Publicação
O Papel da Inteligência Artificial na Aprendizagem Personalizada de Alunos do Ensino Secundário com Necessidades Especiais: a perspetiva dos Professores
| Resumo: | Este estudo qualitativo explorou as perceções e práticas de professores portugueses do ensino secundário relativamente à Inteligência Artificial (IA) na personalização da aprendizagem e na inclusão de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). Oito entrevistas semiestruturadas foram realizadas e analisadas, de acordo com a estrutura de análise de conteúdo de Bardin (2009), produzindo uma matriz detalhada que capturou usos funcionais, benefícios percebidos, barreiras e recomendações. Os professores referiram que as plataformas adaptativas adequam o conteúdo, o ritmo e o desafio aos perfis individuais, automatizam a avaliação com feedback formativo imediato e fornecem painéis de análise da aprendizagem que destacam os padrões de risco. Consideraram que as tecnologias assistivas baseadas em IA – leitores de ecrã, sintetizadores de voz, legendagem e tradução em tempo real - são essenciais para o Desenho Universal para a Aprendizagem, reforçando a autonomia, a motivação e a participação social dos alunos com NEE. No entanto, os inquiridos identificaram obstáculos significativos: desenvolvimento profissional inadequado, infraestruturas fracas, acesso desigual aos dispositivos e à banda larga e preocupações não resolvidas sobre a privacidade dos dados e os preconceitos algorítmicos. As diferenças disciplinares foram evidentes; as disciplinas STEM adotaram a IA mais rapidamente do que os domínios cinestésicos. Os professores defenderam sistematicamente que a utilização da IA deve crescer, sem substituir a relação humana que é fundamental para a pedagogia. As limitações metodológicas incluem a amostra pequena e geograficamente delimitada, a dependência do autorrelato e a natureza rápida da inovação da IA. Os trabalhos futuros devem utilizar métodos mistos e conceções longitudinais, integrar as perspetivas dos estudantes e investigar modelos de governação sistémica. De um modo geral, os resultados sugerem que o potencial transformador da IA dependerá de uma estratégia política coerente, de recursos equitativos e de um reforço sustentado das capacidades dos professores, permitindo que a tecnologia funcione quer como um andaime cognitivo, quer como um motor de uma educação inclusiva e de alta qualidade. |
|---|---|
| Autores principais: | Loução, Elisabete Rodrigues Prior |
| Assunto: | Inteligência artificial Aprendizagem personalizada Educação inclusiva Perceções dos professores |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | Este estudo qualitativo explorou as perceções e práticas de professores portugueses do ensino secundário relativamente à Inteligência Artificial (IA) na personalização da aprendizagem e na inclusão de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). Oito entrevistas semiestruturadas foram realizadas e analisadas, de acordo com a estrutura de análise de conteúdo de Bardin (2009), produzindo uma matriz detalhada que capturou usos funcionais, benefícios percebidos, barreiras e recomendações. Os professores referiram que as plataformas adaptativas adequam o conteúdo, o ritmo e o desafio aos perfis individuais, automatizam a avaliação com feedback formativo imediato e fornecem painéis de análise da aprendizagem que destacam os padrões de risco. Consideraram que as tecnologias assistivas baseadas em IA – leitores de ecrã, sintetizadores de voz, legendagem e tradução em tempo real - são essenciais para o Desenho Universal para a Aprendizagem, reforçando a autonomia, a motivação e a participação social dos alunos com NEE. No entanto, os inquiridos identificaram obstáculos significativos: desenvolvimento profissional inadequado, infraestruturas fracas, acesso desigual aos dispositivos e à banda larga e preocupações não resolvidas sobre a privacidade dos dados e os preconceitos algorítmicos. As diferenças disciplinares foram evidentes; as disciplinas STEM adotaram a IA mais rapidamente do que os domínios cinestésicos. Os professores defenderam sistematicamente que a utilização da IA deve crescer, sem substituir a relação humana que é fundamental para a pedagogia. As limitações metodológicas incluem a amostra pequena e geograficamente delimitada, a dependência do autorrelato e a natureza rápida da inovação da IA. Os trabalhos futuros devem utilizar métodos mistos e conceções longitudinais, integrar as perspetivas dos estudantes e investigar modelos de governação sistémica. De um modo geral, os resultados sugerem que o potencial transformador da IA dependerá de uma estratégia política coerente, de recursos equitativos e de um reforço sustentado das capacidades dos professores, permitindo que a tecnologia funcione quer como um andaime cognitivo, quer como um motor de uma educação inclusiva e de alta qualidade. |
|---|