significativos do TAAc e da dimensão Medo de Engordar no início do estudo. O IMC a Insatisfação Corporal e a sintomatologia depressiva também foram preditores da dimensão Pressão Social para Comer neste primeiro tempo. Após a sessão psicoeducacional ocorreu uma diminuição do Perfecionismo Auto-orientado nos rapazes e nas raparigas com pontuações baixas do TAAc na escola de intervenção desde o início do estudo para a segunda avaliação após a intervenção. Ocorreu uma diminuição do TAAc e suas dimensões desde o início do estudo para a segunda avaliação após a intervenção e um aumento posterior, em todas as escolas. Não houve alterações ao longo do tempo nas adolescentes do sexo feminino que apresentaram valores elevados no TAAc no início do estudo. Nas adolescentes da escola de intervenção com pontuações baixas ocorreu uma diminuição significativa no TAAc e a dimensão ME do início do estudo e um aumento posterior para a última avaliação. Em toda a população estudada ocorreu uma diminuição ao longo do tempo nas pontuações médias da Sintomatologia Depressiva. A Insatisfação Corporal manteve-se ao longo do tempo. No fim do estudo verificamos um aumento na proporção de rapazes com TAAc elevado. Discussão e Conclusões: Apesar de terem sido encontradas várias associações significativas, nas análises exploratórias, entre diferentes fatores de risco (FRs) e o outcome, a sessão psioceducacional não revelou efeitos a nível do TAAc e suas dimensões. No entanto verificámos uma alteração a nível do P na escola de intervenção. Constatamos que a IC foi o fator preditor que se manteve presente ao longo do tempo do estudo. São necessários mais estudos a nível dos vários FRs do DCA, utilizando outras forma de intervenção. |
|---|---|
| Autores principais: | Teixeira, Maria Del Carmen Bento |
| Assunto: | Atitudes e comportamentos alimentares Perfecionismo Insatisfação corporal Autoestima |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: São poucos os estudos que, no nosso país, tenham investigado, em simultâneo, o papel de fatores de risco no desenvolvimento de Distúrbios do Comportamento Alimentar (DCA) em adolescentes. O nosso objetivo foi analisar a associação de vários fatores de risco associados ao desenvolvimento dos Distúrbios do Comportamento Alimentar, nomeadamente o Índice de Massa Corporal, a Imagem Corporal, o Perfecionismo a Autoestima e a Sintomatologia Depressiva. Analisar os efeitos de uma sessão psicoeducacional sobre o Perfecionismo nas Atitudes e Comportamentos Alimentares, transcorridos 2 meses e 6 meses após a intervenção. Metodologia: 997 adolescentes de quatro escolas secundárias de Coimbra, preencheram um questionário constituído por quatro escalas: o Teste de Atitudes Alimentares para Crianças (Children Eating Attitudes Test); a Escala de Perfecionismo para Crianças e Adolescentes (Child and Adolescent Perfectionism Scale); a Escala de Depressão Infantil (Children Depression Inventory); a Escala de silhuetas corporais (Contour Drawing Figure Rating Scale); a Escala de Auto- estima de Rosemberg (Rosemberg Self Esteem Scale), questões sociodemográficas e outras como o peso e altura. As quatro escolas formaram 3 grupos: I – Grupo Intervenção onde foi focado principalmente o Perfecionismo (DM), II- Grupo Controlo 1 – onde foram focados principalmente os hábitos de vida saudavel, (QF); III - Grupo Sem intervenção - (AB e JF). Em dois momentos distintos, 2 e 6 meses depois, todos os participantes voltaram a preencher os questionários. Nas análises estatísticas recorremos à versão 20.0 do SPSS para Windows. Resultados: A amostra foi constituída por 576 raparigas e 402 rapazes com idade média=15.77 anos (DP=1.560; variação=11-18 anos). O índice de massa corporal foi de 20.43 kg/m2 nas raparigas e 21.18 Kg/m2 nos rapazes. 18,1% das adolescentes do sexo feminino e 5% dos adolescentes do sexo masculino apresentaram valores elevados no Teste de Atitudes Alimentares para crianças (TAAc). O grau de insatisfação corporal foi significativamente mais elevado no sexo feminino. No sexo feminino verificamos que, a Autoestima foi mais baixa e a sintomatologia depressiva mais elevada, quando comparadas com o sexo masculino. As pontuações médias no Teste de Atitudes Alimentares para crianças se correlacionaram positiva e significativamente com o Índice de Massa Corporal (IMC), com o Perfecionismo Auto-orientado e Socialmente Prescrito e a Sintomatologia Depressiva; e negativamente com a Insatisfação corporal e a Autoestima. Foram observadas diferenças significativas entre os grupos de adolescentes do sexo feminino com pontuações elevadas no TAAc quando comparadas com as adolescentes com pontuações baixas, em relação ao Índice de Massa Corporal, ao Perfecionismo Auto-orientado e Socialmente Prescrito, a Insatisfação corporal, a Autoestima e a Sintomatologia Depressiva. O Perfecionismo Auto-orientado, a Insatisfação Corporal, a Autoestima e a sintomatologia depressiva foram preditores significativos do TAAc e da dimensão Medo de Engordar no início do estudo. O IMC a Insatisfação Corporal e a sintomatologia depressiva também foram preditores da dimensão Pressão Social para Comer neste primeiro tempo. Após a sessão psicoeducacional ocorreu uma diminuição do Perfecionismo Auto-orientado nos rapazes e nas raparigas com pontuações baixas do TAAc na escola de intervenção desde o início do estudo para a segunda avaliação após a intervenção. Ocorreu uma diminuição do TAAc e suas dimensões desde o início do estudo para a segunda avaliação após a intervenção e um aumento posterior, em todas as escolas. Não houve alterações ao longo do tempo nas adolescentes do sexo feminino que apresentaram valores elevados no TAAc no início do estudo. Nas adolescentes da escola de intervenção com pontuações baixas ocorreu uma diminuição significativa no TAAc e a dimensão ME do início do estudo e um aumento posterior para a última avaliação. Em toda a população estudada ocorreu uma diminuição ao longo do tempo nas pontuações médias da Sintomatologia Depressiva. A Insatisfação Corporal manteve-se ao longo do tempo. No fim do estudo verificamos um aumento na proporção de rapazes com TAAc elevado. Discussão e Conclusões: Apesar de terem sido encontradas várias associações significativas, nas análises exploratórias, entre diferentes fatores de risco (FRs) e o outcome, a sessão psioceducacional não revelou efeitos a nível do TAAc e suas dimensões. No entanto verificámos uma alteração a nível do P na escola de intervenção. Constatamos que a IC foi o fator preditor que se manteve presente ao longo do tempo do estudo. São necessários mais estudos a nível dos vários FRs do DCA, utilizando outras forma de intervenção. |
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