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Framboesa vermelha (Rubus idaeus L.): composição química e nutricional e propriedades bioativas

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Resumo:Nas últimas décadas tem-se verificado que diferentes biomoléculas presentes em frutos comestíveis apresentam uma série de atividades biológicas, nomeadamente propriedades anticancerígenas, antioxidantes, imunológicas, hipolipidémicas, anti-inflamatórias e hipoglicémicas. O género Rubus é um dos mais diversos no reino vegetal, abrangendo mais de 200 espécies que podem ser subdivididas em 12 subgéneros. Dentro deste género, a framboesa vermelha (Rubus ideaus L., família Rosaceae) é reconhecida pelo seu sabor característico e pela sua cor vermelha atrativa. Este pequeno fruto tem sido descrito como sendo uma fonte de compostos bioativos com propriedades benéficas para a saúde do consumidor, incluindo compostos fenólicos, tais como antocianinas e elagitaninos, e nutrientes como minerais, vitaminas, carotenoides e ácido ascórbico. Neste sentido, este trabalho teve como objetivo contribuir para o aumento do conhecimento sobre o valor nutricional e composição química da framboesa vermelha, bem como avaliar diferentes propriedades bioativas de extratos obtidos a partir desta pseudobaga. Para a caracterização nutricional e química da framboesa vermelha, as amostras foram liofilizadas e submetidas a vários métodos analíticos. A composição centesimal (teores de humidade, gordura, proteína, cinzas e hidratos de carbono e energia) foi avaliada seguindo métodos oficiais de análise de alimentos. Os perfis em açúcares livres, ácidos orgânicos e tocoferóis foram determinados em sistemas de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acoplados a detetores de índice de refração (RI), de díodos (DAD) e de fluorescência (FL), após procedimentos de extração adequados. Os ácidos gordos foram analisados num sistema de cromatografia gasosa acoplado a um detetor de ionização de chama (GC-FID), após extração por Soxhlet e derivatização. Os compostos fenólicos foram analisados em extratos hidroetanólicos num sistema de HPLC com detetor DAD acoplado a um espectrómetro de massa (HPLC-DAD-ESI/MSn). O extrato de framboesa foi submetido a vários bioensaios para avaliar a sua atividade biológica, nomeadamente: i) atividade antioxidante foi medida pela capacidade de inibir a formação espécies reativas do ácido tiobarbitúrico (TBARS), a hemólise oxidativa (OxHLIA) e a descoloração do β-caroteno (β-CBI); ii) a atividade antimicrobiana foi testada pelos métodos da microdiluição em placa e colorimétrico do cloreto de p-iodonitrotetrazólio (INT) contra diferentes estirpes de bactérias e fungos; iii) a atividade anti-inflamatória foi avaliada pela capacidade de inibir a produção de óxido nítrico (NO) em células RAW 264.7 estimuladas com lipopolissacarídeo; e iv) a atividade citotóxica foi testada pelo ensaio da sulforrodamina B contra linhas celulares tumorais humanas, MCF-7 (carcinoma de mama), NCI-H460 (carcinoma de pulmão), HeLa (carcinoma cervical) e HepG2 (carcinoma de fígado), e uma cultura primária de células de fígado de porco (PLP2). Os resultados foram tratados e analisados estatisticamente. Relativamente ao valor nutricional da framboesa vermelha, os hidratos de carbono foram os macronutrientes detetados em maior quantidade (16,12 g/100 g) a seguir à água (83,1 g/100 g), enquanto os teores de proteína e gordura foram ≤ 0,18 g/100 g. Entre os compostos responsáveis pela doçura e acidez, foram detetados cinco açúcares livres, com predominância de frutose (2,42 g/100 g), e três ácidos orgânicos, principalmente ácido cítrico (2,7 g/100 g). Quanto a constituintes de natureza lipofílica, detetaram-se 21 ácidos gordos, com predominância dos ácidos: oleico (27.1%), palmítico (20.2%), α-linolénico (16.6%) e linoleico (11.9%). Os MUFA+PUFA representaram 58.3% da fração lipídica total (0,132 g/100 g) e a relação PUFA/SFA foi superior a 0,45. A framboesa apresentou também um teor interessante de tocoferóis (1920 μg/100 g), com predominância de δ-tocoferol (1357 μg/100 g). A análise de HPLC-DAD-ESI/MSn permitiu identificar dois ácidos fenólicos, nomeadamente ácido quínico e cafeoil-hexósido, e duas antocianinas, a cianidina-O-suforósido e a cianidina-O-hexósido. A antocianinas (4,51 mg/g) predominaram sobre os ácidos fenólicos (147 μg/g) nos extratos de framboesa e poderão ser os compostos responsáveis pela cor vermelha da framboesa. Os ensaios de atividade antioxidante evidenciaram o potencial bioativo dos extratos in vitro no que concerne à sua capacidade de inibir a peroxidação lipídica, a hemólise oxidativa e a descoloração do β-caroteno. O extrato também apresentou um efeito bactericida e fungicida contra as estirpes testadas, com alguns resultados comparáveis aos dos controlos positivos testados. Por outro lado, o extrato não mostrou citotoxicidade para as linhas celulares tumorais e não tumoral em estudo na concentração máxima testada (GI50 >400 μg/mL), nem atividade anti-inflamatória pela incapacidade de inibir a produção de NO pela linha celular RAW 264.7. Este estudo demonstrou que a framboesa vermelha é equilibrada do ponto de vista nutricional e o seu consumo poderá trazer efeitos benéficas para a saúde do consumidor.
Autores principais:Vara, Ana Luísa
Assunto:Framboesa vermelha Composição nutricional Compostos fenólicos Antocianinas Atividade antioxidante Atividade antimicrobiana
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Nas últimas décadas tem-se verificado que diferentes biomoléculas presentes em frutos comestíveis apresentam uma série de atividades biológicas, nomeadamente propriedades anticancerígenas, antioxidantes, imunológicas, hipolipidémicas, anti-inflamatórias e hipoglicémicas. O género Rubus é um dos mais diversos no reino vegetal, abrangendo mais de 200 espécies que podem ser subdivididas em 12 subgéneros. Dentro deste género, a framboesa vermelha (Rubus ideaus L., família Rosaceae) é reconhecida pelo seu sabor característico e pela sua cor vermelha atrativa. Este pequeno fruto tem sido descrito como sendo uma fonte de compostos bioativos com propriedades benéficas para a saúde do consumidor, incluindo compostos fenólicos, tais como antocianinas e elagitaninos, e nutrientes como minerais, vitaminas, carotenoides e ácido ascórbico. Neste sentido, este trabalho teve como objetivo contribuir para o aumento do conhecimento sobre o valor nutricional e composição química da framboesa vermelha, bem como avaliar diferentes propriedades bioativas de extratos obtidos a partir desta pseudobaga. Para a caracterização nutricional e química da framboesa vermelha, as amostras foram liofilizadas e submetidas a vários métodos analíticos. A composição centesimal (teores de humidade, gordura, proteína, cinzas e hidratos de carbono e energia) foi avaliada seguindo métodos oficiais de análise de alimentos. Os perfis em açúcares livres, ácidos orgânicos e tocoferóis foram determinados em sistemas de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acoplados a detetores de índice de refração (RI), de díodos (DAD) e de fluorescência (FL), após procedimentos de extração adequados. Os ácidos gordos foram analisados num sistema de cromatografia gasosa acoplado a um detetor de ionização de chama (GC-FID), após extração por Soxhlet e derivatização. Os compostos fenólicos foram analisados em extratos hidroetanólicos num sistema de HPLC com detetor DAD acoplado a um espectrómetro de massa (HPLC-DAD-ESI/MSn). O extrato de framboesa foi submetido a vários bioensaios para avaliar a sua atividade biológica, nomeadamente: i) atividade antioxidante foi medida pela capacidade de inibir a formação espécies reativas do ácido tiobarbitúrico (TBARS), a hemólise oxidativa (OxHLIA) e a descoloração do β-caroteno (β-CBI); ii) a atividade antimicrobiana foi testada pelos métodos da microdiluição em placa e colorimétrico do cloreto de p-iodonitrotetrazólio (INT) contra diferentes estirpes de bactérias e fungos; iii) a atividade anti-inflamatória foi avaliada pela capacidade de inibir a produção de óxido nítrico (NO) em células RAW 264.7 estimuladas com lipopolissacarídeo; e iv) a atividade citotóxica foi testada pelo ensaio da sulforrodamina B contra linhas celulares tumorais humanas, MCF-7 (carcinoma de mama), NCI-H460 (carcinoma de pulmão), HeLa (carcinoma cervical) e HepG2 (carcinoma de fígado), e uma cultura primária de células de fígado de porco (PLP2). Os resultados foram tratados e analisados estatisticamente. Relativamente ao valor nutricional da framboesa vermelha, os hidratos de carbono foram os macronutrientes detetados em maior quantidade (16,12 g/100 g) a seguir à água (83,1 g/100 g), enquanto os teores de proteína e gordura foram ≤ 0,18 g/100 g. Entre os compostos responsáveis pela doçura e acidez, foram detetados cinco açúcares livres, com predominância de frutose (2,42 g/100 g), e três ácidos orgânicos, principalmente ácido cítrico (2,7 g/100 g). Quanto a constituintes de natureza lipofílica, detetaram-se 21 ácidos gordos, com predominância dos ácidos: oleico (27.1%), palmítico (20.2%), α-linolénico (16.6%) e linoleico (11.9%). Os MUFA+PUFA representaram 58.3% da fração lipídica total (0,132 g/100 g) e a relação PUFA/SFA foi superior a 0,45. A framboesa apresentou também um teor interessante de tocoferóis (1920 μg/100 g), com predominância de δ-tocoferol (1357 μg/100 g). A análise de HPLC-DAD-ESI/MSn permitiu identificar dois ácidos fenólicos, nomeadamente ácido quínico e cafeoil-hexósido, e duas antocianinas, a cianidina-O-suforósido e a cianidina-O-hexósido. A antocianinas (4,51 mg/g) predominaram sobre os ácidos fenólicos (147 μg/g) nos extratos de framboesa e poderão ser os compostos responsáveis pela cor vermelha da framboesa. Os ensaios de atividade antioxidante evidenciaram o potencial bioativo dos extratos in vitro no que concerne à sua capacidade de inibir a peroxidação lipídica, a hemólise oxidativa e a descoloração do β-caroteno. O extrato também apresentou um efeito bactericida e fungicida contra as estirpes testadas, com alguns resultados comparáveis aos dos controlos positivos testados. Por outro lado, o extrato não mostrou citotoxicidade para as linhas celulares tumorais e não tumoral em estudo na concentração máxima testada (GI50 >400 μg/mL), nem atividade anti-inflamatória pela incapacidade de inibir a produção de NO pela linha celular RAW 264.7. Este estudo demonstrou que a framboesa vermelha é equilibrada do ponto de vista nutricional e o seu consumo poderá trazer efeitos benéficas para a saúde do consumidor.