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Barreiras à Adesão ao Rastreio da Retinopatia Diabética nos Cuidados Primários de Saúde

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Resumo:Introdução: A Retinopatia Diabética (RD) é a complicação microvascular mais comum da diabetes e, embora passível de ser rastreada eficazmente a nível dos cuidados de saúde primários, a taxa de adesão ao rastreio é baixa. Há inúmeros fatores descritos que poderão influenciar a adesão, tendo este estudo os objetivos de perceber quais as principais barreiras e os fatores relacionados com a adesão ao rastreio da RD em Portugal na perspetiva da pessoa com diabetes.Métodos: Estudo observacional transversal e multicêntrico. Amostra de conveniência, estratificada por idade e sexo, composta por pessoas com Diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) seguidas em 3 Unidades de Saúde Familiar (USF) de 3 Administrações Regionais de Saúde (ARS) diferentes, que responderam a um questionário constituído por avaliação sociodemográfica, perguntas diretas de avaliação de conhecimentos (sobre as complicações da diabetes, RD e programa de rastreio) e aferição da realização anterior do rastreio, escala validada adaptada de crenças de saúde sobre a RD, escala validada multidimensional de locus de controlo da saúde e uma questão aberta para apurar outras barreiras não indagadas. Foi feita análise estatística descritiva da amostra e inferencial para relacionar as barreiras, a adesão ao rastreio e as restantes variáveis em estudo.Resultados: Amostra de 95 pessoas constituída por 69,5% de indivíduos que já realizaram o rastreio, sendo que 65,3% o fizeram há menos de 2 anos. A adesão ao rastreio associou-se significativamente a menor perceção de barreiras ao rastreio (p=0,002), a maior número de anos desde o diagnóstico da diabetes (p<0,001), ao conhecimento da existência do rastreio (p<0,001), de como e porque é feito (p<0,001) e a já ter sido recomendada a sua realização (p<0,001). Seis barreiras apresentaram relação significativa com a adesão ao rastreio, havendo influência do rendimento mensal (p=0,043) e do distrito de residência (p<0,001) na seleção das mesmas. Discussão e conclusão: As barreiras à adesão ao rastreio apuradas como significativas foram barreiras psicológicas (desconforto ao pensar na RD), receios (medo do rastreio e dor que este possa causar), barreiras de acessibilidade (custos e dificuldades no acesso ao local de realização do rastreio) e variações de crenças regionais. A menor perceção das barreiras, ter mais anos de diagnóstico de diabetes e ter um maior conhecimento sobre o rastreio são fatores associados à adesão. Concluímos que este tema deve ser aprofundado em amostras maiores. Fatores modificáveis, como a informação transmitida ao doente e a variabilidade regional, poderão ser alvo de intervenção.
Autores principais:Domingues, Joana Cristina
Assunto:Retinopatia diabética Rastreio Adesão Cuidados de saúde primários Diabetic retinopathy Screening Compliance Primary health care
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução: A Retinopatia Diabética (RD) é a complicação microvascular mais comum da diabetes e, embora passível de ser rastreada eficazmente a nível dos cuidados de saúde primários, a taxa de adesão ao rastreio é baixa. Há inúmeros fatores descritos que poderão influenciar a adesão, tendo este estudo os objetivos de perceber quais as principais barreiras e os fatores relacionados com a adesão ao rastreio da RD em Portugal na perspetiva da pessoa com diabetes.Métodos: Estudo observacional transversal e multicêntrico. Amostra de conveniência, estratificada por idade e sexo, composta por pessoas com Diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) seguidas em 3 Unidades de Saúde Familiar (USF) de 3 Administrações Regionais de Saúde (ARS) diferentes, que responderam a um questionário constituído por avaliação sociodemográfica, perguntas diretas de avaliação de conhecimentos (sobre as complicações da diabetes, RD e programa de rastreio) e aferição da realização anterior do rastreio, escala validada adaptada de crenças de saúde sobre a RD, escala validada multidimensional de locus de controlo da saúde e uma questão aberta para apurar outras barreiras não indagadas. Foi feita análise estatística descritiva da amostra e inferencial para relacionar as barreiras, a adesão ao rastreio e as restantes variáveis em estudo.Resultados: Amostra de 95 pessoas constituída por 69,5% de indivíduos que já realizaram o rastreio, sendo que 65,3% o fizeram há menos de 2 anos. A adesão ao rastreio associou-se significativamente a menor perceção de barreiras ao rastreio (p=0,002), a maior número de anos desde o diagnóstico da diabetes (p<0,001), ao conhecimento da existência do rastreio (p<0,001), de como e porque é feito (p<0,001) e a já ter sido recomendada a sua realização (p<0,001). Seis barreiras apresentaram relação significativa com a adesão ao rastreio, havendo influência do rendimento mensal (p=0,043) e do distrito de residência (p<0,001) na seleção das mesmas. Discussão e conclusão: As barreiras à adesão ao rastreio apuradas como significativas foram barreiras psicológicas (desconforto ao pensar na RD), receios (medo do rastreio e dor que este possa causar), barreiras de acessibilidade (custos e dificuldades no acesso ao local de realização do rastreio) e variações de crenças regionais. A menor perceção das barreiras, ter mais anos de diagnóstico de diabetes e ter um maior conhecimento sobre o rastreio são fatores associados à adesão. Concluímos que este tema deve ser aprofundado em amostras maiores. Fatores modificáveis, como a informação transmitida ao doente e a variabilidade regional, poderão ser alvo de intervenção.