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O primado da experiência : histórias de consumo e perspetivas sobre os medicamentos pelos estudantes universitários

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Resumo:Quando foi a última vez que consumiu um medicamento? Hoje? Ontem? No último mês? Mas, mais importante: recorda-se do porquê? Problemas como o stress, os distúrbios alimentares e a depressão fazem parte de um novo paradigma que transforma o nosso olhar sobre o que representa a saúde e a doença. A medicalização da sociedade é a expressão da discussão sociológica da afirmação do sujeito enquanto indivíduo mobilizador de recursos e de informação sobre a sua própria saúde. Ao longo do presente estudo, propomo-nos a refletir sobre a sociedade medicalizada em que vivemos, através de uma abordagem crítica que evidenciará as razões desencadeadoras por detrás do consumo de Medicamentos sem Receita Médica. Para este efeito, circunscrevemos a nossa investigação ao grupo-alvo que consideramos mais relevante por meio das suas particularidades: os estudantes universitários. A presente investigação demonstra como a presente geração de jovens - entre os 18 e 30 anos de idade -rapidamente se converteu numa das maiores consumidoras de fármacos desde que há registo, essencialmente devido a três principais fatores: a influência determinante dos pares, as necessidades de medicamentos no contexto de pressão e a habituação dos medicamentos. E tudo apesar da existência de uma reação adversa ao lobby de influências de consumo, o que indica a presença de uma disposição de resistir ao absolutismo da farmaceuticalização. Ainda assim, poucos são os que acabam por recusar os tratamentos com fármacos, assistindo-se a um incremento do “pluralismo terapêutico”, o uso alternado de fármacos e produtos naturais como forma de tratamento e prevenção de doenças.O estudo constitui-se com base numa metodologia qualitativa, recorrendo às técnicas de observação participante e focus group, para acolher as visões a partir das experiências e contacto que os estudantes tiveram com medicação nos tempos universitários. A partir do material empírico, emergem considerações sobre saúde e doença associadas aos medicamentos e ao seu uso, sobre a reflexividade na opção pela toma e atribuição de sentido a fármacos e produtos naturais, e ainda sobre os processos igualmente influenciáveis de prescrição médica e aconselhamento farmacêutico.
Autores principais:Cunha, Liliana Filipa Mendes
Assunto:Saúde Publicidade Consumo Doença Bem-estar Estudante universitário MNSRM Indústria farmacêutica
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Quando foi a última vez que consumiu um medicamento? Hoje? Ontem? No último mês? Mas, mais importante: recorda-se do porquê? Problemas como o stress, os distúrbios alimentares e a depressão fazem parte de um novo paradigma que transforma o nosso olhar sobre o que representa a saúde e a doença. A medicalização da sociedade é a expressão da discussão sociológica da afirmação do sujeito enquanto indivíduo mobilizador de recursos e de informação sobre a sua própria saúde. Ao longo do presente estudo, propomo-nos a refletir sobre a sociedade medicalizada em que vivemos, através de uma abordagem crítica que evidenciará as razões desencadeadoras por detrás do consumo de Medicamentos sem Receita Médica. Para este efeito, circunscrevemos a nossa investigação ao grupo-alvo que consideramos mais relevante por meio das suas particularidades: os estudantes universitários. A presente investigação demonstra como a presente geração de jovens - entre os 18 e 30 anos de idade -rapidamente se converteu numa das maiores consumidoras de fármacos desde que há registo, essencialmente devido a três principais fatores: a influência determinante dos pares, as necessidades de medicamentos no contexto de pressão e a habituação dos medicamentos. E tudo apesar da existência de uma reação adversa ao lobby de influências de consumo, o que indica a presença de uma disposição de resistir ao absolutismo da farmaceuticalização. Ainda assim, poucos são os que acabam por recusar os tratamentos com fármacos, assistindo-se a um incremento do “pluralismo terapêutico”, o uso alternado de fármacos e produtos naturais como forma de tratamento e prevenção de doenças.O estudo constitui-se com base numa metodologia qualitativa, recorrendo às técnicas de observação participante e focus group, para acolher as visões a partir das experiências e contacto que os estudantes tiveram com medicação nos tempos universitários. A partir do material empírico, emergem considerações sobre saúde e doença associadas aos medicamentos e ao seu uso, sobre a reflexividade na opção pela toma e atribuição de sentido a fármacos e produtos naturais, e ainda sobre os processos igualmente influenciáveis de prescrição médica e aconselhamento farmacêutico.