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Valorização da casca de Ficus carica L. como fonte de pigmentos naturais: estudos de extração, caracterização química e biológica e incorporação em alimentos

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Resumo:Devido à sua coloração, a casca do figo, infrutescência da figueira (Ficus carica L.), pode ser considerada como fonte potencial de antocianinas. Neste contexto, o objetivo deste estudo consistiu na comparação de diferentes técnicas de extração (assistidas por calor, ultrassons e micro-ondas) para a recuperação de antocianinas. Adicionalmente, e para as condições ótimas de extração, o extrato obtido foi caracterizado quanto à composição química e propriedades bioativas (atividades antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória e citotóxica). A fim de obter as condições que maximizam a extração de antocianinas, foi utilizada a metodologia de superfície de resposta usando um delineamento composto central circunscrito de três variáveis com cinco níveis. As variáveis relevantes testadas e otimizadas neste estudo foram o tempo, temperatura e composição do solvente (razão etanol/água) para os métodos de extração assistidos por calor e micro-ondas. Para o método de ultrassons a temperatura foi mantida constante enquanto a potência ultrassônica foi a variável estudada, juntamente com o tempo e a composição do solvente. A composição em antocianinas foi determinada por HPLC-DAD-ESI/MS e as respostas utilizadas como critérios foram: quantificação da cianidina-3-rutinósido (C) no resíduo extraído (R; mg C/g R) e na casca do figo (P; mg C/g P dw) e a relação de ambas (g R/g P dw). A extração ultrassónica mostrou ser o método mais eficaz, conduzindo a extração de 7,0 ± 0,2 mg C/g R, 3,11 ± 0,05 mg C/g P dw e 0,19 ± 0,001 g R/g P dw nas condições ótimas globais de extração (21 min e 310 W com 100% de etanol e 180 g/L). Em relação às propriedades bioativas, o extrato otimizado de casca de figo apresentou atividade antioxidante com EC50 de 2,447 mg/mL pelo método de TBARS e EC80, em 60 min (EC80 (60 min)) e em 120 min (EC80 (120 min)) de 0,52 e 1,62 mg/mL, respetivamente pelo método OxHLIA. O extrato revelou, para diferentes bactérias Gram-positivo e Gram-negativo, atividade antimicrobiana, além de não apresentar citotoxicidade para células não tumorais. Porém, não apresentou atividade anti-inflamatória ou citotóxica para células tumorais humanas. O estudo da sua aplicação num produto alimentar foi efetuado tendo como objetivo a preparação de coberturas para donuts (glacê). Em síntese, os resultados obtidos colocam em evidência a potencial aplicação da casca de F. carica como fonte de antocianinas para diferentes setores industriais, nomeadamente alimentar, farmacêutico e cosmético, agregando os benefícios provenientes da sua atividade antioxidante e antimicrobiana ao seu poder corante.
Autores principais:Backes, Emanueli
Assunto:Ficus carica L. Pigmentos naturais
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Devido à sua coloração, a casca do figo, infrutescência da figueira (Ficus carica L.), pode ser considerada como fonte potencial de antocianinas. Neste contexto, o objetivo deste estudo consistiu na comparação de diferentes técnicas de extração (assistidas por calor, ultrassons e micro-ondas) para a recuperação de antocianinas. Adicionalmente, e para as condições ótimas de extração, o extrato obtido foi caracterizado quanto à composição química e propriedades bioativas (atividades antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória e citotóxica). A fim de obter as condições que maximizam a extração de antocianinas, foi utilizada a metodologia de superfície de resposta usando um delineamento composto central circunscrito de três variáveis com cinco níveis. As variáveis relevantes testadas e otimizadas neste estudo foram o tempo, temperatura e composição do solvente (razão etanol/água) para os métodos de extração assistidos por calor e micro-ondas. Para o método de ultrassons a temperatura foi mantida constante enquanto a potência ultrassônica foi a variável estudada, juntamente com o tempo e a composição do solvente. A composição em antocianinas foi determinada por HPLC-DAD-ESI/MS e as respostas utilizadas como critérios foram: quantificação da cianidina-3-rutinósido (C) no resíduo extraído (R; mg C/g R) e na casca do figo (P; mg C/g P dw) e a relação de ambas (g R/g P dw). A extração ultrassónica mostrou ser o método mais eficaz, conduzindo a extração de 7,0 ± 0,2 mg C/g R, 3,11 ± 0,05 mg C/g P dw e 0,19 ± 0,001 g R/g P dw nas condições ótimas globais de extração (21 min e 310 W com 100% de etanol e 180 g/L). Em relação às propriedades bioativas, o extrato otimizado de casca de figo apresentou atividade antioxidante com EC50 de 2,447 mg/mL pelo método de TBARS e EC80, em 60 min (EC80 (60 min)) e em 120 min (EC80 (120 min)) de 0,52 e 1,62 mg/mL, respetivamente pelo método OxHLIA. O extrato revelou, para diferentes bactérias Gram-positivo e Gram-negativo, atividade antimicrobiana, além de não apresentar citotoxicidade para células não tumorais. Porém, não apresentou atividade anti-inflamatória ou citotóxica para células tumorais humanas. O estudo da sua aplicação num produto alimentar foi efetuado tendo como objetivo a preparação de coberturas para donuts (glacê). Em síntese, os resultados obtidos colocam em evidência a potencial aplicação da casca de F. carica como fonte de antocianinas para diferentes setores industriais, nomeadamente alimentar, farmacêutico e cosmético, agregando os benefícios provenientes da sua atividade antioxidante e antimicrobiana ao seu poder corante.