Publicação
Gestão de populações de truta-de-rio (Salmo trutta, L.) em rios do Nordeste de Portugal: Será possível compatibilizar a conservação com a exploração de recursos piscícolas?
| Resumo: | A truta-de-rio (Salmo trutta, L.) é uma espécie bioindicadora da qualidade ecológica dos rios de montanha do norte e centro de Portugal, cujos exigentes requisitos ecológicos, a elevada sensibilidade a perturbações e o interesse para a pesca lúdica e desportiva justificam uma gestão sustentável na procura do equilíbrio entre a conservação e a exploração destas populações piscícolas. Neste enquadramento, os objetivos do presente estudo consistiram na avaliação do status e na gestão de populações de truta-de-rio no Parque Natural de Montesinho (PNM) e zonas limítrofes, suportada por uma prévia caracterização bioecológica. Assim, na primavera/verão de 2020 foi avaliada a qualidade da água, a hidromorfologia e as comunidades de invertebrados e peixes de 41 locais de amostragem (rios Mente, Rabaçal, Tuela, Baceiro, Sabor, Igrejas, Onor, Maçãs e ribeira da Aveleda). Foram determinados o crescimento e os parâmetros populacionais da S. trutta nos rios Sabor e Baceiro e monitorizado o sucesso e a dispersão de exemplares criados em cativeiro, após a realização de repovoamentos em 4 troços de diferente aptidão piscícola. Os resultados obtidos evidenciaram a excelente integridade ecológica dos locais amostrados nos troços de aptidão salmonícola. Por sua vez, nos troços de aptidão ciprinícola registaram-se sinais de perturbação, caso da poluição da água, fragmentação de habitats aquáticos e ribeirinhos, introdução de espécies não-nativas e sobrepesca. Estas pressões negativas podem ter contribuído para a menor abundância piscícola e para registos distintos no crescimento e condição física das populações naturais de truta-de-rio. Tal facto está na base do recurso a repovoamentos, a técnica de gestão de pescas mais usada pelos gestores das Zonas de Pesca Lúdica do NE de Portugal. Contudo, na monitorização efetuada a taxa de sucesso nunca ultrapassou 30% e a mobilidade dos exemplares libertados foi, predominantemente, estacionária ou no sentido de jusante. Tendo em conta o estatuto da área de estudo (e.g. área protegida PNM, Zona Especial de Conservação Montesinho/Nogueira, Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica) e as pressões antrópicas e naturais, são essenciais medidas específicas orientadas para a mitigação de impactes e a preservação dos valores naturais que permitam compatibilizar, num quadro de sustentabilidade, a conservação e exploração dos recursos dos rios da região transmontana. |
|---|---|
| Autores principais: | Tavares, Luiz Henrique Ferraz |
| Assunto: | Conservação de rios Integridade ecológica Gestão de pescas |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | A truta-de-rio (Salmo trutta, L.) é uma espécie bioindicadora da qualidade ecológica dos rios de montanha do norte e centro de Portugal, cujos exigentes requisitos ecológicos, a elevada sensibilidade a perturbações e o interesse para a pesca lúdica e desportiva justificam uma gestão sustentável na procura do equilíbrio entre a conservação e a exploração destas populações piscícolas. Neste enquadramento, os objetivos do presente estudo consistiram na avaliação do status e na gestão de populações de truta-de-rio no Parque Natural de Montesinho (PNM) e zonas limítrofes, suportada por uma prévia caracterização bioecológica. Assim, na primavera/verão de 2020 foi avaliada a qualidade da água, a hidromorfologia e as comunidades de invertebrados e peixes de 41 locais de amostragem (rios Mente, Rabaçal, Tuela, Baceiro, Sabor, Igrejas, Onor, Maçãs e ribeira da Aveleda). Foram determinados o crescimento e os parâmetros populacionais da S. trutta nos rios Sabor e Baceiro e monitorizado o sucesso e a dispersão de exemplares criados em cativeiro, após a realização de repovoamentos em 4 troços de diferente aptidão piscícola. Os resultados obtidos evidenciaram a excelente integridade ecológica dos locais amostrados nos troços de aptidão salmonícola. Por sua vez, nos troços de aptidão ciprinícola registaram-se sinais de perturbação, caso da poluição da água, fragmentação de habitats aquáticos e ribeirinhos, introdução de espécies não-nativas e sobrepesca. Estas pressões negativas podem ter contribuído para a menor abundância piscícola e para registos distintos no crescimento e condição física das populações naturais de truta-de-rio. Tal facto está na base do recurso a repovoamentos, a técnica de gestão de pescas mais usada pelos gestores das Zonas de Pesca Lúdica do NE de Portugal. Contudo, na monitorização efetuada a taxa de sucesso nunca ultrapassou 30% e a mobilidade dos exemplares libertados foi, predominantemente, estacionária ou no sentido de jusante. Tendo em conta o estatuto da área de estudo (e.g. área protegida PNM, Zona Especial de Conservação Montesinho/Nogueira, Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica) e as pressões antrópicas e naturais, são essenciais medidas específicas orientadas para a mitigação de impactes e a preservação dos valores naturais que permitam compatibilizar, num quadro de sustentabilidade, a conservação e exploração dos recursos dos rios da região transmontana. |
|---|