Publicação
A Emergência de Brucella Canis na Europa: uma Ameaça para a Saúde Pública
| Resumo: | Brucella canis, uma bactéria Gram-negativa com carácter zoonótico, foi descrita pela primeira vez em 1966 na sequência de surtos de aborto e infertilidade em cães. Sendo responsável pela Brucelose canina, esta bactéria causa lesão em tecidos reprodutivos, musculoesqueléticos e nervosos, apesar da manifestação ser predominantemente reprodutiva. Em humanos, embora rara, a doença pode ser crónica e com um quadro inespecífico atingindo particularmente grupos de risco como profissionais de saúde animal, crianças, idosos e indivíduos imuno-comprometidos. O mecanismo patogénico e as estratégias de evasão ao sistema imunitário de B. canis são complexas e dificultam a sua eliminação completa pelo hospedeiro. O diagnóstico da infeção apresenta também alguns desafios. Tanto os métodos diretos (i.e. cultura, MALDI-TOF, PCR) como os métodos indiretos (i.e. testes serológicos como RSAT, ELISA, AGID), apresentam limitações no que respeita à sensibilidade e especificidade. A epidemiologia da doença é pouco conhecida na Europa, devido à ausência de programas de vigilância harmonizados e de sistemas de notificação obrigatória. A circulação internacional de cães e movimentos pós-pandemia COVID-19 são indicados como fatores de risco para disseminação da infeção a partir de regiões endémicas. No que respeita ao tratamento, a eliminação completa da bactéria em cães infetados é difícil, mesmo com uma estratégia combinada de antibioterapia e esterilização, sendo comum a ocorrência de recaídas. As estratégias de controlo são consideradas insuficientes e pouco uniformizadas ao nível internacional. A inexistência de linhas orientadoras regulamentadas na Europa que exija a realização de testes de forma sistemática e que defina protocolos de gestão de animais infetados, tanto ao nível individual como em populações de risco (i.e. canis ou abrigos) é reconhecida como preocupante a alguns países da Europa encetaram a implementação de algumas medidas. É muito relevante neste contexto a implementação de uma abordagem focada em “Uma Só Saúde”, integrando a saúde animal, humana e ambiental, sensibilizando os profissionais, criando redes de vigilância, harmonizando os critérios de diagnóstico e estabelecendo medidas preventivas e de biossegurança eficazes a nível europeu. |
|---|---|
| Autores principais: | Chambinaud, Lucie |
| Assunto: | Brucelose canina Cão Epidemiologia Zoonose Saúde pública Canine brucellosis Dog Diagnosis Epidemiology Zoonosis Public health |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Escola Universitária Vasco da Gama |
| Idioma: | português |
| Origem: | Escola Universitária Vasco da Gama |
| Resumo: | Brucella canis, uma bactéria Gram-negativa com carácter zoonótico, foi descrita pela primeira vez em 1966 na sequência de surtos de aborto e infertilidade em cães. Sendo responsável pela Brucelose canina, esta bactéria causa lesão em tecidos reprodutivos, musculoesqueléticos e nervosos, apesar da manifestação ser predominantemente reprodutiva. Em humanos, embora rara, a doença pode ser crónica e com um quadro inespecífico atingindo particularmente grupos de risco como profissionais de saúde animal, crianças, idosos e indivíduos imuno-comprometidos. O mecanismo patogénico e as estratégias de evasão ao sistema imunitário de B. canis são complexas e dificultam a sua eliminação completa pelo hospedeiro. O diagnóstico da infeção apresenta também alguns desafios. Tanto os métodos diretos (i.e. cultura, MALDI-TOF, PCR) como os métodos indiretos (i.e. testes serológicos como RSAT, ELISA, AGID), apresentam limitações no que respeita à sensibilidade e especificidade. A epidemiologia da doença é pouco conhecida na Europa, devido à ausência de programas de vigilância harmonizados e de sistemas de notificação obrigatória. A circulação internacional de cães e movimentos pós-pandemia COVID-19 são indicados como fatores de risco para disseminação da infeção a partir de regiões endémicas. No que respeita ao tratamento, a eliminação completa da bactéria em cães infetados é difícil, mesmo com uma estratégia combinada de antibioterapia e esterilização, sendo comum a ocorrência de recaídas. As estratégias de controlo são consideradas insuficientes e pouco uniformizadas ao nível internacional. A inexistência de linhas orientadoras regulamentadas na Europa que exija a realização de testes de forma sistemática e que defina protocolos de gestão de animais infetados, tanto ao nível individual como em populações de risco (i.e. canis ou abrigos) é reconhecida como preocupante a alguns países da Europa encetaram a implementação de algumas medidas. É muito relevante neste contexto a implementação de uma abordagem focada em “Uma Só Saúde”, integrando a saúde animal, humana e ambiental, sensibilizando os profissionais, criando redes de vigilância, harmonizando os critérios de diagnóstico e estabelecendo medidas preventivas e de biossegurança eficazes a nível europeu. |
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