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Efeitos de curta duração do fogo controlado em propriedades e processos físicos do solo: um exemplo em áreas de matos do Parque Natural de Montesinho

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Resumo:O fogo produz efeitos adversos no solo, alterando as suas propriedades físicas, químicas, biológicas e mineralógicas. O Parque Natural de Montesinho (PNM), apresenta 1/3 da sua área coberto por áreas de matos, que são altamente inflamáveis, e combinado as características mediterrânicas do ambiente, elevam o risco de incêndios. O fogo controlado é uma medida preventiva do risco de incêndio, diminuindo a biomassa combustível, que admite-se ter baixo impacto sobre o solo, face à sua baixa intensidade. Este estudo focou-se nas alterações das propriedades e processos físicos do solo, após a aplicação de fogo controlado numa área de matos do PNM, vizinha de um povoamento florestal de resinosas. As propriedades físicas foram analisadas em três momentos: antes, imediatamente pós fogo e dois meses pós fogo. Em 11 pontos de amostragem foram tomadas amostras não perturbadas na camada 0-5 cm, em anéis metálicos 100 cm3. As determinações laboratoriais incluíram permeabilidade saturada, densidade aparente, capacidade máxima para a água, capacidade de campo, porosidade (macro-, micro- e total). A densidade aparente e os macroporos aumentaram significativamente, assim como a capacidade máxima para água, a capacidade de campo, e o armazenamento de água, sofreram uma diminuição; para além disso, a porosidade total e a permeabilidade diminuíram, mesmo que não significativamente. Contudo, a combinação de todas essas mudanças consta que a dinâmica hidrológica do solo se alterou após o fogo, entretanto, tendendo a voltar ao estágio anterior ao fogo controlado, no momento dois meses após o fogo. A perda de solo e o escoamento foram monitorados durante 3 meses após a queima, através da inserção de 8 microparcelas de 4m², 4 delas localizadas em um declive mais acentuado e 4 em declive menor. A precipitação total durante o monitoramento foi de 80,2 mm, resultando em uma média de 0,616 mm em escoamento e 19,51 (g.m-2) em perda de solo, para o declive mais baixo e 2,39 mm e 22,95 (g.m-2) para o declive mais acentuado. Embora o período de monitoramento fosse curto, pode-se notar que houve uma perda de solo ocasionada pelo fogo e um efeito do declive, quanto ao escoamento. Entende-se que a contribuição deste trabalho para a investigação dos impactos do fogo controlado nas propriedades e processos físicos do solo em áreas de matos permite um conhecimento mais amplo dos efeitos a curto prazo no Parque Natural de Montesinho, NE Portugal.
Autores principais:Piovesan, Eloiza de Lima
Assunto:Áreas ardidas Recuperação pós fogo Matos Propriedades físicas do solo Erosão
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:O fogo produz efeitos adversos no solo, alterando as suas propriedades físicas, químicas, biológicas e mineralógicas. O Parque Natural de Montesinho (PNM), apresenta 1/3 da sua área coberto por áreas de matos, que são altamente inflamáveis, e combinado as características mediterrânicas do ambiente, elevam o risco de incêndios. O fogo controlado é uma medida preventiva do risco de incêndio, diminuindo a biomassa combustível, que admite-se ter baixo impacto sobre o solo, face à sua baixa intensidade. Este estudo focou-se nas alterações das propriedades e processos físicos do solo, após a aplicação de fogo controlado numa área de matos do PNM, vizinha de um povoamento florestal de resinosas. As propriedades físicas foram analisadas em três momentos: antes, imediatamente pós fogo e dois meses pós fogo. Em 11 pontos de amostragem foram tomadas amostras não perturbadas na camada 0-5 cm, em anéis metálicos 100 cm3. As determinações laboratoriais incluíram permeabilidade saturada, densidade aparente, capacidade máxima para a água, capacidade de campo, porosidade (macro-, micro- e total). A densidade aparente e os macroporos aumentaram significativamente, assim como a capacidade máxima para água, a capacidade de campo, e o armazenamento de água, sofreram uma diminuição; para além disso, a porosidade total e a permeabilidade diminuíram, mesmo que não significativamente. Contudo, a combinação de todas essas mudanças consta que a dinâmica hidrológica do solo se alterou após o fogo, entretanto, tendendo a voltar ao estágio anterior ao fogo controlado, no momento dois meses após o fogo. A perda de solo e o escoamento foram monitorados durante 3 meses após a queima, através da inserção de 8 microparcelas de 4m², 4 delas localizadas em um declive mais acentuado e 4 em declive menor. A precipitação total durante o monitoramento foi de 80,2 mm, resultando em uma média de 0,616 mm em escoamento e 19,51 (g.m-2) em perda de solo, para o declive mais baixo e 2,39 mm e 22,95 (g.m-2) para o declive mais acentuado. Embora o período de monitoramento fosse curto, pode-se notar que houve uma perda de solo ocasionada pelo fogo e um efeito do declive, quanto ao escoamento. Entende-se que a contribuição deste trabalho para a investigação dos impactos do fogo controlado nas propriedades e processos físicos do solo em áreas de matos permite um conhecimento mais amplo dos efeitos a curto prazo no Parque Natural de Montesinho, NE Portugal.