Publicação
Gestão da dor aguda pós-operatória na artroplastia da anca: eficácia analgésica do bloqueio de nervo periférico de dose única
| Resumo: | O Estágio Profissional visa o desenvolvimento das competências comuns e especificas para uma determinada área de especialidade, neste caso a Enfermagem de Médico-cirúrgica na área da pessoa em situação critica. As competências de investigação foram desenvolvidas com um estudo sobre a dor aguda do pós-operatório, uma vez que é um problema de saúde pública fundamentado pela sua prevalência, potenciais complicações e subtratamento. A opção pela gestão da dor aguda nos doentes submetidos a artroplastia primária da anca justificou-se por ser uma cirurgia cada vez mais comum, pela relação que se estabelece com a patologia osteoarticular degenerativa e o envelhecimento da população, e porque a dor pós-operatória associada a este procedimento se manifesta habitualmente por dor moderada a intensa. Objetivos: Analisar o processo de aquisição de competências para a prestação de cuidados à pessoa em situação critica. Caracterizar os níveis de intensidade de dor (em repouso e em movimento), os efeitos adversos (bloqueio motor, sensitivo e efeitos sistémicos) e a necessidade de analgesia de resgate, em doentes submetidos a artroplastia primária da anca, com recurso a técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única; verificar a relação existente entre os níveis de intensidade de dor, os efeitos adversos, a necessidade de analgesia de resgate e de reavaliação depois das 24 horas, com as técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única; verificar a relação entre a presença de efeitos secundários sistémicos com o uso de analgesia de resgate e de analgesia sistémica. Métodos: Estudo analítico-correlacional e retrospetivo. Foram incluídos 994 doentes submetidos a Artroplastia Total Primária da Anca e submetidos a técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única [bloqueio de nervo femoral (BNF) + cutâneo lateral da coxa (CLC); bloqueio do grupo nervoso pericapsular (PENG) + Cutâneo lateral da coxa (CLC); Bloqueio da fáscia ilíaca (BFI)], seguidos numa Unidade de Dor Aguda de um hospital da região Norte, no período compreendido entre 1 de janeiro de 2013 e 15 outubro de 2023. Foram salvaguardados os princípios éticos. Os dados foram submetidos a análise descritiva e inferencial, com recurso ao programa Python Programming Language (versão 3.12). Resultados: O estágio permitiu o desenvolvimento de competências para a prestação de cuidados à pessoa em situação critica. No estudo, no total de doentes, o BNF+CLC foi utilizado em 77,5%, o PENG+CLC em 14,4% e o BFI em 8,1%, todos os doentes foram avaliados às 24 horas após o procedimento cirúrgico. A maioria doentes referiu ausência de dor em repouso (82,7%) e dor ligeira em movimento (55,2%). Os principais efeitos adversos identificados foram o bloqueio sensitivo com parestesias em pequena área (13%), o bloqueio motor com ligeira diminuição da força muscular (4,9%) e as náuseas e vómitos (3,5%). Apenas 7,8% necessitaram de analgesia de resgate. As hipóteses propostas não se confirmaram, exceto uma diferença estatisticamente significativa quando comparados os grupos de BNF+CLC e PENG+CLC em relação ao bloqueio sensitivo (p = 0.036) e a comparação dos grupos com administração de paracetamol e paracetamol+tramadol em relação aos efeitos adversos sistémicos (p = 0.047). Conclusão: A avaliação efetuada pelos enfermeiros da UDA, nas primeiras 24 horas após ATA, com recurso a técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única em combinação com analgesia sistémica, revela uma adequada gestão da dor aguda do pós-operatório. A necessidade de analgesia de resgate foi muito reduzida e os efeitos adversos associados à analgesia estiveram ausentes na maioria dos doentes. Os doentes submetidos a PENG+CLC apresentaram menor grau de bloqueio sensitivo do que os submetidos a BNF+CLC. |
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| Autores principais: | Dias, Henrique José de Oliveira |
| Assunto: | Artroplastia da anca Dor aguda pós-operatório Analgesia nervo periférico de dose única Enfermagem Médico-Cirúrgica |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | O Estágio Profissional visa o desenvolvimento das competências comuns e especificas para uma determinada área de especialidade, neste caso a Enfermagem de Médico-cirúrgica na área da pessoa em situação critica. As competências de investigação foram desenvolvidas com um estudo sobre a dor aguda do pós-operatório, uma vez que é um problema de saúde pública fundamentado pela sua prevalência, potenciais complicações e subtratamento. A opção pela gestão da dor aguda nos doentes submetidos a artroplastia primária da anca justificou-se por ser uma cirurgia cada vez mais comum, pela relação que se estabelece com a patologia osteoarticular degenerativa e o envelhecimento da população, e porque a dor pós-operatória associada a este procedimento se manifesta habitualmente por dor moderada a intensa. Objetivos: Analisar o processo de aquisição de competências para a prestação de cuidados à pessoa em situação critica. Caracterizar os níveis de intensidade de dor (em repouso e em movimento), os efeitos adversos (bloqueio motor, sensitivo e efeitos sistémicos) e a necessidade de analgesia de resgate, em doentes submetidos a artroplastia primária da anca, com recurso a técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única; verificar a relação existente entre os níveis de intensidade de dor, os efeitos adversos, a necessidade de analgesia de resgate e de reavaliação depois das 24 horas, com as técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única; verificar a relação entre a presença de efeitos secundários sistémicos com o uso de analgesia de resgate e de analgesia sistémica. Métodos: Estudo analítico-correlacional e retrospetivo. Foram incluídos 994 doentes submetidos a Artroplastia Total Primária da Anca e submetidos a técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única [bloqueio de nervo femoral (BNF) + cutâneo lateral da coxa (CLC); bloqueio do grupo nervoso pericapsular (PENG) + Cutâneo lateral da coxa (CLC); Bloqueio da fáscia ilíaca (BFI)], seguidos numa Unidade de Dor Aguda de um hospital da região Norte, no período compreendido entre 1 de janeiro de 2013 e 15 outubro de 2023. Foram salvaguardados os princípios éticos. Os dados foram submetidos a análise descritiva e inferencial, com recurso ao programa Python Programming Language (versão 3.12). Resultados: O estágio permitiu o desenvolvimento de competências para a prestação de cuidados à pessoa em situação critica. No estudo, no total de doentes, o BNF+CLC foi utilizado em 77,5%, o PENG+CLC em 14,4% e o BFI em 8,1%, todos os doentes foram avaliados às 24 horas após o procedimento cirúrgico. A maioria doentes referiu ausência de dor em repouso (82,7%) e dor ligeira em movimento (55,2%). Os principais efeitos adversos identificados foram o bloqueio sensitivo com parestesias em pequena área (13%), o bloqueio motor com ligeira diminuição da força muscular (4,9%) e as náuseas e vómitos (3,5%). Apenas 7,8% necessitaram de analgesia de resgate. As hipóteses propostas não se confirmaram, exceto uma diferença estatisticamente significativa quando comparados os grupos de BNF+CLC e PENG+CLC em relação ao bloqueio sensitivo (p = 0.036) e a comparação dos grupos com administração de paracetamol e paracetamol+tramadol em relação aos efeitos adversos sistémicos (p = 0.047). Conclusão: A avaliação efetuada pelos enfermeiros da UDA, nas primeiras 24 horas após ATA, com recurso a técnicas de bloqueio de nervo periférico dose única em combinação com analgesia sistémica, revela uma adequada gestão da dor aguda do pós-operatório. A necessidade de analgesia de resgate foi muito reduzida e os efeitos adversos associados à analgesia estiveram ausentes na maioria dos doentes. Os doentes submetidos a PENG+CLC apresentaram menor grau de bloqueio sensitivo do que os submetidos a BNF+CLC. |
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