Publicação
A política de beligerância do governo de união sagrada
| Resumo: | A intenção de beligerância de Portugal na Grande Guerra não resultou do mero rompimento de relações diplomáticas entre Berlim e Lisboa. Ela tem uma história anterior que só compreendendo-a se percebe a insistência de alguns setores da política nacional pretenderem levar o país a entrar no grande conflito europeu e mundial. Neste artigo quer-se demonstrar que a beligerância portuguesa na Grande Guerra ofereceu a possibilidade, ao setor mais radical da política republicana, de modificar, sob o olhar atento das capitais europeias, a relação de subordinação de Lisboa perante Londres, aproveitando todos os circunstancialismos que o grande conflito bélico proporcionava a Portugal para explorar em seu favor as poucas fragilidades britânicas. A exposição centra-se numa sequência narrativa que tem de recuar a agosto de 1914 para possibilitar, por um lado, o entendimento das dependências essenciais de Portugal da Grã-Bretanha e, por outro, a ambiência interna justificativa de só surgirem, depois da declaração de guerra, dois partidos políticos oficialmente envolvidos na persecução da beligerância. Essa narrativa prolonga-se, depois, pela descrição interpretativa das ações do Governo de União Sagrada, entre março de 1916 e abril de 1917, tendentes a consolidarem o objetivo que havia determinado a beligerância, e pelo relato crítico dos atos mais importantes do Governo Afonso Costa que se lhe seguiu. Deixam-se evidentes algumas conclusões que mostram a dialética diplomática que se foi travando entre Lisboa e Londres na tentativa de uma se libertar do abraço tutelar e da outra o querer manter a todo o custo. |
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| Autores principais: | Fraga, Luís M. Alves de |
| Assunto: | Primeira Guerra Mundial, 1914-1918 Relações internacionais Politica externa Diplomacia Forças armadas Geostratégia Saúde militar Marinha História Arquipélago da Madeira (Portugal) Portugal França Reino Unido Alemanha |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto da Defesa Nacional |
| Idioma: | português |
| Origem: | Instituto da Defesa Nacional |
| Resumo: | A intenção de beligerância de Portugal na Grande Guerra não resultou do mero rompimento de relações diplomáticas entre Berlim e Lisboa. Ela tem uma história anterior que só compreendendo-a se percebe a insistência de alguns setores da política nacional pretenderem levar o país a entrar no grande conflito europeu e mundial. Neste artigo quer-se demonstrar que a beligerância portuguesa na Grande Guerra ofereceu a possibilidade, ao setor mais radical da política republicana, de modificar, sob o olhar atento das capitais europeias, a relação de subordinação de Lisboa perante Londres, aproveitando todos os circunstancialismos que o grande conflito bélico proporcionava a Portugal para explorar em seu favor as poucas fragilidades britânicas. A exposição centra-se numa sequência narrativa que tem de recuar a agosto de 1914 para possibilitar, por um lado, o entendimento das dependências essenciais de Portugal da Grã-Bretanha e, por outro, a ambiência interna justificativa de só surgirem, depois da declaração de guerra, dois partidos políticos oficialmente envolvidos na persecução da beligerância. Essa narrativa prolonga-se, depois, pela descrição interpretativa das ações do Governo de União Sagrada, entre março de 1916 e abril de 1917, tendentes a consolidarem o objetivo que havia determinado a beligerância, e pelo relato crítico dos atos mais importantes do Governo Afonso Costa que se lhe seguiu. Deixam-se evidentes algumas conclusões que mostram a dialética diplomática que se foi travando entre Lisboa e Londres na tentativa de uma se libertar do abraço tutelar e da outra o querer manter a todo o custo. |
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