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Colonialidades em xeque – Lições a partir da experiência do movimento katarista da Bolívia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O movimento katarista, que emergiu no Altiplano boliviano no final dos anos 1960 e consolidou-se nas décadas seguintes, é apresentado como uma experiência concreta e pouco analisada de sindicato agrário institucionalizado com profundas características na linha daquilo que veio a se consolidar posteriormente como pensamento pós-descolonial. Trata-se de uma articulação sociopolítica protagonizada por camponeses-indígenas aymaras que, confrontando meios de organização moldados pela epistemologia e ontologia ocidental dominante, optaram por ocupar a estrutura sindical agrária para formular ideias e desenvolver ações e formulações de enfrentamento das formas de colonialidades, conforme reflexões de Aníbal Quijano. Por meio de um processo tenso, complexo e imprevisto de “ecologia de saberes” e de “tradução intercultural”, o Katarismo, como experiência concreta de “epistemologia do Sul” (Boaventura de Sousa Santos), conquistou espaço decisivo no quadro da organização social boliviana. Com base no diálogo e na combinação entre saberes e modos de vida ocidentais e não-ocidentais, ou seja, entre elementos da luta de classes e a reivindicação por direitos étnico-culturais diferenciados, constitui exemplo de luta fundada na “interseccionalidade” (Kimberly Crenshaw).
Autores principais:Hashizume, Maurício
Assunto:América Latina Andes Bolívia Indigeneity Movimento camponês­-indígena Pensamento pós-­descolonial Postcolonialism
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:O movimento katarista, que emergiu no Altiplano boliviano no final dos anos 1960 e consolidou-se nas décadas seguintes, é apresentado como uma experiência concreta e pouco analisada de sindicato agrário institucionalizado com profundas características na linha daquilo que veio a se consolidar posteriormente como pensamento pós-descolonial. Trata-se de uma articulação sociopolítica protagonizada por camponeses-indígenas aymaras que, confrontando meios de organização moldados pela epistemologia e ontologia ocidental dominante, optaram por ocupar a estrutura sindical agrária para formular ideias e desenvolver ações e formulações de enfrentamento das formas de colonialidades, conforme reflexões de Aníbal Quijano. Por meio de um processo tenso, complexo e imprevisto de “ecologia de saberes” e de “tradução intercultural”, o Katarismo, como experiência concreta de “epistemologia do Sul” (Boaventura de Sousa Santos), conquistou espaço decisivo no quadro da organização social boliviana. Com base no diálogo e na combinação entre saberes e modos de vida ocidentais e não-ocidentais, ou seja, entre elementos da luta de classes e a reivindicação por direitos étnico-culturais diferenciados, constitui exemplo de luta fundada na “interseccionalidade” (Kimberly Crenshaw).