Publicação
Ação antimicrobiana de extratos fenólicos de cogumelos silvestres contra Neisseria gonorrhoeae
| Resumo: | O relatório da OMS publicado em 2001 faz referência à estimativa de que mais de seis milhões de casos de gonorreia (infeção causada pela Neisseria gonorrhoeae) ocorrem a cada ano e com índices crescentes, principalmente nos países em desenvolvimento. Por outro lado, tem-se vindo a verificar uma resistência emergente deste microrganismo aos agentes antimicrobianos comuns no seu tratamento, sendo um grande obstáculo no controle de gonorreia [1,2]. Assim, é urgente a descoberta de novas soluções antimicrobianas no combate a esta infeção. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a atividade antimicrobiana de extratos e respetivos compostos fenólicos puros de oito espécies de cogumelos silvestres, provenientes do Nordeste de Portugal, contra Neisseria gonorrhoeae obtida de exsudados da uretra no CHTMAD – Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal. Para a determinação das concentrações mínimas inibitórias (CMI) de crescimento recorreu-se ao método da microdiluição e ao ensaio colorimétrico com cloreto de p-iodonitrotetrazólio (INT). Os resultados demostraram que todos os extratos testados, na gama de concentrações testadas (10,0 – 20,0 mg/mL), conseguiam inibir completamente o crescimento de Neisseria gonorrhoeae. De todos as espécies testadas, os extratos de Agaricus bisporus, Lactarius deliciosus, Russula delica e Sarcodon imbricatus foram aqueles que apresentaram maior atividade em concentrações de extrato muito reduzidas (CMI= 1,25 mg/mL). O extrato de Leucopaxillus giganteus apresentou uma CMI = 2,5 mg/mL e o de Ramaria botrytis e Agaricus arvenses apresentaram uma CMI de 10 mg/mL. O extrato de Tricholoma portentosum demonstrou ser o de menor atividade contra Neisseria gonorrhoeae, com uma CMI elevada (20 mg/mL). Dos principais compostos fenólicos presentes nos extratos, identificados e quantificados por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada a deteção de díodos (HPLC-DAD), os ácidos protocatéquico, p-cumárico e cinâmico inibiram a Neisseria gonorrhoeae para uma concentração de 1mg/mL, não se verificando qualquer atividade antimicrobiana para o ácido p-hidroxibenzóico. De um modo geral, todos os extratos apresentaram atividade antimicrobiana sobre a Neisseria gonorrhoeae, sendo pertinente estudar no futuro a sua toxicidade celular no sentido de avaliar possíveis aplicações clínicas na terapêutica e mesmo na prevenção da gonorreia. |
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| Autores principais: | Alves, Maria José |
| Outros Autores: | Marques, Azucena; Ferreira, Isabel C.F.R.; Martins, Anabela; Pintado, Manuela |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | O relatório da OMS publicado em 2001 faz referência à estimativa de que mais de seis milhões de casos de gonorreia (infeção causada pela Neisseria gonorrhoeae) ocorrem a cada ano e com índices crescentes, principalmente nos países em desenvolvimento. Por outro lado, tem-se vindo a verificar uma resistência emergente deste microrganismo aos agentes antimicrobianos comuns no seu tratamento, sendo um grande obstáculo no controle de gonorreia [1,2]. Assim, é urgente a descoberta de novas soluções antimicrobianas no combate a esta infeção. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a atividade antimicrobiana de extratos e respetivos compostos fenólicos puros de oito espécies de cogumelos silvestres, provenientes do Nordeste de Portugal, contra Neisseria gonorrhoeae obtida de exsudados da uretra no CHTMAD – Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal. Para a determinação das concentrações mínimas inibitórias (CMI) de crescimento recorreu-se ao método da microdiluição e ao ensaio colorimétrico com cloreto de p-iodonitrotetrazólio (INT). Os resultados demostraram que todos os extratos testados, na gama de concentrações testadas (10,0 – 20,0 mg/mL), conseguiam inibir completamente o crescimento de Neisseria gonorrhoeae. De todos as espécies testadas, os extratos de Agaricus bisporus, Lactarius deliciosus, Russula delica e Sarcodon imbricatus foram aqueles que apresentaram maior atividade em concentrações de extrato muito reduzidas (CMI= 1,25 mg/mL). O extrato de Leucopaxillus giganteus apresentou uma CMI = 2,5 mg/mL e o de Ramaria botrytis e Agaricus arvenses apresentaram uma CMI de 10 mg/mL. O extrato de Tricholoma portentosum demonstrou ser o de menor atividade contra Neisseria gonorrhoeae, com uma CMI elevada (20 mg/mL). Dos principais compostos fenólicos presentes nos extratos, identificados e quantificados por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada a deteção de díodos (HPLC-DAD), os ácidos protocatéquico, p-cumárico e cinâmico inibiram a Neisseria gonorrhoeae para uma concentração de 1mg/mL, não se verificando qualquer atividade antimicrobiana para o ácido p-hidroxibenzóico. De um modo geral, todos os extratos apresentaram atividade antimicrobiana sobre a Neisseria gonorrhoeae, sendo pertinente estudar no futuro a sua toxicidade celular no sentido de avaliar possíveis aplicações clínicas na terapêutica e mesmo na prevenção da gonorreia. |
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