Publicação
The role of fibroblasts-derived microvesicles in age-related macular degeneration
| Resumo: | A degenerescência macular da idade (AMD) é uma doença degenerativa que afeta a área central da retina e é a principal causa de cegueira, a nível mundial, entre os indivíduos mais idosos. As duas formas avançadas da doença, a atrofia geográfica e a AMD neovascular, caracterizam-se pela presença de drusen entre a membrana basal do epitélio pigmentado da retina (RPE) e a membrana de Bruch e pela neovascularização do coróide, respetivamente. A patogénese da doença não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a transição epitelial-mesenquimal (EMT) desempenha um papel fundamental na disfunção do RPE e no desenvolvimento da fibrose sub-retiniana na AMD. A EMT pode ser induzida ou regulada por várias vias de sinalização e fatores de crescimento, como o TGF-β, e também por vesículas extracelulares (EVs). Estudos recentes sugerem que fatores relacionados com a EMT podem induzir as células do RPE a secretar exossomas enriquecidos em fatores angiogénicos, contribuindo para a neovascularização coróide (CNV). Contudo, o papel das microvesículas (MVs), outro tipo de EVs, na disfunção do RPE continua a ser largamente elusivo. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito das MVs secretadas por fibroblastos na ativação da EMT nas células do RPE. Para isso, utilizámos uma linha de células do RPE espontânea (células ARPE-19) e o TGF-β1 (10 ng/ml) em diferentes períodos (24, 48, e 72 horas) para induzir a EMT. O efeito do TGF-β1 na indução de EMT das células ARPE-19 foi avaliado através da avaliação dos níveis proteicos de marcadores relacionados com a EMT, bem como da análise da atividade metabólica, da proliferação e da migração das células ARPE-19. As MVs foram isoladas por centrifugação diferencial a partir do meio de cultura das células ARPE-19, tratadas ou não com TGF-β1, e o seu efeito foi investigado através da incubação destas MVs com células do RPE residentes. Os resultados mostram que o TGF-β1 não só aumentou significativamente a capacidade de migração das células ARPE-19 após 12 e 24 horas de tratamento, como também aumentou a atividade metabólica após 24 e 48 horas de estimulação. Além disso, as células ARPE-19 mostraram uma maior capacidade de proliferação após incubação com TGF-β1 durante 48 horas. Foi também observada uma tendência para o aumento dos níveis e alterações na imunorreatividade de marcadores relacionados com a EMT, tais como α-SMA, N-caderina, vimentina, e galectina-1 (Gal-1) e uma diminuição dos níveis de ocludina, especialmente após 48 horas de tratamento com TGF-β1. Além disso, o TGF-β1 aumentou a secreção de MVs a partir de células ARPE-19. Contudo, o tratamento das células ARPE-19 com MVs-TGF-β1 não aumentou a sua capacidade migratória ou de proliferação. Pelo contrário, as MVs secretadas por células ARPE-19 sem estimulação com TGF-β1 aumentaram a sua capacidade de proliferação. Globalmente, os nossos resultados revelaram que as MVs secretadas por células ARPE-19 tratadas com TGF-β1 não contribuem para o processo de EMT. No entanto, as MVs per se tiveram efeitos significativos na capacidade proliferativa e migratória das células ARPE-19. |
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| Autores principais: | Pires, Maria Eduarda dos Santos |
| Assunto: | Epitélio pigmentado da retina Degenerescência macular da idade Fibrose sub-retiniana Transição epitelial-mesenquimal Microvesículas Retinal pigment epithelium Age-related macular degeneration Subretinal fibrosis Epithelial-mesenchymal trasition Microvesicles |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A degenerescência macular da idade (AMD) é uma doença degenerativa que afeta a área central da retina e é a principal causa de cegueira, a nível mundial, entre os indivíduos mais idosos. As duas formas avançadas da doença, a atrofia geográfica e a AMD neovascular, caracterizam-se pela presença de drusen entre a membrana basal do epitélio pigmentado da retina (RPE) e a membrana de Bruch e pela neovascularização do coróide, respetivamente. A patogénese da doença não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a transição epitelial-mesenquimal (EMT) desempenha um papel fundamental na disfunção do RPE e no desenvolvimento da fibrose sub-retiniana na AMD. A EMT pode ser induzida ou regulada por várias vias de sinalização e fatores de crescimento, como o TGF-β, e também por vesículas extracelulares (EVs). Estudos recentes sugerem que fatores relacionados com a EMT podem induzir as células do RPE a secretar exossomas enriquecidos em fatores angiogénicos, contribuindo para a neovascularização coróide (CNV). Contudo, o papel das microvesículas (MVs), outro tipo de EVs, na disfunção do RPE continua a ser largamente elusivo. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito das MVs secretadas por fibroblastos na ativação da EMT nas células do RPE. Para isso, utilizámos uma linha de células do RPE espontânea (células ARPE-19) e o TGF-β1 (10 ng/ml) em diferentes períodos (24, 48, e 72 horas) para induzir a EMT. O efeito do TGF-β1 na indução de EMT das células ARPE-19 foi avaliado através da avaliação dos níveis proteicos de marcadores relacionados com a EMT, bem como da análise da atividade metabólica, da proliferação e da migração das células ARPE-19. As MVs foram isoladas por centrifugação diferencial a partir do meio de cultura das células ARPE-19, tratadas ou não com TGF-β1, e o seu efeito foi investigado através da incubação destas MVs com células do RPE residentes. Os resultados mostram que o TGF-β1 não só aumentou significativamente a capacidade de migração das células ARPE-19 após 12 e 24 horas de tratamento, como também aumentou a atividade metabólica após 24 e 48 horas de estimulação. Além disso, as células ARPE-19 mostraram uma maior capacidade de proliferação após incubação com TGF-β1 durante 48 horas. Foi também observada uma tendência para o aumento dos níveis e alterações na imunorreatividade de marcadores relacionados com a EMT, tais como α-SMA, N-caderina, vimentina, e galectina-1 (Gal-1) e uma diminuição dos níveis de ocludina, especialmente após 48 horas de tratamento com TGF-β1. Além disso, o TGF-β1 aumentou a secreção de MVs a partir de células ARPE-19. Contudo, o tratamento das células ARPE-19 com MVs-TGF-β1 não aumentou a sua capacidade migratória ou de proliferação. Pelo contrário, as MVs secretadas por células ARPE-19 sem estimulação com TGF-β1 aumentaram a sua capacidade de proliferação. Globalmente, os nossos resultados revelaram que as MVs secretadas por células ARPE-19 tratadas com TGF-β1 não contribuem para o processo de EMT. No entanto, as MVs per se tiveram efeitos significativos na capacidade proliferativa e migratória das células ARPE-19. |
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