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Abcessos cerebrais, subdurais e epidurais em Pediatria - experiência de 11 anos
| Summary: | Introdução: Os abcessos cerebrais, subdurais e epidurais, apesar de pouco frequentes na população pediátrica, apresentam morbilidade e mortalidade significativas. O objetivo deste estudo foi caracterizar as crianças e adolescentes com estes diagnósticos e a respetiva abordagem médico-cirúrgica, ao longo de um período de 11 anos, num hospital pediátrico. Material e métodos: Estudo descritivo retrospetivo dos processos clínicos de crianças e adolescentes diagnosticados com abcesso cerebral, subdural ou epidural, no Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, durante um período de 11 anos (1 de julho de 2006 a 30 de junho de 2017). Até fevereiro de 2011, eram admitidas crianças dos 0 aos 13 anos e, após essa data, dos 0 aos 18 anos. Foram analisados dados demográficos, comorbilidades, fatores predisponentes, antibioticoterapia prévia, manifestações clínicas, imagiologia inicial, resultados laboratoriais, tratamento médico-cirúrgico, intervalos temporais das manifestações clínicas e das etapas de diagnóstico e tratamento, microbiologia e evolução clínica após a alta. Resultados: Foram incluídas 16 crianças, 11 do sexo masculino, com idade mediana de 8,8 anos. A existência de fatores predisponentes verificou-se em 81,3%, sendo os mais frequentes o trauma (37,5%) e a sinusite (25%). Predominaram os sintomas inespecíficos e 37,5% das crianças apresentou a tríade clássica de febre, cefaleias e défice neurológico focal. A tomografia computadorizada foi o exame de imagem inicial mais usado (68,8%). Os agentes etiológicos mais frequentemente identificados nos abcessos cerebrais foram bactérias estritamente anaeróbias (38,5%), no abcesso subdural o grupo Streptococcus anginosus (40%) e no abcesso epidural Staphylococcus aureus (100%), com 43,8% das crianças tendo recebido tratamento antibiótico empírico combinado com ceftriaxone, vancomicina e metronidazol, 56,3% corticoterapia e 93,8% submetidas a intervenção cirúrgica. A mortalidade foi nula e 12,5% das crianças ficaram com sequelas, tratando-se de casos de abcessos subdurais como complicações de outros diagnósticos primários. Discussão: O caráter inespecífico das manifestações clínicas e a falta de consenso nas guidelines existentes dificultam o diagnóstico e a escolha da terapêutica. Conclusão: É importante manter a vigilância clínica e epidemiológica destes abcessos para encurtar o intervalo temporal entre o início dos sintomas e o diagnóstico, e para melhor adequação da terapêutica empírica à epidemiologia local, com o intuito de evitar resistências crescentes a antibióticos e de melhorar o prognóstico. |
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| Main Authors: | Santos, Inês Correia Neves dos |
| Subject: | abcesso cerebral abcesso subdural abcesso epidural pediatria antibioticoterapia brain abscess subdural abscess epidural abscess paediatrics antibiotics |
| Year: | 2018 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | metadata only access |
| Associated institution: | Universidade de Coimbra |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Summary: | Introdução: Os abcessos cerebrais, subdurais e epidurais, apesar de pouco frequentes na população pediátrica, apresentam morbilidade e mortalidade significativas. O objetivo deste estudo foi caracterizar as crianças e adolescentes com estes diagnósticos e a respetiva abordagem médico-cirúrgica, ao longo de um período de 11 anos, num hospital pediátrico. Material e métodos: Estudo descritivo retrospetivo dos processos clínicos de crianças e adolescentes diagnosticados com abcesso cerebral, subdural ou epidural, no Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, durante um período de 11 anos (1 de julho de 2006 a 30 de junho de 2017). Até fevereiro de 2011, eram admitidas crianças dos 0 aos 13 anos e, após essa data, dos 0 aos 18 anos. Foram analisados dados demográficos, comorbilidades, fatores predisponentes, antibioticoterapia prévia, manifestações clínicas, imagiologia inicial, resultados laboratoriais, tratamento médico-cirúrgico, intervalos temporais das manifestações clínicas e das etapas de diagnóstico e tratamento, microbiologia e evolução clínica após a alta. Resultados: Foram incluídas 16 crianças, 11 do sexo masculino, com idade mediana de 8,8 anos. A existência de fatores predisponentes verificou-se em 81,3%, sendo os mais frequentes o trauma (37,5%) e a sinusite (25%). Predominaram os sintomas inespecíficos e 37,5% das crianças apresentou a tríade clássica de febre, cefaleias e défice neurológico focal. A tomografia computadorizada foi o exame de imagem inicial mais usado (68,8%). Os agentes etiológicos mais frequentemente identificados nos abcessos cerebrais foram bactérias estritamente anaeróbias (38,5%), no abcesso subdural o grupo Streptococcus anginosus (40%) e no abcesso epidural Staphylococcus aureus (100%), com 43,8% das crianças tendo recebido tratamento antibiótico empírico combinado com ceftriaxone, vancomicina e metronidazol, 56,3% corticoterapia e 93,8% submetidas a intervenção cirúrgica. A mortalidade foi nula e 12,5% das crianças ficaram com sequelas, tratando-se de casos de abcessos subdurais como complicações de outros diagnósticos primários. Discussão: O caráter inespecífico das manifestações clínicas e a falta de consenso nas guidelines existentes dificultam o diagnóstico e a escolha da terapêutica. Conclusão: É importante manter a vigilância clínica e epidemiológica destes abcessos para encurtar o intervalo temporal entre o início dos sintomas e o diagnóstico, e para melhor adequação da terapêutica empírica à epidemiologia local, com o intuito de evitar resistências crescentes a antibióticos e de melhorar o prognóstico. |
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