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As TIG no ensino de Geografia: conceções, usos escolares e suas condicionantes

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Resumo:O desenvolvimento tecnológico recente possibilita, de um modo inédito, o acesso e a manipulação de informação geográfica. A localização, uma questão transversal a diversas áreas do conhecimento, tornou-se um ícone da Sociedade do Conhecimento, colocando o pensamento espacial como uma competência chave do cidadão do século XXI. Neste contexto, e no sentido de aproximar a Geografia escolar da conceção da Digital Earth, é pertinente o uso das diversas Tecnologias de Informação Geográfica (TIG) como ferramentas educativas ao serviço do cumprimento dos objetivos desta área disciplinar, os quais, em última instância, visam a formação de cidadãos geograficamente competentes. Como a integração destas tecnologias no ensino está dependente de vários fatores, entendeuse como pertinente compreender a visão dos docentes e dos futuros docentes de Geografia em relação às TIG, aferir quais os usos escolares destas ferramentas e identificar as condicionantes à sua integração no processo de ensino-aprendizagem. Para a concretização destes três grandes objetivos, que se definiram como base para este trabalho, definiu-se um sistema de recolha de dados baseado na aplicação do inquérito por questionário e na realização de entrevistas semiestruturadas. Pelo facto de a pesquisa envolver a análise de dados quantitativos, recolhidos com o questionário, e de dados qualitativos, recolhidos com a entrevista, posiciona-se o estudo empírico desenvolvido ao nível das metodologias mistas de investigação. Perante a natureza dos dados recolhidos, a análise estatística inferencial e a análise de conteúdo impuseram-se como técnicas de análise de dados mais apropriadas. Participaram na investigação 473 informadores: 415 docentes de Geografia dos Ensinos Básico e Secundário, 52 professores formandos dos Mestrados em Ensino de História e Geografia dos Ensinos Básico e Secundário, e seis docentes universitários deste curso de mestrado. As conclusões obtidas sugerem que os participantes no estudo perspetivam que o uso educativo das TIG no ensino de Geografia contribui para o exercício da cidadania no século XXI. Ainda assim, constata-se que aprender a lecionar Geografia com TIG não é um objetivo consolidado ao nível dos Mestrados em Ensino de História e Geografia. Os resultados indicam que os docentes de Geografia possuem reduzidos conhecimentos em TIG, não são utilizadores frequentes destas ferramentas em contexto educativo e recorrem a estas ferramentas, sobretudo à Geospatial Web, como recurso didático, dado ser menos frequente a utilização das TIG enquanto estratégia de ensino-aprendizagem suportada em metodologias de ensino ativas. Ou seja, estas ferramentas surgem mais frequentemente como suporte para a apresentação de conteúdos, e menos como suporte para a exploração de conteúdos pelos alunos. Este nível de integração, é reflexo da resistência à mudança por parte dos docentes e resultam de limitações de caráter organizacional e de gestão implícitas às políticas educativas, que se traduzem em problemas no acesso a equipamentos, na excessiva carga horária dos docentes, bem como no elevado número de alunos por turma. No entanto, apesar de condicionada por barreiras de diversa ordem, a integração das TIG no ensino de Geografia pode ser estimulada com a capacitação dos professores de carreira e dos professores formandos e com a disponibilização de ferramentas e de material didático que permitam criar um contexto educativo favorável a lecionar Geografia com TIG. Esta proposta está baseada nos resultados deste estudo, que indicam que a maior frequência de formação favorece um maior conhecimento, mas também um uso mais frequente destas ferramentas, mesmo quando as instalações escolares não estão preparadas.
Autores principais:Maciel, Olga Maria de Gouveia
Assunto:Tecnologias de Informação Geográfica (TIG) Ensino de Geografia Geotechnologies Geography teaching
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:O desenvolvimento tecnológico recente possibilita, de um modo inédito, o acesso e a manipulação de informação geográfica. A localização, uma questão transversal a diversas áreas do conhecimento, tornou-se um ícone da Sociedade do Conhecimento, colocando o pensamento espacial como uma competência chave do cidadão do século XXI. Neste contexto, e no sentido de aproximar a Geografia escolar da conceção da Digital Earth, é pertinente o uso das diversas Tecnologias de Informação Geográfica (TIG) como ferramentas educativas ao serviço do cumprimento dos objetivos desta área disciplinar, os quais, em última instância, visam a formação de cidadãos geograficamente competentes. Como a integração destas tecnologias no ensino está dependente de vários fatores, entendeuse como pertinente compreender a visão dos docentes e dos futuros docentes de Geografia em relação às TIG, aferir quais os usos escolares destas ferramentas e identificar as condicionantes à sua integração no processo de ensino-aprendizagem. Para a concretização destes três grandes objetivos, que se definiram como base para este trabalho, definiu-se um sistema de recolha de dados baseado na aplicação do inquérito por questionário e na realização de entrevistas semiestruturadas. Pelo facto de a pesquisa envolver a análise de dados quantitativos, recolhidos com o questionário, e de dados qualitativos, recolhidos com a entrevista, posiciona-se o estudo empírico desenvolvido ao nível das metodologias mistas de investigação. Perante a natureza dos dados recolhidos, a análise estatística inferencial e a análise de conteúdo impuseram-se como técnicas de análise de dados mais apropriadas. Participaram na investigação 473 informadores: 415 docentes de Geografia dos Ensinos Básico e Secundário, 52 professores formandos dos Mestrados em Ensino de História e Geografia dos Ensinos Básico e Secundário, e seis docentes universitários deste curso de mestrado. As conclusões obtidas sugerem que os participantes no estudo perspetivam que o uso educativo das TIG no ensino de Geografia contribui para o exercício da cidadania no século XXI. Ainda assim, constata-se que aprender a lecionar Geografia com TIG não é um objetivo consolidado ao nível dos Mestrados em Ensino de História e Geografia. Os resultados indicam que os docentes de Geografia possuem reduzidos conhecimentos em TIG, não são utilizadores frequentes destas ferramentas em contexto educativo e recorrem a estas ferramentas, sobretudo à Geospatial Web, como recurso didático, dado ser menos frequente a utilização das TIG enquanto estratégia de ensino-aprendizagem suportada em metodologias de ensino ativas. Ou seja, estas ferramentas surgem mais frequentemente como suporte para a apresentação de conteúdos, e menos como suporte para a exploração de conteúdos pelos alunos. Este nível de integração, é reflexo da resistência à mudança por parte dos docentes e resultam de limitações de caráter organizacional e de gestão implícitas às políticas educativas, que se traduzem em problemas no acesso a equipamentos, na excessiva carga horária dos docentes, bem como no elevado número de alunos por turma. No entanto, apesar de condicionada por barreiras de diversa ordem, a integração das TIG no ensino de Geografia pode ser estimulada com a capacitação dos professores de carreira e dos professores formandos e com a disponibilização de ferramentas e de material didático que permitam criar um contexto educativo favorável a lecionar Geografia com TIG. Esta proposta está baseada nos resultados deste estudo, que indicam que a maior frequência de formação favorece um maior conhecimento, mas também um uso mais frequente destas ferramentas, mesmo quando as instalações escolares não estão preparadas.