Publicação
Proteinúria na doença renal crónica: fisiopatologia e valor prognóstico
| Resumo: | A doença renal crónica (DRC) é muito prevalente na população geral e classifica-se de acordo com a sua causa, taxa de filtração glomerular e severidade da proteinúria. O papel da proteinúria no desenvolvimento e progressão da DRC tem sido amplamente estudado e têm-se observado alterações das guidelines internacionais relativas à sua classificação, diagnóstico e tratamento. Vários autores propõem que a proteinúria apresenta mecanismos fisiopatológicos que não só influenciam a progressão da DRC como também têm impacto em comorbilidades intrinsecamente associadas à DRC. O objetivo desta revisão foi reunir dados relevantes e atuais que apoiem o papel da proteinúria na fisiopatologia da DRC, hipertensão, diabetes e patologia cardiovascular, bem como do seu papel como fator de progressão da DRC. Também revimos as mais recentes recomendações de tratamento destas comorbilidades em doentes com proteinúria, com base em guidelines de sociedades internacionais. Tem sido demonstrado que a proteinúria tem um papel relevante na fisiopatologia da DRC e que se associa a progressão mais rápida para DRC-5 e maior risco cardiovascular. Em doentes hipertensos, tem-se verificado que a proteinúria se associa a pior controlo tensional e progressão mais acelerada da DRC. Foi também provado que doentes diabéticos com proteinúria são mais suscetíveis a progredir para DRC-5 e que têm maior risco de eventos cardiovasculares, quando comparados com doentes renais crónicos não diabéticos. A proteinúria é também um fator de risco independente para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, doença coronária e enfarte agudo do miocárdio. Relativamente ao tratamento, o papel de fármacos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona é bem aceite e amplamente recomendado, enquanto que outras terapêuticas são mais controversas. Apesar de vastamente estudada, a utilização da proteinúria como fator prognóstico na avaliação do risco para doença coronária na DRC está mais estabelecida para nefrologistas do que para a restante comunidade médica. É importante uma compreensão aprofundada da fisiopatologia e intercomunicação entre a DRC, proteinúria e outcomes relevantes de forma a compreender o seu impacto real na morbimortalidade dos doentes e promover o desenvolvimento de novos fármacos melhorem os resultados clínicos nesta população. |
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| Autores principais: | Graça, Ana Beatriz Nunes |
| Assunto: | Albuminúria Doença cardiovascular Doença renal crónica Hiperfiltração glomerular Proteinúria Albuminuria Cardiovascular disease Chronic kidney disease Glomerular hyperfiltration Proteinuria |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A doença renal crónica (DRC) é muito prevalente na população geral e classifica-se de acordo com a sua causa, taxa de filtração glomerular e severidade da proteinúria. O papel da proteinúria no desenvolvimento e progressão da DRC tem sido amplamente estudado e têm-se observado alterações das guidelines internacionais relativas à sua classificação, diagnóstico e tratamento. Vários autores propõem que a proteinúria apresenta mecanismos fisiopatológicos que não só influenciam a progressão da DRC como também têm impacto em comorbilidades intrinsecamente associadas à DRC. O objetivo desta revisão foi reunir dados relevantes e atuais que apoiem o papel da proteinúria na fisiopatologia da DRC, hipertensão, diabetes e patologia cardiovascular, bem como do seu papel como fator de progressão da DRC. Também revimos as mais recentes recomendações de tratamento destas comorbilidades em doentes com proteinúria, com base em guidelines de sociedades internacionais. Tem sido demonstrado que a proteinúria tem um papel relevante na fisiopatologia da DRC e que se associa a progressão mais rápida para DRC-5 e maior risco cardiovascular. Em doentes hipertensos, tem-se verificado que a proteinúria se associa a pior controlo tensional e progressão mais acelerada da DRC. Foi também provado que doentes diabéticos com proteinúria são mais suscetíveis a progredir para DRC-5 e que têm maior risco de eventos cardiovasculares, quando comparados com doentes renais crónicos não diabéticos. A proteinúria é também um fator de risco independente para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, doença coronária e enfarte agudo do miocárdio. Relativamente ao tratamento, o papel de fármacos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona é bem aceite e amplamente recomendado, enquanto que outras terapêuticas são mais controversas. Apesar de vastamente estudada, a utilização da proteinúria como fator prognóstico na avaliação do risco para doença coronária na DRC está mais estabelecida para nefrologistas do que para a restante comunidade médica. É importante uma compreensão aprofundada da fisiopatologia e intercomunicação entre a DRC, proteinúria e outcomes relevantes de forma a compreender o seu impacto real na morbimortalidade dos doentes e promover o desenvolvimento de novos fármacos melhorem os resultados clínicos nesta população. |
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