Publicação
Repressão e subjetividade política no Estado Novo : a cadeia de Peniche
| Resumo: | Num estudo sobre a resistência brasileira à ditadura, Luci Gati Pietrocolla utilizou o conceito de «viver entre parênteses» para agrupar três situações paradigmáticas: a clandestinidade, o exílio e a prisão1. Marcadas em doses diferentes pelo medo, pela nostalgia e pela esperança, estas experiências tanto provocavam um elevado grau de constrangimento físico e psicológico como se podiam constituir em eixos nucleares na edificação da identidade política. Dando lugar a um confinamento forçado e vigiado, a prisão seria à primeira vista a situação em que a interrupção ou abrandamento drástico da militância se tornaria mais evidente. Tomando como ponto de observação a cadeia do Forte de Peniche nos anos finais do Estado Novo, este capítulo mostra ao invés como o «viver entre parênteses» no cárcere era atravessado por uma tensão entre as dinâmicas coercivas determinadas pelas estruturas repressivas, por um lado, e as diferentes estratégias de resistência levadas a cabo pelos presos políticos, por outro. O confronto com a regulamentação e com as práticas da instituição carcerária constituiu-se como um elemento fundamental na (re)construção da subjetividade política. Este posicionamento diante dos códigos de conduta em vigor e diante das figuras de autoridade na prisão cruzou-se com clivagens ideológicas que, transportadas para o interior da cadeia, resultaram na operacionalização de distintas culturas de reivindicação e formas de vivenciar o quotidiano no cárcere. |
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| Autores principais: | Cardina, Miguel |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Num estudo sobre a resistência brasileira à ditadura, Luci Gati Pietrocolla utilizou o conceito de «viver entre parênteses» para agrupar três situações paradigmáticas: a clandestinidade, o exílio e a prisão1. Marcadas em doses diferentes pelo medo, pela nostalgia e pela esperança, estas experiências tanto provocavam um elevado grau de constrangimento físico e psicológico como se podiam constituir em eixos nucleares na edificação da identidade política. Dando lugar a um confinamento forçado e vigiado, a prisão seria à primeira vista a situação em que a interrupção ou abrandamento drástico da militância se tornaria mais evidente. Tomando como ponto de observação a cadeia do Forte de Peniche nos anos finais do Estado Novo, este capítulo mostra ao invés como o «viver entre parênteses» no cárcere era atravessado por uma tensão entre as dinâmicas coercivas determinadas pelas estruturas repressivas, por um lado, e as diferentes estratégias de resistência levadas a cabo pelos presos políticos, por outro. O confronto com a regulamentação e com as práticas da instituição carcerária constituiu-se como um elemento fundamental na (re)construção da subjetividade política. Este posicionamento diante dos códigos de conduta em vigor e diante das figuras de autoridade na prisão cruzou-se com clivagens ideológicas que, transportadas para o interior da cadeia, resultaram na operacionalização de distintas culturas de reivindicação e formas de vivenciar o quotidiano no cárcere. |
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