Publicação

Biorresíduos de Punica granatum L. como potencial fonte de compostos fenólicos com aplicação alimentar

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Atualmente existe uma clara tendência para a incorporação de ingredientes de base natural em formulações alimentares e farmacêuticas. Este tipo de ingredientes, tem vindo a ser bem aceite por parte dos consumidores uma vez que, a literatura os descreve como apresentando propriedades bioativas com ações benéficas para a saúde do consumidor. Nesta área, os biorresiduos descartados em grande quantidade pela indústria alimentar têm vindo a despertar particular interesse devido não só ao potencial bioativo reconhecido deste tipo de materiais mas, também pelas questões económicas e de impacto ambiental que esta questão acarreta. O material vegetal que é descartado durante o processamento industrial da romã é um bom exemplo destes biorresíduos, tendo em conta que é um dos vinte frutos mais produzidos a nível mundial e que os resíduos descartados representam uma elevada porção do fruto. A indústria transformadora de romã origina grandes quantidades de produtos laterais, que podem constituir um custo acrescido e material de eliminação difícil. Desta forma, o desenvolvimento de formas eficientes de valorização destes biorresíduos pode significar importantes benefícios económicos e ambientais. Os compostos fenólicos presentes na casca de romã (e.g., taninos hidrolisáveis e flavonoides) apresentam atividades biológicas (por exemplo atividade antioxidante, anti- inflamatória ou antimicrobiana). Por outro lado, a romã apresenta componentes funcionais, como por exemplo a pectina, que também podem ter grande aplicabilidade no desenvolvimento de formulações alimentares. O trabalho a desenvolver pretende testar a eficiência de três solventes, água, etanol e água/etanol na extração de compostos fenólicos de duas variedades de romã, proceder à sua completa caracterização cromatográfica e avaliar a sua bioatividade. Os extratos de casca de romã, após validação das suas propriedades, serão utilizados como ingredientes para formulações de biscoitos tipo “casadinho”, contribuindo para a promoção da saúde dos consumidores. A casca de romã será duplamente valorizada através da extração da pectina que será também utilizada na formulação do mesmo produto alimentar. Os compostos fenólicos presentes nos diferentes extratos foram identificados por HPLC-DAD-ESI/MS. Os resultados revelaram a presença de catorze compostos fenólicos na romã Mollar de Elche, destacando-se a punicalagina e o galoíl-HHDP-glucose como os maioritários. Por sua vez, os extratos de romã Purple Queen, apresentaram dezessete compostos fenólicos ainda que em concentrações menores que na cultivar anteriormente citada. Adicionalmente, esta variedade apresentou três antocianinas na sua composição o que poderá justificar a sua cor avermelhada característica da casca. A variedade Mollar de Elche destacou-se por apresentar uma maior atividade antioxidante e antibacteriana. Com o objetivo de aliar o potencial corante e as características bioativas, selecionou- se a variedade Purple Queen para incorporar num produto de pastelaria tipicamente brasileiro de forma a avaliar a capacidade como ingrediente natural corante e funcionalizante com vista ao aproveitamento de um biorresíduo pouco explorado. Os resultados demonstram que a incorporação do extrato não provocou alterações significativas relativamente ao perfil nutricional mas, conseguiram fornecer uma maior atividade antioxidante relativamente ao produto tradicional. Desta forma, este trabalho veio confirmar a possível utilização da casca da romã na indústria alimentar como ingrediente natural com potencial corante e funcionalizante o que permitirá uma valorização deste biorresíduo para além de contribuir de forma positiva para a economia e ambiente.
Autores principais:Veloso, Felipe da Silva
Assunto:Casca de romã Compostos fenólicos Bioatividade Biorresíduos Alimentos funcionais
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Atualmente existe uma clara tendência para a incorporação de ingredientes de base natural em formulações alimentares e farmacêuticas. Este tipo de ingredientes, tem vindo a ser bem aceite por parte dos consumidores uma vez que, a literatura os descreve como apresentando propriedades bioativas com ações benéficas para a saúde do consumidor. Nesta área, os biorresiduos descartados em grande quantidade pela indústria alimentar têm vindo a despertar particular interesse devido não só ao potencial bioativo reconhecido deste tipo de materiais mas, também pelas questões económicas e de impacto ambiental que esta questão acarreta. O material vegetal que é descartado durante o processamento industrial da romã é um bom exemplo destes biorresíduos, tendo em conta que é um dos vinte frutos mais produzidos a nível mundial e que os resíduos descartados representam uma elevada porção do fruto. A indústria transformadora de romã origina grandes quantidades de produtos laterais, que podem constituir um custo acrescido e material de eliminação difícil. Desta forma, o desenvolvimento de formas eficientes de valorização destes biorresíduos pode significar importantes benefícios económicos e ambientais. Os compostos fenólicos presentes na casca de romã (e.g., taninos hidrolisáveis e flavonoides) apresentam atividades biológicas (por exemplo atividade antioxidante, anti- inflamatória ou antimicrobiana). Por outro lado, a romã apresenta componentes funcionais, como por exemplo a pectina, que também podem ter grande aplicabilidade no desenvolvimento de formulações alimentares. O trabalho a desenvolver pretende testar a eficiência de três solventes, água, etanol e água/etanol na extração de compostos fenólicos de duas variedades de romã, proceder à sua completa caracterização cromatográfica e avaliar a sua bioatividade. Os extratos de casca de romã, após validação das suas propriedades, serão utilizados como ingredientes para formulações de biscoitos tipo “casadinho”, contribuindo para a promoção da saúde dos consumidores. A casca de romã será duplamente valorizada através da extração da pectina que será também utilizada na formulação do mesmo produto alimentar. Os compostos fenólicos presentes nos diferentes extratos foram identificados por HPLC-DAD-ESI/MS. Os resultados revelaram a presença de catorze compostos fenólicos na romã Mollar de Elche, destacando-se a punicalagina e o galoíl-HHDP-glucose como os maioritários. Por sua vez, os extratos de romã Purple Queen, apresentaram dezessete compostos fenólicos ainda que em concentrações menores que na cultivar anteriormente citada. Adicionalmente, esta variedade apresentou três antocianinas na sua composição o que poderá justificar a sua cor avermelhada característica da casca. A variedade Mollar de Elche destacou-se por apresentar uma maior atividade antioxidante e antibacteriana. Com o objetivo de aliar o potencial corante e as características bioativas, selecionou- se a variedade Purple Queen para incorporar num produto de pastelaria tipicamente brasileiro de forma a avaliar a capacidade como ingrediente natural corante e funcionalizante com vista ao aproveitamento de um biorresíduo pouco explorado. Os resultados demonstram que a incorporação do extrato não provocou alterações significativas relativamente ao perfil nutricional mas, conseguiram fornecer uma maior atividade antioxidante relativamente ao produto tradicional. Desta forma, este trabalho veio confirmar a possível utilização da casca da romã na indústria alimentar como ingrediente natural com potencial corante e funcionalizante o que permitirá uma valorização deste biorresíduo para além de contribuir de forma positiva para a economia e ambiente.