Publicação

Avaliação da qualidade do ar interior em salas de aulas sem sistemas AVAC

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A maioria das pessoas passa grande parte do seu tempo em ambientes fechados, tais como habitações, escolas, entre outros. Por essa razão, a qualidade do ar interior (QAI) é um fator determinante para o desempenho de atividades nesses espaços. Em salas de aulas, o dióxido de carbono (CO2) é um dos poluentes que mais afeta os utilizadores e gestores desses espaços, pois apesar de não ser considerado um gás poluente no exterior, em espaços de lecionação pode atingir níveis superiores aos valores máximos recomendáveis. Neste contexto, desenvolveu-se um estudo, no Instituto Politécnico de Bragança, com o objetivo de avaliar a dinâmica do CO2 em salas de aulas sem ventilação mecânica, em função de alguns parâmetros como a dimensão do espaço, ocupação e abertura de janelas e portas, entre outros. Para este estudo foram selecionadas 4 salas com volumes compreendidos entre 90 e 380 m3. A monitorização do CO2, bem como da temperatura e da humidade relativa, foi realizada ao longo de várias semanas entre Março e Maio de 2013. As salas foram monitoradas em dias diferentes, entre as 9 e as 18 horas, tendo sido realizados um total de 6 ensaios por sala. As condições meteorológicas exteriores foram também registadas durante esse período. Foram ainda criadas as bases de uma ferramenta de gestão da qualidade do ar interior em salas de aulas, através do desenvolvimento/validação de um modelo simples de simulação dos níveis de CO2. Os principais resultados permitem identificar uma relação direta entre o poluente e o número de ocupantes, principalmente quando não ocorre renovação de ar. Nessas condições, os níveis de CO2 atingem rapidamente os 1.800 mg/m3, mesmo em situações com taxas de ocupação inferiores a 30%. Os valores médios para o período de duração dos ensaios, situam-se entre os 3.600 e 5.400 mg/m3 para as salas de volume inferior a 120 m3 e nas salas de maior dimensão variam entre os 1.900 e 2.500 mg/m3. Verificou-se ainda que, na ausência de aberturas a entrada de ar novo situou-se em média abaixo de 1 renovação por hora, e com aberturas entre 1,8 e 3 renovações por hora. Quanto ao CO2 simulado, o modelo utilizado consegue acompanhar bem as variações ao longo do tempo em 90% dos ensaios e explica com boa correlação cerca de 70%. A abertura de portas e janelas, em simultâneo ou não, poderá ser uma solução para assegurar a redução dos níveis de CO2 abaixo dos níveis máximos recomendáveis, mas implicará áreas e tempos de abertura relativamente longos, que poderão ser desaconselhados nas épocas mais frias e ventosas. Os cenários permitiram concluir que por vezes é necessário estar 1 janela aberta durante todo o período de aula para garantir que os níveis de CO2 cumpram o estabelecido no quadro legal, mesmo com ocupações inferiores a 50%. Desenvolvimentos futuros permitirão efetuar simulações que incluam outras variáveis do processo, de modo a prever com maior exatidão soluções no âmbito da ventilação natural.
Autores principais:Rodrigues, Filipe
Assunto:Ar interior Dióxido de carbono Salas de aulas Ventilação natural Modelação
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A maioria das pessoas passa grande parte do seu tempo em ambientes fechados, tais como habitações, escolas, entre outros. Por essa razão, a qualidade do ar interior (QAI) é um fator determinante para o desempenho de atividades nesses espaços. Em salas de aulas, o dióxido de carbono (CO2) é um dos poluentes que mais afeta os utilizadores e gestores desses espaços, pois apesar de não ser considerado um gás poluente no exterior, em espaços de lecionação pode atingir níveis superiores aos valores máximos recomendáveis. Neste contexto, desenvolveu-se um estudo, no Instituto Politécnico de Bragança, com o objetivo de avaliar a dinâmica do CO2 em salas de aulas sem ventilação mecânica, em função de alguns parâmetros como a dimensão do espaço, ocupação e abertura de janelas e portas, entre outros. Para este estudo foram selecionadas 4 salas com volumes compreendidos entre 90 e 380 m3. A monitorização do CO2, bem como da temperatura e da humidade relativa, foi realizada ao longo de várias semanas entre Março e Maio de 2013. As salas foram monitoradas em dias diferentes, entre as 9 e as 18 horas, tendo sido realizados um total de 6 ensaios por sala. As condições meteorológicas exteriores foram também registadas durante esse período. Foram ainda criadas as bases de uma ferramenta de gestão da qualidade do ar interior em salas de aulas, através do desenvolvimento/validação de um modelo simples de simulação dos níveis de CO2. Os principais resultados permitem identificar uma relação direta entre o poluente e o número de ocupantes, principalmente quando não ocorre renovação de ar. Nessas condições, os níveis de CO2 atingem rapidamente os 1.800 mg/m3, mesmo em situações com taxas de ocupação inferiores a 30%. Os valores médios para o período de duração dos ensaios, situam-se entre os 3.600 e 5.400 mg/m3 para as salas de volume inferior a 120 m3 e nas salas de maior dimensão variam entre os 1.900 e 2.500 mg/m3. Verificou-se ainda que, na ausência de aberturas a entrada de ar novo situou-se em média abaixo de 1 renovação por hora, e com aberturas entre 1,8 e 3 renovações por hora. Quanto ao CO2 simulado, o modelo utilizado consegue acompanhar bem as variações ao longo do tempo em 90% dos ensaios e explica com boa correlação cerca de 70%. A abertura de portas e janelas, em simultâneo ou não, poderá ser uma solução para assegurar a redução dos níveis de CO2 abaixo dos níveis máximos recomendáveis, mas implicará áreas e tempos de abertura relativamente longos, que poderão ser desaconselhados nas épocas mais frias e ventosas. Os cenários permitiram concluir que por vezes é necessário estar 1 janela aberta durante todo o período de aula para garantir que os níveis de CO2 cumpram o estabelecido no quadro legal, mesmo com ocupações inferiores a 50%. Desenvolvimentos futuros permitirão efetuar simulações que incluam outras variáveis do processo, de modo a prever com maior exatidão soluções no âmbito da ventilação natural.